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	<title>Gastropedia</title>
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	<description>Atualização médica de forma descomplicada para profissionais que trabalham com saúde do aparelho digestivo.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 19 Jun 2026 02:17:41 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Gastropedia</title>
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	<item>
		<title>Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal: Indicações e Abordagem Técnica &#8211; Parte II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Ambar Pinto,&nbsp;Amanda Pereira Lima,&nbsp;Isaac José Felippe Corrêa Neto&nbsp;e&nbsp;Lucas Ambar Pinto Anjos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Colorretal]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na Parte I, foram discutidos os critérios de indicação, as contraindicações e a avaliação pré-operatória dos candidatos à neuromodulação sacral (clique aqui para ler). Nesta segunda parte, serão abordados os&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na Parte I, foram discutidos os critérios de indicação, as contraindicações e a avaliação pré-operatória dos candidatos à neuromodulação sacral (<a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal-indicacoes-e-abordagem-tecnica-parte-i/" type="link" id="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal-indicacoes-e-abordagem-tecnica-parte-i/">clique aqui para ler</a>). Nesta segunda parte, serão abordados os aspectos técnicos e as etapas do procedimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-descricao-da-tecnica-da-neuromodulacao-sacral-nms-padronizacao-e-precisao"><strong>Descrição da Técnica da Neuromodulação Sacral (NMS): Padronização e Precisão</strong></h2>



<p>A NMS é um procedimento de <strong>dois estágios</strong>: um <strong>teste de avaliação </strong>(avaliação percutânea do nervo &#8211; PNE) e o <strong>implante definitivo</strong>. É importante que seja realizada uma técnica padronizada de posicionamento do eletrodo para garantir a proximidade ideal com o nervo alvo, o que proporciona uma maior probabilidade de sucesso e menor possibilidade de efeitos adversos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-preparacao-do-paciente-e-equipamento"><br><strong>Preparação do Paciente e Equipamento</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Posicionamento</strong>: decúbito ventral (Figura 1), com cabeça, tórax e quadris bem apoiados. Pelo menos quatro coxins são usados para suporte a fim de compensar a lordose lombar. Os pés e pododáctilos devem ser elevados da mesa (geralmente com uma almofada sob as pernas) para permitir a verificação da resposta motora à estimulação, como flexão plantar do hálux.</li>
</ul>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11217"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="463" data-id="11217" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente-1024x463.jpg?v=1779922201" alt="" class="wp-image-11217" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente-1024x463.jpg?v=1779922201 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente-300x136.jpg?v=1779922201 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente-768x347.jpg?v=1779922201 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente-585x265.jpg?v=1779922201 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente.jpg?v=1779922201 1037w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1. Posicionamento do paciente. Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11218"><img decoding="async" width="530" height="481" data-id="11218" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-do-paciente.jpg" alt="" class="wp-image-11218" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-do-paciente.jpg?v=1779922377 530w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-do-paciente-300x272.jpg?v=1779922377 300w" sizes="(max-width: 530px) 100vw, 530px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1. Posicionamento do paciente. Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Observação do Ânus (Figura 2)</strong>: As nádegas devem ser afastadas com fita adesiva para permitir a visualização do ânus durante a eletroestimulação e verificar o movimento de “bellows” (contração do assoalho pélvico).</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11220"><img decoding="async" width="535" height="406" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-e-afastamento-do-anus.jpeg" alt="" class="wp-image-11220" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-e-afastamento-do-anus.jpeg?v=1779923289 535w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-e-afastamento-do-anus-300x228.jpeg?v=1779923289 300w" sizes="(max-width: 535px) 100vw, 535px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 2.</strong> Posicionamento e afastamento do ânus. Fonte: Acervo pessoal dos autores.</figcaption></figure>
</div>


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Aterramento e Estimulador</strong>: Uma almofada de aterramento (“fio terra”) é fixada ao paciente (ex: calcanhar) e conectada a um estimulador de teste externo (ENS, Verify®).</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-estagio-1-teste-de-avaliacao-teste-pne-percutaneous-nerve-evaluation-ou-teste-de-eletrodo-temporario"><br><strong>Estágio 1: Teste de Avaliação (Teste PNE &#8211; Percutaneous Nerve Evaluation ou Teste de Eletrodo Temporário)</strong></h2>



<p>Este estágio é importante para prever o sucesso a longo prazo da terapia.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-1-anestesia"><strong>1.Anestesia</strong></h3>



<p>Geralmente sob anestesia local e sedação leve.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-2-antibioticoprofilaxia"><strong>2.Antibioticoprofilaxia</strong></h3>



<p>Recomenda-se a administração de uma dose intravenosa de antibiótico profilático (ex.: cefazolina 2 g IV).</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-3-identificacao-do-forame-sacral-e-marcacao-radiologica"><strong>3.Identificação do Forame Sacral e Marcação Radiológica</strong></h3>



<p>Utilização de fluoroscopia em vista ântero-posterior (AP) do sacro.</p>



<p>Os parâmetros radiológicos são as bordas mediais dos forames, marcadas com uma linha vertical de cada lado na pele, e uma linha conectando as bordas inferiores da articulação sacroilíaca. Isso forma uma figura em &#8220;H&#8221;, cujos pontos de intersecção representam a parte medial superior do terceiro forame sacral, o local ideal para a entrada do eletrodo (Figura 3).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11221"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="462" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-1024x462.jpg" alt="" class="wp-image-11221" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-1024x462.jpg?v=1779924292 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-300x135.jpg?v=1779924292 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-768x346.jpg?v=1779924292 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-585x264.jpg?v=1779924292 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-1080x487.jpg?v=1779924292 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H.jpg?v=1779924292 1104w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 3.</strong> Demarcação em H: delineamento vertical das margens mediais dos forames e linha horizontal indicativa da margem inferior da junção íleo-sacral. Fonte:(5)</figcaption></figure>



<p>A individualidade anatômica do sacro exige a orientação por raio-X, pois a confiança apenas em marcos ósseos superficiais pode levar a erros de posicionamento adequado da agulha no forame sacral de S3.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-4-posicionamento-da-agulha-do-forame"><strong>4.Posicionamento da Agulha do Forame</strong></h3>



<p>A agulha do forame (geralmente 9 cm, 20 Gauge) é inserida em um ponto cefálico à marcação superficial de S3 (figura 5), estendendo-se de uma linha imaginária do bordo superior de S3 no ângulo do plano de fusão intervertebral S2-S3, de cerca de 60º com a pele e sendo introduzida paralelo ao eixo mediano, sem desvios mediais ou laterais.</p>



<p>A progressão da agulha no forame é sentida como um movimento de penetração através de uma estrutura ligamentar.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-5-teste-de-estimulacao-eletrica"><strong>5.Teste de Estimulação Elétrica</strong></h3>



<p>Uma vez que a agulha atinge o nível indicativo dentro do forame, a estimulação de teste é realizada com o gerador de pulso externo (Figura 4). O objetivo é obter uma resposta motora anal (contração do assoalho pélvico – “bellows”) e/ou resposta dos pododáctilos/antepé de flexão, com uma corrente baixa, idealmente &lt;2 mA.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11222"><img loading="lazy" decoding="async" width="664" height="735" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-da-agulha.jpg" alt="" class="wp-image-11222" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-da-agulha.jpg?v=1779924694 664w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-da-agulha-271x300.jpg?v=1779924694 271w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-da-agulha-585x648.jpg?v=1779924694 585w" sizes="(max-width: 664px) 100vw, 664px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 4</strong>. Posicionamento da agulha.<br>Fonte: Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>
</div>


<p>Com a estimulação, o cirurgião busca:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Resposta Motora: Contração do assoalho pélvico (movimento de &#8220;elevação&#8221; do ânus), adução da coxa ou dorsiflexão do hálux (reflexo pudendo).</li>



<li>Resposta Sensorial: Parestesia ou sensação de &#8220;formigamento&#8221; no períneo, escroto/grandes lábios ou região retal/vaginal.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-6-implante-do-eletrodo-permanente"><strong>6.Implante do Eletrodo Permanente</strong></h3>



<p>O eletrodo permanente de múltiplos polos (quadri polar) é cuidadosamente inserido no mesmo forame sacral que demonstrou a melhor resposta, após a substituição da agulha pelo fio guia (técnica de Seldinger) e dilatação do trajeto com um introdutor inserido no forame sacral até sua marca radiopaca. O eletrodo permanente (Figura 5A) é introduzido através do introdutor, sendo o principal objetivo posicionar os quatro contatos do eletrodo em estreita proximidade ao nervo sacral alvo, buscando uma resposta de estimulação adequada com &lt;2 mA em cada contato. A aparência do eletrodo em vistas AP e lateral fluoroscópicas é importante para confirmar o posicionamento ideal (Figuras 5B e C). A fixação é importante para evitar a migração, sendo as farpas responsáveis por ancorar o eletrodo no tecido circundante.</p>



<p></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11223"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="447" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-1024x447.jpg?v=1779928147" alt="" class="wp-image-11223" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-1024x447.jpg?v=1779928147 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-300x131.jpg?v=1779928147 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-768x335.jpg?v=1779928147 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-1170x510.jpg?v=1779928147 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-585x255.jpg?v=1779928147 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-1080x471.jpg?v=1779928147 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6.jpg?v=1779928147 1298w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 5.</strong> A) Eletrodo permanente B) Posicionamento adequado do eletrodo em AP na radioscopia. C) Posicionamento em perfil. Fonte: acervo pessoal dos autores.</figcaption></figure>
</div>


<h3 class="wp-block-heading" id="h-7-remocao-do-introdutor"><strong>7.Remoção do Introdutor</strong></h3>



<p>Deve ser feita suavemente, sob fluoroscopia, para evitar o deslocamento do eletrodo. A posição é reconfirmada por estimulação e fluoroscopia.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-8-conexao-ao-gerador-externo"><strong>8.Conexão ao Gerador Externo</strong></h3>



<p>O eletrodo permanente é conectado a um gerador de pulso externo (Figura 6) que o paciente leva consigo por um período de 2 a 4 semanas. Durante este tempo, o paciente mantém um diário de hábitos intestinais (Figura 7).</p>



<p>O teste é considerado bem-sucedido se houver uma redução de pelo menos 50% nos episódios de incontinência fecal associado a uma melhora significativa na qualidade de vida percebida pelo paciente.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11246"><img loading="lazy" decoding="async" width="683" height="453" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Gerador-externo.jpeg" alt="" class="wp-image-11246" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Gerador-externo.jpeg?v=1779933177 683w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Gerador-externo-300x199.jpeg?v=1779933177 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Gerador-externo-585x388.jpeg?v=1779933177 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Gerador-externo-263x175.jpeg?v=1779933177 263w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 6.</strong> Gerador externo &#8211; Fase teste. Fonte: Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11225"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="760" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-1024x760.png" alt="" class="wp-image-11225" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-1024x760.png 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-300x223.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-768x570.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-1170x868.png 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-585x434.png 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-1080x801.png 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais.png 1297w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 7.</strong> Registro de Sintomas Intestinais &#8211; o diário leva em consideração gravidade da urgência evacuatória, escala de Bristol, número de acidentes e quantidade de perdas. (Medtronic®)</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading" id="h-estagio-2-implante-definitivo-do-sistema"><strong>Estágio 2: Implante Definitivo do Sistema</strong></h2>



<p>Se o teste de avaliação for bem-sucedido, o paciente é encaminhado para o implante definitivo.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Anestesia</strong>: Pode ser realizada sob anestesia local com sedação.</li>



<li><strong>Profilaxia Antibiótica</strong>: A profilaxia antibiótica é essencial para prevenir infecções, que podem levar à remoção do implante. Recomenda-se uma dose intravenosa de antibióticos profiláticos (ex: Cefazolina 2g IV) antes da implantação. Não há consenso sobre o benefício do uso de campos impregnados com antibióticos, irrigação de feridas com solução antibiótica. Geralmente, não são necessários antibióticos pós-operatórios de rotina, embora alguns especialistas recomendem antibióticos orais de amplo espectro por cinco a sete dias.</li>



<li><strong>Implante do Gerador de Pulso Implantável (IPG):</strong> O eletrodo permanente é tunelizado pelo tecido celular subcutâneo e conectado a um IPG (um pequeno dispositivo eletrônico com bateria). Este é implantado em uma &#8220;bolsa&#8221; subcutânea, geralmente na região glútea superior ou no abdome, ipsilateral à inserção do eletrodo definitivo, em um local confortável e discreto para o paciente. O local do IPG deve ser 3-4 cm lateral ao osso sacral e 4-6 cm inferior à crista ilíaca, evitando estruturas ósseas (Figura 8).</li>
</ul>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11227"><img loading="lazy" decoding="async" width="623" height="468" data-id="11227" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente.jpg" alt="" class="wp-image-11227" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente.jpg?v=1779929045 623w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-300x225.jpg?v=1779929045 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-585x439.jpg?v=1779929045 585w" sizes="(max-width: 623px) 100vw, 623px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 8.<strong> </strong>Localização de eletrodo permanente. Fonte: Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11226"><img loading="lazy" decoding="async" width="636" height="477" data-id="11226" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-1.jpg" alt="" class="wp-image-11226" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-1.jpg?v=1779929042 636w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-1-300x225.jpg?v=1779929042 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-1-585x439.jpg?v=1779929042 585w" sizes="(max-width: 636px) 100vw, 636px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 8. Localização de eletrodo permanente. Fonte: Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Programação e Acompanhamento:</strong> O IPG é programado com parâmetros de estimulação específicos. Os pacientes recebem um controle remoto para ajustar a intensidade (Figura 9). Acompanhamentos regulares são necessários para otimizar a programação e monitorar a resposta clínica. A bateria do IPG tem uma vida útil em média de 10 anos.</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11228"><img loading="lazy" decoding="async" width="447" height="381" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Dispositivo-de-controle-do-paciente-para-ajuste.jpeg" alt="" class="wp-image-11228" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Dispositivo-de-controle-do-paciente-para-ajuste.jpeg?v=1779929412 447w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Dispositivo-de-controle-do-paciente-para-ajuste-300x256.jpeg?v=1779929412 300w" sizes="(max-width: 447px) 100vw, 447px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 9.</strong> Dispositivo de controle do paciente para ajuste. Fonte: acervo pessoal dos autores.</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading" id="h-resultados"><br><strong>Resultados</strong></h2>



<p><strong>Estudo multicêntrico</strong> retrospectivo<sup>8</sup> conduzido em sete centros europeus avaliou os desfechos de longo prazo da neuromodulação sacral em 108 pacientes com IF ou dupla (urinária associada), com seguimento de até 5 anos. Observou-se <strong>melhora significativa e sustentada dos sintomas</strong>, com redução do escore de incontinência de 15 para 2 em 12 meses e para 1 em 36 meses (p &lt; 0,0001), mantendo-se estável ao longo do acompanhamento. Além disso, <strong>houve melhora importante na qualidade de vida</strong> e todos os pacientes com disfunção sexual prévia relataram resolução dos sintomas após 5 anos. A taxa de implante definitivo foi de 81,4%, reforçando a eficácia do método.</p>



<p><strong>Outra coorte retrospectiva multicêntrica</strong> realizada em centros de cirurgia colorretal da América Latina<sup>15</sup> avaliou 131 pacientes com IF refratária submetidos à NMS, com seguimento mediano de 36,7 meses. Os resultados demonstraram <strong>melhora clínica significativa</strong>, evidenciada pela redução do escore CCF-FIS de 15,9 para 5,2 (p &lt; 0,0001), além de <strong>alta taxa de satisfação</strong>, com 90% dos pacientes relatando melhora importante. A taxa de progressão para implante definitivo foi elevada (98,5%), enquanto as complicações ocorreram em 14,7% dos casos, sendo em sua maioria manejáveis, e a taxa de remoção do dispositivo foi baixa (2,2%). <strong>Esses achados reforçam a eficácia e a segurança da neuromodulação sacral, destacando sua aplicabilidade mesmo em contextos de países em desenvolvimento</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-complicacoes"><strong>Complicações</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Dor</strong> <strong>no local do implante:</strong> Mais comum no início, mas geralmente transitória.</li>



<li><strong>Infecção</strong>: Tanto no local do implante gerador quanto do eletrodo, podendo requerer explante do sistema, o que é uma complicação grave.</li>



<li><strong>Migração do eletrodo</strong>: Pode levar à perda de eficácia e necessidade de revisão cirúrgica para reposicionamento, um risco que a técnica padronizada busca mitigar.</li>



<li><strong>Falha ou disfunção do dispositivo</strong>: Problemas com a bateria, o cabo ou o próprio gerador ocasionando disfunção do dispositivo como perda da estimulação eficaz, com necessidade de reprogramação e ajuste fino dos parâmetros de estimulação.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dispositivos-disponiveis-no-brasil"><br><strong>Dispositivos Disponíveis no Brasil</strong></h2>



<p>O sistema InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> X (Figura 10) é um neuroestimulador que não necessita de recarga, compatível com ressonância magnética e com vida útil da bateria superior a uma década, podendo atingir até 15 anos em configurações de baixo consumo energético.</p>



<p>InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Micro (Figura 10) é o menor dispositivo de neuromodulação sacral recarregável (NMS) de 1,2 Ω, medindo 2,8ml. Possui duração de bateria aproximada em 15 anos, entretanto necessita recargas semanais. O sistema InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Micro, incluindo o eletrodo de ressonância magnética InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> SureScan<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />, também possui rotulagem aprovada pela FDA para exames de ressonância magnética de corpo inteiro de 1,5 e 3 Tesla.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11229"><img loading="lazy" decoding="async" width="901" height="429" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/InterStim-X-e-InterStim-Micro.png" alt="" class="wp-image-11229" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/InterStim-X-e-InterStim-Micro.png 901w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/InterStim-X-e-InterStim-Micro-300x143.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/InterStim-X-e-InterStim-Micro-768x366.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/InterStim-X-e-InterStim-Micro-585x279.png 585w" sizes="(max-width: 901px) 100vw, 901px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 10.</strong> InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> X e InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Micro, respectivamente. Fonte: Medtronic.</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao"><br><strong>Conclusão</strong></h2>



<p>A <strong>NMS representa uma opção valiosa e estabelecida no arsenal terapêutico para pacientes com incontinência fecal refratária</strong>. O coloproctologista desempenha um papel fundamental na identificação precoce desses pacientes, na otimização dos tratamentos conservadores e no encaminhamento oportuno para a avaliação de NMS.</p>



<p>Uma abordagem multidisciplinar, envolvendo gastroenterologistas, coloproctologistas e urologistas (quando há incontinência urinária associada), é essencial para a seleção criteriosa dos pacientes, a realização bem-sucedida do procedimento, com ênfase na técnica padronizada de implantação e o acompanhamento a longo prazo. Essa colaboração garante resultados favoráveis e uma melhora significativa na qualidade de vida, restaurando a dignidade e a funcionalidade para aqueles que sofrem de IF.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Dawoud C, Reissig L, Müller C, Jahl M, Harpain F, Capek B, et al. Comparison of surgical techniques for optimal lead placement in sacral neuromodulation: a cadaver study. Tech Coloproctol. 2022;26(9):707-712. doi:10.1007/s10151-022-02632-x.</li>



<li>Rome Foundation. Rome V criteria [Internet]. Raleigh (NC): Rome Foundation; [cited 2026 Mar 8]. Available from:&nbsp;<a href="https://theromefoundation.org/rome-iv/rome-v-disorders-of-gut-brain-interaction-5th-edition/">https://theromefoundation.org/rome-iv/rome-v-disorders-of-gut-brain-interaction-5th-edition/</a></li>



<li>Rao SSC, Bharucha AE, Carrington EV, et al. Anorectal disorders. Gastroenterology. 2026;170(6):1318-1346.</li>



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<li>Medtronic. InterStim X system [Internet]. Minneapolis (MN): Medtronic; [cited 2026 Mar 8]. Available from:&nbsp;<a href="https://www.medtronic.com/en-us/healthcare-professionals/products/bladder-bowel/sacral-neuromodulation/neurostimulators/interstim-x-system.html">https://www.medtronic.com/en-us/healthcare-professionals/products/bladder-bowel/sacral-neuromodulation/neurostimulators/interstim-x-system.html</a></li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Pinto RA, Lima AP, Neto IJF, Anjos LAP. Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal: Indicações e Abordagem Técnica – Parte II. Gastropedia 2026, Vol I. Disponível: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11214" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal-indicacoes-e-abordagem-tecnica-parte-2/</a></p>



<p></p>
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		<title>Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal: Indicações e Abordagem Técnica &#8211; Parte I</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Ambar Pinto,&nbsp;Amanda Pereira Lima,&nbsp;Isaac José Felippe Corrêa Neto&nbsp;e&nbsp;Lucas Ambar Pinto Anjos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 10:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Colorretal]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Introdução A incontinência fecal (IF) é uma condição que afeta milhões de pessoas globalmente, com prevalência média de 5-7% da população adulta e aumento significativo com a idade.(1) De acordo&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao"><br><strong>Introdução</strong></h2>



<p>A <strong>incontinência fecal (IF)</strong> é uma condição que afeta milhões de pessoas globalmente, com prevalência média de 5-7% da população adulta e aumento significativo com a idade.<sup>(1)</sup> De acordo com os <strong>critérios de Roma V</strong>, a incontinência fecal é definida pela <strong>perda involuntária recorrente de material fecal em indivíduos com idade superior a 4 anos</strong>, caracterizada pela <strong>ocorrência de pelo menos dois episódios de escape fecal e por, no mínimo, um episódio mensal documentado em diário evacuatório de quatro semanas</strong>. Os critérios <strong>devem estar presentes nos últimos 3 meses</strong>, com início dos sintomas há pelo menos 6 meses.<sup>(2,3)</sup></p>



<p>Embora tratamentos conservadores como modificações dietéticas, agentes antidiarreicos, fisioterapia pélvica e biofeedback sejam a primeira linha de abordagem, uma parcela considerável de pacientes permanece refratária a essas intervenções. Nesses casos, a <strong>neuromodulação sacral (NMS)</strong> a partir do final do século passado (1995) emergiu como uma <strong>opção terapêutica eficaz e minimamente invasiva</strong>, oferecendo melhora significativa nos sintomas e na qualidade de vida.</p>



<p>Diante da falha do tratamento conservador, a esfincteroplastia anal, por alguns anos, foi o único tratamento disponível. Na presença de defeitos esfincterianos envolvendo entre 90° e 180° da circunferência, há indicação do reparo sobreposto do esfíncter. Embora simples em conceito, a técnica cirúrgica não é padronizada e está sujeita a muitas variações, sendo mais complexa tecnicamente em relação à NMS, com risco significativo de infecção local e resultados dependentes em grande parte da experiência do cirurgião. Além disso, a recorrência da IF a longo prazo é frequente.<sup>(4)</sup></p>



<p>Este artigo tem como objetivo fornecer aos médicos gastroenterologistas e cirurgiões uma visão detalhada das indicações, mecanismo de ação e descrição da técnica de implante do NMS, com ênfase na padronização do posicionamento do eletrodo, essencial para otimizar os resultados no tratamento da IF.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mecanismo-de-acao"><br><strong>Mecanismo de Ação</strong></h2>



<p>A <strong>Neuromodulação Sacral atua através da estimulação elétrica dos nervos pudendos</strong>, mais comumente localizados na raiz sacral de S3, mas tendo fibras que podem ser localizadas desde S2 até S4. O mecanismo exato de ação não é completamente elucidado, mas acredita-se que envolva a modulação de vias aferentes e eferentes. O nervo espinhal sacral estimulado contém fibras somatomotoras e somatossensoriais, bem como fibras autonômicas dos nervos pélvicos. O efeito da NMS também não se limita à inervação periférica, mas envolve o sistema nervoso central<sup>(5,6)</sup>, resultando em:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Melhora da Função Esfincteriana:</strong> A estimulação dos nervos sacrais pode levar ao aumento do tônus do esfíncter anal interno (EAI) e à melhora da força e resistência do esfíncter anal externo (EAE) e dos músculos do assoalho pélvico.</li>



<li><strong>Restauração da Sensibilidade Retal: </strong>Muitos pacientes com IF apresentam diminuição da sensibilidade retal, levando à falha em reconhecer a presença das fezes. A NMS pode melhorar a percepção retal, permitindo ao paciente reagir apropriadamente ao conteúdo que atinge o reto distal, chegando ao topo do canal anal.</li>



<li><strong>Modulação da Motilidade Colorretal:</strong> A estimulação sacral pode influenciar a motilidade do cólon e do reto, contribuindo para um padrão de evacuação mais controlado.</li>



<li><strong>Influência Central:</strong> Acredita-se que a NMS modifique a atividade neuronal no córtex cerebral, afetando o processamento central das informações sensoriais e motoras relacionadas à função anorretal. Essa hipótese é sustentada por estudos de atividade neuronal no córtex cerebral, sem e com a atuação da NMS.<sup>(7)</sup></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-indicacoes-para-neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal"><br><strong>Indicações para Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal</strong></h2>



<p>A <strong>principal indicação para NMS é a IF refratária</strong> a outras modalidades de tratamento conservador otimizado, sendo que o paciente deve ter sido submetido e falhado a um curso adequado de terapias conservadoras (dieta, medicamentos e fisioterapia pélvica com biofeedback por pelo menos 3 meses.<sup>(8,9)</sup></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-indicacoes-para-neuromodulacao-sacral-10"><br><strong>Indicações para Neuromodulação Sacral<sup>(10)</sup></strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>IF sem resposta ao tratamento conservador, com ou sem lesão esfincteriana.</li>



<li>Incontinência Fecal Pós-Parto: Em pacientes que não obtiveram sucesso com reparo esfincteriano ou após falha de reparos anteriores.</li>



<li>Incontinência Fecal com Lesões Esfincterianas Parciais.</li>



<li>Incontinência Fecal Associada a Doenças Neurológicas Estáveis: Pacientes com lesões medulares incompletas ou outras neuropatias.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-contraindicacoes"><br><strong>Contraindicações</strong></h2>



<p>A avaliação cuidadosa das contraindicações é tão importante quanto a das indicações para garantir a segurança e a eficácia do tratamento:</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-contraindicacoes-absolutas-6"><br><strong>Contraindicações Absolutas<sup>(6)</sup></strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Distúrbios de coagulação não controlados.</li>



<li>Infecção sistêmica ativa ou no local do implante.</li>



<li>Incapacidade de operar o dispositivo de programação (por limitações cognitivas ou físicas), comprometendo a adesão do paciente ao tratamento.</li>



<li>Grandes defeitos anatômicos corrigíveis (ex: prolapso retal total, grandes lesões esfincterianas que demandam reparo primário).</li>



<li>Trabalhadores em ambientes muito quentes, como operadores de caldeiras ou metalúrgicos.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-contraindicacoes-relativas-6"><br><strong>Contraindicações Relativas<sup>(6)</sup></strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Gravidez<sup>(11)</sup></li>



<li>Distúrbios psiquiátricos graves não controlados, que podem afetar a compreensão do paciente e sua capacidade de gerenciar o dispositivo.</li>



<li>Uso crônico de anticoagulantes, que requer uma avaliação cuidadosa de risco/benefício devido ao risco de sangramento.</li>



<li>Deformidades anatômicas na coluna que prejudiquem o implante do eletrodo.</li>



<li>Expectativa de vida limitada, devendo-se ponderar o benefício da intervenção em relação à longevidade do paciente.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-avaliacao-pre-operatoria-do-paciente"><br><strong>Avaliação Pré-operatória do Paciente</strong></h2>



<p><br><strong>Anamnese</strong>: Investigar a frequência, gravidade <em>[</em>escore de Cleveland Clinic Florida<sup>(12)</sup> <em>– Q</em>uadro 1<em>]</em>, impacto da IF na qualidade de vida (utilizando questionários validados como o FIQL &#8211; <em>Fecal Incontinence Quality of Life</em><sup>(13)</sup> e escala de Bristol<sup>(14)</sup> (Figura 1). É fundamental documentar a falha de tratamentos conservadores otimizados.</p>



<figure class="wp-block-table"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><tbody><tr><td><em><strong>Tipo de Incontinência</strong></em></td><td><em><strong>Frequência</strong></em></td><td></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td></td><td><em><strong>Nunca</strong></em></td><td><em><strong>Raramente</strong></em></td><td><em><strong>Às vezes</strong></em></td><td><em><strong>Usualmente</strong></em></td><td><strong>Sempre</strong></td></tr><tr><td><em><strong>Sólida</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Líquida</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Gases</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Uso de Protetores</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Mudança no estilo de vida</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr></tbody></table></div><figcaption class="wp-element-caption">Quadro 1 – Escore de continência de Cleveland Clinic Florida<br>Pontos: 0 = perfeito 20 = incontinência completa.<br>Nunca = 0 (nunca). Raramente = &lt;1/mês. Às vezes = &lt;1/semana, >1/mês.<br>Frequentemente = &lt;1/dia, >1/semana. Sempre = >1/dia. O escore de continência é determinado somando-se os pontos da tabela acima, que leva em consideração o tipo e a frequência da incontinência, bem como o grau em que ela altera a vida do paciente.<br><em>Adaptado de Jorge et al., 1993<sup>(12)</sup></em></figcaption></figure>



<p></p>



<p></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11206"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="820" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-1024x820.png" alt="" class="wp-image-11206" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-1024x820.png 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-300x240.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-768x615.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-585x469.png 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES.png 1026w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><em><strong>Figura 1 &#8211; Escala de Fezes de Bristol</strong></em><br><em>Modificado de:</em> Lewis SJ, Heaton KW. Stool form scale as a useful guide to intestinal transit time. Scand J Gastroenterol. 1997;32:920–924.<sup>(14)</sup><br></figcaption></figure>



<p><strong>Exame Físico Completo</strong>: Incluindo exame proctológico para avaliar o tônus esfincteriano, reflexos e integridade do assoalho pélvico. A observação da resposta anal durante o exame pode ser um indicativo precoce da capacidade de resposta à estimulação.</p>



<p><strong>Diário de Hábitos Intestinais</strong>: Um registro detalhado de pelo menos 2 semanas é essencial para quantificar a frequência dos episódios de incontinência, sua gravidade e avaliar a resposta às terapias anteriores.</p>



<p><strong>Exames Complementares: </strong>para a indicação de neuroestimulação sacral têm papel secundário, permanecendo como métodos de propedêutica mais relacionados à prognóstico. No entanto, a manometria anorretal e o ultrassom endoanal são rotineiramente indicados com intuito de verificar os níveis pressóricos do canal anal e identificação de eventuais falhas esfincterianas, antes da indicação da NMS.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Manometria Anorretal: </strong>avalia a pressão de repouso e de contração dos esfíncteres do ânus, a sensibilidade retal e os reflexos anorretais.</li>



<li><strong>Ultrassonografia Endoanal: </strong>Identifica possíveis lesões anatômicas do esfíncter anal interno e externo.</li>



<li><strong>Ressonância Magnética Pélvica ou Defecografia: </strong>Podem ser úteis para descartar prolapsos, intussuscepções ou outras anormalidades anatômicas que possam requerer correção cirúrgica antes da NMS.</li>
</ul>



<p><strong>Exclusão de outras causas</strong>: É imperativo descartar causas secundárias de IF como doença inflamatória intestinal ativa, tumores colorretais ou diarreia crônica intratável, que exigem tratamentos específicos. Nesse sentido, a indicação de <strong>exame endoscópico (colonoscopia) é recomendada antes da realização de qualquer tratamento invasivo para a IF</strong>.</p>



<p class="has-text-align-center has-pale-ocean-gradient-background has-background">Na parte 2 deste artigo, serão discutidos os detalhes técnicos da neuromodulação sacral, desde o teste de avaliação até o implante definitivo do sistema.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Dawoud C, Reissig L, Müller C, Jahl M, Harpain F, Capek B, et al. Comparison of surgical techniques for optimal lead placement in sacral neuromodulation: a cadaver study. Tech Coloproctol. 2022;26(9):707-712. doi:10.1007/s10151-022-02632-x.</li>



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<li>Medtronic. InterStim X system [Internet]. Minneapolis (MN): Medtronic; [cited 2026 Mar 8]. Available from: <a href="https://www.medtronic.com/en-us/healthcare-professionals/products/bladder-bowel/sacral-neuromodulation/neurostimulators/interstim-x-system.html">https://www.medtronic.com/en-us/healthcare-professionals/products/bladder-bowel/sacral-neuromodulation/neurostimulators/interstim-x-system.html</a></li>
</ol>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Pinto RA, Lima AP, Neto IJF, Anjos LAP. Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal: Indicações e Abordagem Técnica &#8211; Parte I. Gastropedia 2026, Vol I. Disponível: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11205" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal-indicacoes-e-abordagem-tecnica-parte-i/</a></p>



<p id="h-contraindicacoes-absolutas-6"><br></p>
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		<title>Quiz Obstrução duodenal e pancreatite crônica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maira Marzinotto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 09:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Pâncreas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paciente masculino de 41 anos, etilista e tabagista, e também ex-usuário de cocaína e crack (parou há cerca de 4 meses), já em seguimento por pancreatite crônica alcoólica. Procura o&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Paciente masculino de 41 anos, etilista e tabagista, e também ex-usuário de cocaína e crack (parou há cerca de 4 meses), já em seguimento por pancreatite crônica alcoólica. Procura o ambulatório com quadro de vômitos diários pós alimentares e emagrecimento de 15 Kg nos últimos 3 meses. Negava alteração nas fezes, negava febre ou outros sintomas constitucionais.</p>



<p>Ao exame físico, apresentava-se muito emagrecido, Peso foi de 65,4 Kg para 50,1 Kg. Descorado e um pouco desidratado. Abdome escavado, doloroso a palpação de epigástrio e com hipertimpanismo nesta região.</p>



<p>Encaminhado ao pronto-socorro, onde realizou uma imagem:</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11189"><img loading="lazy" decoding="async" width="512" height="778" data-id="11189" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-1-Quiz-Obstrucao-duodenal-e-pancreatite-cronica.jpg" alt="" class="wp-image-11189" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-1-Quiz-Obstrucao-duodenal-e-pancreatite-cronica.jpg?v=1779221154 512w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-1-Quiz-Obstrucao-duodenal-e-pancreatite-cronica-197x300.jpg?v=1779221154 197w" sizes="(max-width: 512px) 100vw, 512px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11188"><img loading="lazy" decoding="async" width="512" height="512" data-id="11188" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Quiz-Obstrucao-duodenal-e-pancreatite-cronica.jpg" alt="" class="wp-image-11188" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Quiz-Obstrucao-duodenal-e-pancreatite-cronica.jpg?v=1779221151 512w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Quiz-Obstrucao-duodenal-e-pancreatite-cronica-300x300.jpg?v=1779221151 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Quiz-Obstrucao-duodenal-e-pancreatite-cronica-150x150.jpg?v=1779221151 150w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Quiz-Obstrucao-duodenal-e-pancreatite-cronica-70x70.jpg?v=1779221151 70w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Quiz-Obstrucao-duodenal-e-pancreatite-cronica-330x330.jpg?v=1779221151 330w" sizes="(max-width: 512px) 100vw, 512px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 2</figcaption></figure>
</figure>



<p><strong>Figura 1:</strong> Pâncreas com atrofia parenquimatosa difusa, atenuação heterogênea com múltiplos cálculos calcificados no ducto pancreático principal em toda a sua extensão e em ductos secundários.</p>



<p><strong>Figura 2:</strong> (Pancreatite crônica calcificante). Densificação dos planos entre a segunda porção do duodeno e a cabeça do pâncreas, identificando-se acentuado afilamento da segunda porção duodenal, completamente envolto por extensão do processo inflamatório crônico pancreático, caracterizando-se 2 pseudocistos com cerca de 3,0 cm cada situados um deles na intimidade da parede lateral e o outro na intimidade da parede medial da segunda porção duodenal. Há uma comunicação entre esses dois pseudocistos nas suas porções mais inferiores. Tal extensão do processo inflamatório com o afilamento duodenal tem características de cronicidade demonstrada particularmente pelo acentuado &#8220;alongamento&#8221; do estômago com distensão e acúmulo de resíduos alimentares.</p>




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<p><br>Foi internado para hidratação e controle dos sintomas. Durante a internação realizou uma endoscopia digestiva alta devido a vômitos persistentes e programação de passagem de sonda naso-entérica &#8211; necessitou de 3 dias de dieta líquida com passagem de sonda de Fouchet antes do procedimento. Teve os seguintes achados:</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11256"><img loading="lazy" decoding="async" width="981" height="375" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Bulbo-duodenal.jpeg" alt="" class="wp-image-11256" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Bulbo-duodenal.jpeg?v=1780011570 981w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Bulbo-duodenal-300x115.jpeg?v=1780011570 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Bulbo-duodenal-768x294.jpeg?v=1780011570 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Bulbo-duodenal-585x224.jpeg?v=1780011570 585w" sizes="(max-width: 981px) 100vw, 981px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Nota-se bulbo duodenal deformado, com compressão extrínseca e retrações cicatriciais que geram importante angulação e subestenose, permitindo a passagem do aparelho convencional (9.8mm) com dificuldade até a segunda porção duodenal. Mucosa de bulbo e segunda porção duodenal íntegra, em área de subestenose ausência de lesões infiltrativos ou de aspecto neoplásico.</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-discussao"><br><strong>Discussão</strong></h2>



<p>Esse é um caso de provável Pancreatite do Sulco Pancreato-duodenal ou Groove Pancreatitis: uma forma caprichosa de pancreatite crônica que envolve o sulco pancreato-duodenal, e pode acometer duodeno, cabeça pancreática e colédoco. É mais comum em homens, entre a 4a e 5a década de vida, e se relaciona com o abuso de álcool e tabaco.</p>



<p>A fisiopatologia é pouco compreendida ainda hoje. O acometimento envolve a hiperplasia das glândulas de Brunner (glândulas localizadas nessa região do sulco), gerando inflamação e fibrose. Esse processo inflamatório pode extravasar para a parede duodenal e gerar um quadro de obstrução intestinal, além de poder acometer a cabeça do pâncreas e o colédoco distal, promovendo obstrução biliar e colestase.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11257"><img loading="lazy" decoding="async" width="521" height="364" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-quiz-discussao.png" alt="" class="wp-image-11257" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-quiz-discussao.png 521w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-quiz-discussao-300x210.png 300w" sizes="(max-width: 521px) 100vw, 521px" /></a></figure>
</div>


<p></p>



<p>O quadro clínico mais típico é dor abdominal associada a náuseas e vômitos, decorrentes do acometimento duodenal, podendo evoluir com perda de peso. Em alguns casos, pode haver icterícia se houver extensão para região do colédoco distal. O diagnóstico diferencial envolve a exclusão de neoplasias da região periampular e as neoplasias bilio-pancreáticas, que podem mimetizar a <em>groove pancreatitis</em>.</p>



<p>O diagnóstico é realizado através de exames de imagem, como tomografia de abdome e ressonância de abdome, associados a exames endoscópicos, com Endoscopia Digestiva Alta (para retirada de fragmentos de biópsias). A Ecoendoscopia Alta pode trazer mais informações e permite a punção e esvaziamento das glândulas de Brunner, o que pode amenizar os sintomas obstrutivos.</p>



<p>O tratamento pode ser manejo conservador de sintomas e orientação para cessação de tabagismo e etilismo. Se os sintomas forem muito intensos, porém, são necessárias intervenções, que podem ser endoscópicas ou cirúrgicas, e que iremos dissecar melhor no próximo post! Não perca!</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Dahiya DS, Shah YR, Canakis A, Parikh C, Chandan S, Ali H, Gangwani MK, Pinnam BSM, Singh S, Sohail AH, Patel R, Ramai D, Al-Haddad M, Baron T, Rastogi A. Groove pancreatitis: From enigma to future directions-A comprehensive review. J Gastroenterol Hepatol. 2024 Nov;39(11):2260-2271. doi: 10.1111/jgh.16683.</li>



<li>Arora A, Rajesh S, Mukund A, Patidar Y, Thapar S, Arora A, Bhatia V. Clinicoradiological appraisal of &#8216;paraduodenal pancreatitis&#8217;: Pancreatitis outside the pancreas!<br>Indian J Radiol Imaging. 2015 Jul-Sep;25(3):303-14. doi: 10.4103/0971-3026.</li>
</ol>



<p></p>
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		<title>O papel da IL-23 na fisiopatologia e como alvo terapêutico das Doenças Inflamatórias Intestinais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Diogo Delgado Dotta]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 10:16:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Introdução A interleucina-23 (IL-23) constitui um dos principais eixos envolvidos na patogênese das doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e retocolite ulcerativa), juntamente com o TNF-α. Produzida principalmente por células&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao"><br><strong>Introdução</strong></h2>



<p>A <strong>interleucina-23 (IL-23)</strong> constitui um dos principais eixos envolvidos na patogênese das doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e retocolite ulcerativa), juntamente com o TNF-α. Produzida principalmente por células dendríticas e macrófagos, <strong>a IL-23 é uma citocina heterodimérica formada pela subunidade p19, exclusiva da IL-23, e pela subunidade p40, compartilhada com a IL-12</strong>.</p>



<p>Em condições homeostáticas, baixos níveis de IL-23 exercem funções protetoras ao estimular a produção de IL-17 e IL-22, citocinas que promovem a secreção de mucina e peptídeos antimicrobianos, contribuindo para a manutenção da integridade da barreira epitelial intestinal. Entretanto, <strong>em cenários de inflamação crônica, a superprodução de IL-23 </strong>(devido à desregulação desse eixo) <strong>desencadeia múltiplos mecanismos patogênicos</strong>. A citocina se liga ao complexo receptor IL-23R nas células T, promovendo a ativação de células que expressam marcadores tanto de Th1 quanto de Th17. Simultaneamente, a IL-23&nbsp;inibe a diferenciação&nbsp;de células T reguladoras Foxp3-positivas e células T produtoras de IL-10, criando um desequilíbrio entre células T pró-inflamatórias e anti-inflamatórias na parede intestinal.&nbsp;Este desequilíbrio resulta em dano epitelial significativo, permitindo a translocação da microbiota luminal para a lâmina própria subjacente, exacerbando ainda mais a inflamação.</p>



<p>Os <strong>inibidores seletivos da IL-23</strong> representam uma classe mais recente de terapias biológicas aprovadas para o tratamento das doenças inflamatórias intestinais moderadas a graves. Estes agentes <strong>diferem do ustequinumabe</strong>, inibidor de <strong>IL-12/23</strong>, que já fora aprovado em 2016 para doença de Crohn e em 2019 para a retocolite ulcerativa. Enquanto o mecanismo do ustequinumabe consiste no bloqueio da subunidade p40, comum às duas interleucinas (12 e 23), os <strong>inibidores seletivos atuam bloqueando seletivamente a subunidade p19 da IL-23</strong>, promovendo uma inibição mais direcionada dessa via inflamatória. Embora compartilhem o mesmo alvo terapêutico central, essas moléculas apresentam particularidades farmacológicas e clínicas próprias (vide Tabela 1).</p>



<p></p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Tabela 1:</strong> Posologia dos inibidores de IL-23 para doença de Crohn e retocolite ulcerativa. EV:<br>endovenoso; SC: subcutâneo.</p>



<figure class="wp-block-table is-style-regular"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><thead><tr><th>Medicação</th><th>Guselcumabe</th><th>Risanquizumabe</th><th>Mirikizumabe</th></tr></thead><tbody><tr><td>Estrutura molecular</td><td>Anti-p19 IgG1 com fração Fc nativa (liga CD64 em monócitos)</td><td>Anti-p19 IgG1</td><td>Anti-p19 IgG4-variante</td></tr><tr><td>Posologia na indução</td><td>Doença de Crohn: 200 mg EV nas semanas 0, 4 e 8 ou 400 mg SC nas semanas 0, 4 e 8.<br><br>Retocolite ulcerativa: 200 mg EV nas semanas 0, 4, 8</td><td>Doença de Crohn:<br>600 mg EV nas semanas 0, 4 e 8.<br><br>Retocolite ulcerativa:<br>1200 mg EV nas semanas 0, 4 e 8.</td><td>Doença de Crohn: 900 mg EV semanas 0, 4 e 8.<br><br>Retocolite ulcerativa: 300 mg EV semanas 0, 4 e 8.</td></tr><tr><td>Posologia na manutenção</td><td>Doença de Crohn: 100 mg SC a partir da semana 16 e posteriormente a cada 8 semanas ou 200 mg SC na semana 12 e posteriormente a cada 4 semanas.<br><br>Retocolite ulcerativa: 100 mg SC a partir da semana 16 e posteriormente a cada 8 semanas ou 200 mg SC na semana 12 e posteriormente a cada 4 semanas.</td><td>Doença de Crohn: 360 mg SC a cada 8 semanas a partir da semana 12.<br><br>Retocolite ulcerativa: 180 mg SC a cada 8 semanas a partir da semana 12.</td><td>Doença de Crohn: 300 mg SC a cada 4 semanas (uma caneta de 100 mg + uma caneta de 200 mg), a partir da semana 12.<br><br>Retocolite ulcerativa: 200 mg SC a cada 4 semanas, a partir da semana 12.</td></tr></tbody></table></div></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-risanquizumabe"><br><strong>Risanquizumabe</strong></h2>



<p>O risanquizumabe é um anticorpo monoclonal anti-p19 da IL-23.</p>



<p>Na doença de Crohn, seus principais estudos pivotais foram os ensaios de indução <strong>ADVANCE</strong> e <strong>MOTIVATE</strong>, seguidos pelo estudo de manutenção <strong>FORTIFY</strong>.</p>



<p>Nos estudos ADVANCE e MOTIVATE, pacientes com doença de Crohn moderada a grave receberam risanquizumabe intravenoso nas semanas 0, 4 e 8. No <strong>ADVANCE</strong>, a <strong>remissão clínica na semana 12 foi alcançada por 45% dos pacientes com risanquizumabe 600 mg e 42% com 1200 mg</strong>, contra 25% no grupo placebo. A r<strong>esposta endoscópica foi de 40% e 32%, respectivamente, contra 12% com placebo</strong>. No <strong>MOTIVATE</strong>, população composta por pacientes com falha ou intolerância a biológicos, a <strong>remissão clínica foi de 42% com 600 mg e 40% com 1200 mg</strong>, contra 20% com placebo; a r<strong>esposta endoscópica foi de 29% e 34%</strong>, contra 11% com placebo.</p>



<p>Na manutenção, o estudo <strong>FORTIFY</strong> avaliou o risanquizumabe subcutâneo em pacientes que haviam respondido à indução. <strong>Na semana 52, a remissão clínica foi observada em 55% dos pacientes com 180 mg e 52% com 360 mg</strong>, contra 41% no grupo placebo/retirada. A <strong>resposta endoscópica foi de 47% em ambos os grupos de risanquizumabe</strong>, contra 22% no grupo placebo.</p>



<p>Na retocolite ulcerativa, os estudos pivotais foram <strong>INSPIRE</strong>, para indução, e <strong>COMMAND</strong>, para manutenção. No estudo de indução, <strong>risanquizumabe 1200 mg intravenoso alcançou remissão clínica na semana 12 em 20,3% dos pacientes</strong>, contra 6,2% com placebo. <strong>Na manutenção, a remissão clínica na semana 52 foi de 40,2% com 180 mg e 37,6% com 360 mg</strong>, contra 25,1% com placebo.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-guselcumabe"><br><strong>Guselcumabe</strong></h2>



<p>Na retocolite ulcerativa, o principal programa pivotal é o <strong>QUASAR</strong>. No estudo de manutenção, a <strong>remissão clínica na semana 44 foi alcançada por 45,2% dos pacientes tratados com guselcumabe 100 mg a cada 8 semanas e por 50,0% dos pacientes com 200 mg a cada 4 semanas</strong>, contra 18,9% no grupo placebo.</p>



<p>Na doença de Crohn, os estudos <strong>GALAXI-2</strong> e <strong>GALAXI-3</strong> avaliaram o guselcumabe em pacientes com doença moderada a grave. Dados do programa mostraram superioridade em relação ao placebo para resposta clínica na semana 12 e remissão clínica na semana 48. Em resultados apresentados do programa, a <strong>remissão clínica na semana 48 foi de 60,0% com guselcumabe 100 mg a cada 8 semanas e 66,1% com 200 mg a cada 4 semanas</strong>, contra 17,1% com placebo. A <strong>resposta endoscópica foi de 44,3% e 51,3%, respectivamente</strong>, contra 6,8% no grupo placebo.</p>



<p>Além disso, os estudos GALAXI demonstraram eficácia consistente do guselcumabe em desfechos clínicos e endoscópicos na doença de Crohn. Em paralelo, o estudo SEQUENCE mostrou superioridade do risanquizumabe em relação ao ustequinumabe em desfechos endoscópicos, reforçando a hipótese de que o bloqueio seletivo da subunidade p19 da IL-23 possa ser mais potente do que o bloqueio combinado de IL-12/23 em determinados cenários clínicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mirikizumabe"><br><strong>Mirikizumabe</strong></h2>



<p>O mirikizumabe é outro anticorpo monoclonal anti-p19 da IL-23, com dados particularmente relevantes em retocolite ulcerativa. Seus estudos pivotais foram <strong>LUCENT-1</strong>, para indução, e <strong>LUCENT-2</strong>, para manutenção. No LUCENT-1, a remissão clínica na semana 12 foi alcançada por 24,2% dos pacientes tratados com mirikizumabe, contra 13,3% com placebo. No LUCENT-2, entre os respondedores à indução, a remissão clínica na semana 40 de manutenção foi de 49,9% com mirikizumabe, contra 25,1% com placebo.</p>



<p>Um diferencial do mirikizumabe nos estudos de retocolite ulcerativa foi a avaliação da urgência evacuatória, sintoma de grande impacto na qualidade de vida dos pacientes. Além dos desfechos tradicionais de remissão clínica e endoscópica, o programa LUCENT demonstrou melhora significativa da urgência intestinal, o que torna essa medicação particularmente interessante em pacientes nos quais esse sintoma é dominante.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Tabela 2:</strong> Resumo prático do estudos pivotais de inibidores de IL-23 nas doenças inflamatórias<br>intestinais.</p>



<figure class="wp-block-table"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><thead><tr><th><strong>Medicação</strong></th><th><strong>Doença</strong></th><th><strong>Estudos pivotais</strong></th><th><strong>Principais resultados</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td><strong>Risanquizumabe</strong></td><td>Doença de Crohn</td><td>ADVANCE, MOTIVATE, FORTIFY</td><td>Indução:<br>&#8211; Remissão clínica 40–45% vs 20–25% placebo<br>&#8211; Resposta endoscópica 29–40% vs 11–12% placebo <br><br>Manutenção<br>&#8211; Remissão clínica 52–55% vs 41%<br>&#8211; Resposta endoscópica 47% vs 22%.</td></tr><tr><td><strong>Risanquizumabe</strong></td><td>Retocolite ulcerativa</td><td>INSPIRE, COMMAND</td><td>Indução<br>&#8211; Remissão clínica 20,3% vs 6,2%. <br><br>Manutenção:<br>&#8211; 40,2% com 180 mg e 37,6% com 360 mg vs 25,1%.</td></tr><tr><td><strong>Guselcumabe</strong></td><td>Retocolite ulcerativa</td><td>QUASAR</td><td>Manutenção<br>&#8211; Remissão clínica 45,2% com 100 mg q8w e 50,0% com 200 mg q4w vs 18,9%.</td></tr><tr><td><strong>Guselcumabe</strong></td><td>Doença de Crohn</td><td>GALAXI-2, GALAXI-3</td><td>Semana 48<br>&#8211; Remissão clínica 60,0–66,1% vs 17,1%; &#8211; &#8211; Resposta endoscópica 44,3–51,3% vs 6,8%</td></tr><tr><td><strong>Mirikizumabe</strong></td><td>Retocolite ulcerativa</td><td>LUCENT-1, LUCENT-2</td><td>Indução<br>&#8211; Remissão clínica 24,2% vs 13,3%. <br><br>Manutenção<br>&#8211; 49,9% vs 25,1%.</td></tr></tbody></table></div></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao"><br><strong>Conclusão</strong></h2>



<p>Os inibidores seletivos da IL-23 mudaram o cenário terapêutico das doenças inflamatórias intestinais. A seletividade para a subunidade p19 permite bloqueio mais direcionado de uma via central da inflamação intestinal, com eficácia consistente em indução e manutenção, melhora de desfechos endoscópicos e perfil de segurança favorável. Esta classe vem se consolidando como opções de <strong>primeira ou segunda linha</strong> no tratamento da <strong>doença de Crohn e da retocolite ulcerativa moderadas a graves</strong>. Seu perfil é especialmente atrativo em pacientes com <strong>falha prévia aos anti-TNF</strong>, mas os dados atuais também sustentam seu uso precoce em pacientes selecionados, inclusive virgens de biológicos. O futuro do tratamento das DII provavelmente envolverá não apenas a escolha entre classes terapêuticas, mas a seleção personalizada do melhor alvo imunológico para cada perfil de paciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Ahern PP, Izcue A, Maloy KJ, Powrie F. Review. The interleukin‐23 axis in intestinal inflammation. Immunological Reviews. 2008.</li>



<li>Lichtenstein GR, Loftus EV, Afzali A, et al. ACG Clinical Guideline: Management of Crohn&#8217;s Disease in Adults. The American Journal of Gastroenterology. 2025.</li>



<li>Rubin DT, Ananthakrishnan AN, Siegel CA, Barnes EL, Long MD. ACG Clinical Guideline Update: Ulcerative Colitis in Adults. The American Journal of Gastroenterology. 2025.</li>



<li>The New England Journal of Medicine. 2021. Baumgart DC, Le Berre C. Newer Biologic and Small-Molecule Therapies for Inflammatory Bowel Disease. The New England Journal of Medicine. 2021.</li>



<li>Costa C, Noor NM, Estevinho MM. Beyond Tumor Necrosis Factor and Interleukin-12/­23: The Rise of Interleukin-23 Inhibitors in Inflammatory Bowel Disease Management. Current Opinion in Pharmacology. 2025.</li>



<li>Puca P, Parello S, Colantuono S, et al.Interleukin-23 Inhibitors in Inflammatory Bowel Disease. BioDrugs : Clinical Immunotherapeutics, Biopharmaceuticals and Gene Therapy. 2026.</li>



<li>Ananthakrishnan AN, Murad MH, Scott FI, et al.Comparative Efficacy of Advanced Therapies for Management of Moderate-to-Severe Ulcerative Colitis: 2024 American Gastroenterological Association Evidence Synthesis.</li>



<li>Scott FI, Ananthakrishnan AN, Click B, et al. AGA Living Clinical Practice Guideline on the Pharmacologic Management of Moderate-to-Severe Crohn&#8217;s Disease. Gastroenterology. 2025.</li>



<li>Gottlieb ZS, Sands BE. Personalised Medicine With IL-23 Blockers: Myth or Reality? Journal of Crohn&#8217;s &amp; Colitis. 2022.</li>



<li>Neurath MF. Strategies for targeting cytokines in inflammatory bowel disease. Nat Rev Immunol. 2024.</li>



<li>D&#8217;Haens G, Panaccione R, Baert F, et al. Risankizumab as Induction Therapy for Crohn&#8217;s Disease: Results From the Phase 3 ADVANCE and MOTIVATE Induction Trials. Lancet. 2022.</li>



<li>Efficacy and Safety of Intravenous Induction and Subcutaneous Maintenance Therapy With Guselkumab for Patients With Crohn&#8217;s Disease (GALAXI-2 and GALAXI-3): 48-Week Results From Two Phase 3, Randomised, Placebo and Active Comparator-Controlled, Double-Blind, Triple-Dummy Trials. Lancet. 2025. Panaccione R, Feagan BG, Afzali A, et al.</li>



<li>Rubin D, Allegretti J, Panés J et al. Guselkumab in patients with moderately to severely active ulcerative colitis (QUASAR): phase 3 double-blind, randomised, placebo-controlled induction and maintenance studies The Lancet, 2024.</li>



<li>Panaccione R, Louis E, Colombel JF, D&#8217;Haens G et al. Risankizumab efficacy and safety based on prior inadequate response or intolerance to advanced therapy: post hoc analysis of the INSPIRE and COMMAND phase 3 studies. J Crohns Colitis. 2025.</li>



<li>Ferrante M, Panaccione R, Baert F, Bossuyt P, Colombel JF, Danese S et al. Risankizumab as maintenance therapy for moderately to severely active Crohn&#8217;s disease: results from the multicentre, randomised, double-blind, placebo-controlled, withdrawal phase 3 FORTIFY maintenance trial. Lancet. 2022.</li>



<li>Amador WFO, Vitor IC, Tomé MR, Dotta DD, Motta RV. Effectiveness and safety of selective IL-12/23 receptor antagonists in moderate to severe ulcerative colitis: a systematic review, meta-analysis and trial sequential analysis, Arq Gastroenterol. 2025.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Dotta DD, O papel da IL-23 na fisiopatologia e como alvo terapêutico das Doenças Inflamatórias Intestinais. Gastropedia 2026, Vol I. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11180" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/o-papel-da-il-23-na-fisiopatologia-e-como-alvo-terapeutico-das-doencas-inflamatorias-intestinais/</a></p>



<p></p>
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		<title>Transplante de microbiota fecal: indicações atuais e futuro das terapias baseadas em microbioma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Davi Viana Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O interesse científico pela microbiota intestinal cresceu substancialmente nos últimos anos. Antes compreendida apenas como um conjunto de microrganismos residentes do trato gastrointestinal, a microbiota passou a ser considerada um&#8230;</p>
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</div>


<p>O interesse científico pela <strong>microbiota intestinal</strong> cresceu substancialmente nos últimos anos. Antes compreendida apenas como um conjunto de microrganismos residentes do trato gastrointestinal, a microbiota passou a ser considerada um verdadeiro <strong>“órgão metabólico”</strong>, capaz de influenciar <strong>funções imunológicas, inflamatórias, metabólicas e até neurológicas.</strong></p>



<p>Nesse contexto, o <strong>transplante de microbiota fecal (TMF)</strong> surgiu como uma das principais estratégias de modulação do microbioma intestinal. Embora inicialmente desenvolvido para tratamento da infecção recorrente por <em><strong>Clostridioides difficile</strong></em> (CDI), o TMF passou a ser investigado em diferentes cenários clínicos, acompanhando a expansão do conhecimento sobre disbiose intestinal e doenças mediadas pelo microbioma.</p>



<p>Mais recentemente, o procedimento evoluiu para uma terapia progressivamente padronizada, incorporando bancos de microbiota, formulações encapsuladas e produtos derivados de microbiota para terapias baseadas no microbioma.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tmf-na-infeccao-recorrente-por-clostridioides-difficile"><br><strong>TMF na infecção recorrente por <em>Clostridioides difficile</em></strong></h2>



<p>A <strong>principal indicação do transplante de microbiota fecal continua sendo a infecção recorrente por <em>Clostridioides difficile </em>(CDI)</strong>. Mesmo com o avanço de novos antibióticos, como a fidaxomicina, as recorrências ainda representam um grande desafio clínico, especialmente em idosos, pacientes imunossuprimidos e indivíduos expostos repetidamente a antibióticos.</p>



<p>Nesses casos, o TMF apresenta taxas de sucesso superiores a 80–90%, com restauração rápida da diversidade bacteriana intestinal e redução importante das recorrências. As diretrizes mais recentes mantêm o TMF como terapia recomendada principalmente após <strong>múltiplas recorrências</strong> da CDI, sobretudo quando há falha terapêutica convencional.</p>



<p>Além da elevada eficácia, estudos recentes demonstram redução de hospitalizações, menor necessidade de antibióticos prolongados e melhora significativa da qualidade de vida desses pacientes.</p>



<p class="has-text-align-center"><strong>Figura 1. </strong>Papel do transplante de microbiota fecal (TMF) na restauração da eubiose intestinal e prevenção de recorrências por <em>Clostridioides difficile</em>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11174"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="669" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/FIGURA-2-Transplante-de-microbiota-fecal-1024x669.jpg" alt="" class="wp-image-11174" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/FIGURA-2-Transplante-de-microbiota-fecal-1024x669.jpg?v=1779199324 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/FIGURA-2-Transplante-de-microbiota-fecal-300x196.jpg?v=1779199324 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/FIGURA-2-Transplante-de-microbiota-fecal-768x502.jpg?v=1779199324 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/FIGURA-2-Transplante-de-microbiota-fecal-1170x764.jpg?v=1779199324 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/FIGURA-2-Transplante-de-microbiota-fecal-585x382.jpg?v=1779199324 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/FIGURA-2-Transplante-de-microbiota-fecal-1080x706.jpg?v=1779199324 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/FIGURA-2-Transplante-de-microbiota-fecal.jpg?v=1779199324 1517w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading" id="h-evolucao-tecnica-e-padronizacao-do-tmf"><br><strong>Evolução técnica e padronização do TMF</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-da-preparacao-artesanal-aos-bancos-de-microbiota"><br><strong>Da preparação artesanal aos bancos de microbiota</strong></h3>



<p>Historicamente, o TMF era realizado a partir da coleta recente de fezes de um doador saudável, seguida de preparo manual e infusão por colonoscopia, sonda enteral ou enema.</p>



<p>Atualmente, muitos centros utilizam <strong>bancos de microbiota</strong> com protocolos rigorosos de triagem clínica, rastreamento infeccioso, processamento e armazenamento do material biológico. Essa padronização permitiu maior segurança microbiológica, rastreabilidade e reprodutibilidade dos resultados.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-capsulas-orais-de-microbiota-fecal"><br><strong>Cápsulas orais de microbiota fecal</strong></h3>



<p>Outra mudança importante foi o desenvolvimento de cápsulas orais contendo microbiota processada e congelada.</p>



<p>Essas formulações permitem <strong>administração menos invasiva</strong>, com maior aceitabilidade pelo paciente e potencial ampliação do acesso ao tratamento. Estudos comparativos demonstraram eficácia semelhante entre cápsulas orais e administração por colonoscopia em pacientes selecionados com CDI recorrente.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-produtos-derivados-de-microbiota"><br><strong>Produtos derivados de microbiota</strong></h3>



<p>Nos últimos anos, produtos industrializados derivados de microbiota passaram a receber aprovação regulatória em alguns países, particularmente nos Estados Unidos.</p>



<p>Essas formulações utilizam microbiota padronizada e representam uma transição conceitual importante: o campo começa gradualmente a migrar do “transplante fecal” para <strong>terapias farmacológicas baseadas em microbioma.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-seguranca-e-selecao-de-doadores"><br><strong>Segurança e seleção de doadores</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-por-que-os-protocolos-ficaram-mais-rigorosos"><br><strong>Por que os protocolos ficaram mais rigorosos?</strong></h3>



<p>Apesar dos excelentes resultados clínicos, a segurança do TMF passou a receber atenção crescente após relatos raros de transmissão de bactérias multirresistentes e potenciais patógenos infecciosos.</p>



<p>Posteriormente, a pandemia de COVID-19 ampliou a preocupação em relação à transmissão fecal de agentes infecciosos, levando agências regulatórias a reforçarem protocolos de triagem e processamento.</p>



<p>Atualmente, o <em>screening</em> do doador envolve investigação clínica minuciosa, avaliação epidemiológica, extensa testagem laboratorial para doenças infecciosas e exclusão de condições associadas à disbiose.</p>



<p>Entre os fatores que frequentemente contraindicam a doação destacam-se:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>uso recente de antibióticos;</li>



<li>doenças autoimunes ou inflamatórias;</li>



<li>obesidade significativa;</li>



<li>doenças metabólicas;</li>



<li>sintomas gastrointestinais crônicos;</li>



<li>fatores de risco para infecções transmissíveis.</li>
</ul>



<p>Além disso, a utilização de material congelado proveniente de bancos de microbiota permitiu maior <strong>controle microbiológico</strong> e <strong>rastreabilidade do processo</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tmf-alem-da-cdi-quais-sao-as-perspectivas-atuais"><br><strong>TMF além da CDI: quais são as perspectivas atuais?</strong></h2>



<p>O sucesso observado na CDI estimulou o estudo do TMF em diferentes doenças associadas à disbiose intestinal. Entretanto, fora desse contexto, os resultados ainda permanecem heterogêneos e predominantemente experimentais.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-doenca-inflamatoria-intestinal"><br><strong>Doença inflamatória intestinal</strong></h3>



<p>Na retocolite ulcerativa, alguns estudos demonstraram <strong>indução de remissão clínica e endoscópica</strong><br>após TMF. Contudo, persistem importantes limitações relacionadas à heterogeneidade metodológica, variabilidade dos doadores e ausência de protocolos padronizados.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-sindrome-do-intestino-irritavel"><br><strong>Síndrome do intestino irritável</strong></h3>



<p>Embora existam trabalhos sugerindo <strong>melhora sintomática</strong> em subgrupos específicos, a <strong>evidência atual ainda é insuficiente </strong>para recomendação rotineira.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-encefalopatia-hepatica"><br><strong>Encefalopatia hepática</strong></h3>



<p>Estudos preliminares sugerem potencial benefício na <strong>redução de hospitalizações e melhora cognitiva</strong> em pacientes com encefalopatia hepática recorrente, possivelmente por modulação do eixo intestino-fígado.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-doencas-metabolicas-e-neurologicas"><br><strong>Doenças metabólicas e neurológicas</strong></h3>



<p>Obesidade, síndrome metabólica, doença de Parkinson e transtorno do espectro autista também vêm sendo investigados. Entretanto, os resultados permanecem inconsistentes e sem aplicação clínica estabelecida até o momento.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-microbiota-e-imunoterapia-oncologica"><br><strong>Microbiota e imunoterapia oncológica</strong></h3>



<p>Uma das áreas mais promissoras envolve a interação entre microbiota intestinal e resposta à imunoterapia. Estudos recentes sugerem que a modulação do microbioma pode aumentar a resposta a imunoterápicos em determinados tipos de câncer, particularmente melanoma refratário. Apesar do grande interesse científico, o uso clínico ainda permanece restrito a protocolos de pesquisa.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-futuro-das-terapias-baseadas-em-microbioma"><br><strong>O futuro das terapias baseadas em microbioma</strong></h2>



<p>Provavelmente o maior impacto do TMF tenha sido consolidar o microbioma intestinal como alvo terapêutico relevante na prática clínica.</p>



<p>A tendência atual é que, no futuro, as terapias deixem de utilizar fezes humanas integralmente e passem a empregar bactérias específicas, cepas selecionadas e formulações padronizadas conforme cada doença.</p>



<p>Além disso, o microbioma desponta como potencial ferramenta de <strong>medicina personalizada</strong>, com possível aplicação futura na predição de resposta terapêutica, estratificação prognóstica e até desenvolvimento de doenças metabólicas e inflamatórias.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-consideracoes-finais"><br><strong>Considerações finais</strong></h2>



<p>O transplante de microbiota fecal deixa de ocupar posição marginal dentro da gastroenterologia e passa a integrar um campo cada vez mais amplo de <strong>terapias baseadas em microbiomas.</strong></p>



<p>Embora a principal indicação continue sendo a infecção recorrente por <em>Clostridioides difficile</em>, os avanços recentes em <strong>padronização, segurança microbiológica e biotecnologia</strong> vêm redefinindo o papel do TMF na prática clínica contemporânea.</p>



<p>Mais do que transplante de fezes, estamos provavelmente testemunhando o nascimento de uma nova geração de terapias baseadas no microbioma intestinal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Durack J, Lynch SV. The gut microbiome: Relationships with disease and opportunities for therapy. J Exp Med. 2019.</li>



<li>Peery AF, et al. AGA Clinical Practice Guideline on Fecal Microbiota-Based Therapies for Select Gastrointestinal Diseases. Gastroenterology. 2024</li>



<li>McDonald LC, et al. Clinical Practice Guidelines for Clostridium difficile Infection in Adults and Children: 2017</li>



<li>van Nood E, et al. Duodenal infusion of donor feces for recurrent Clostridium difficile. N Engl J Med. 2013.</li>



<li>Kao D, et al. Effect of Oral Capsule- vs Colonoscopy-Delivered Fecal Microbiota Transplantation on Recurrent Clostridium difficile Infection. JAMA. 2017.</li>



<li>U.S. Food and Drug Administration (FDA). Safety Alerts Regarding Use of Fecal Microbiota for Transplantation. Disponível em: <a href="https://www.fda.gov/vaccines-blood-biologics/safety-availability-biologics/safety-alert-regarding-use-fecal-microbiota-transplantation-and-risk-serious-adverse-events-likely"><u>https://www.fda.gov/vaccines-blood-biologics/safety-availability-biologics/safety-alert-regarding-use-fecal-microbiota-transplantation-and-risk-serious-adverse-events-likely</u></a></li>



<li>Baruch EN, et al. Fecal microbiota transplant promotes response in immunotherapy-refractory melanoma patients. Science. 2021.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Ramos DV, Transplante de microbiota fecal: indicações atuais e futuro das terapias baseadas em microbioma. Gastropedia 2026, Vol I. Disponível em:&nbsp;<a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11172" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/transplante-de-microbiota-fecal-indicacoes-atuais-e-futuro-das-terapias-baseadas-em-microbioma/</a></p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Amiloidose Intestinal: um diagnóstico diferencial importante, mas raramente lembrado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lohrane Rosa Bayma]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Palavras-chave: Amiloidose intestinal Por que este tema é relevante? A amiloidose intestinal é uma causa incomum, porém clinicamente relevante, de sintomas gastrointestinais crônicos, perda ponderal, dismotilidade e sangramento digestivo. Sua&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Palavras-chave: Amiloidose intestinal</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-por-que-este-tema-e-relevante"><br><strong>Por que este tema é relevante?</strong></h2>



<p>A amiloidose intestinal é uma causa incomum, porém clinicamente relevante, de sintomas gastrointestinais crônicos, perda ponderal, dismotilidade e sangramento digestivo. Sua apresentação frequentemente mimetiza doenças mais prevalentes, o que contribui para atrasos diagnósticos e prolonga a trajetória dos pacientes até o reconhecimento da doença.</p>



<p>Deve-se fazer uma investigação assertiva para descartar outras doenças como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Doença inflamatória intestinal</li>



<li>Síndrome do intestino irritável</li>



<li>Gastroparesia / dismotilidade</li>



<li>Colites microscópicas</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-desafio-central"><br><strong>O desafio central:</strong></h2>



<p>O principal desafio não é apenas conhecer a doença, mas <strong>suspeitar dela no contexto adequado</strong> e realizar investigação endoscópica dirigida.</p>



<p>Os achados endoscópicos podem ser mínimos ou mesmo inexistentes, tornando a suspeita clínica um elemento fundamental para o diagnóstico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quando-suspeitar"><br><strong>Quando suspeitar?</strong></h2>



<p>Sintomas persistentes, multissistêmicos ou desproporcionais aos achados de rotina devem levantar suspeita, tais como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Perda ponderal progressiva, com anorexia, saciedade precoce ou diarreia crônica sem etiologia definida.</li>



<li>Diarreia refratária com hipoalbuminemia, edema e deficiências nutricionais — perfil de enteropatia infiltrativa.</li>



<li>Dismotilidade gastrointestinal: gastroparesia, pseudo-obstrução, constipação refratária ou alternância de hábito intestinal.</li>



<li>Sangramento obscuro: anemia ferropriva, melena recorrente ou perda crônica oculta sem fonte identificada.</li>



<li>Sinais Sistêmicos: Insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, proteinúria, neuropatia periférica ou hipotensão postural associados a sintomas digestivos.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-fisiopatologia"><br><strong>Fisiopatologia</strong></h2>



<p>Três mecanismos fisiopatológicos principais estão envolvidos:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Infiltração mucosa:</strong> associada a má absorção, diarreia, enteropatia perdedora de proteínas e aumento da friabilidade da mucosa.</li>



<li><strong>Infiltração neuromuscular:</strong> relacionada a gastroparesia, lentificação do trânsito intestinal, constipação e quadros de pseudo-obstrução.</li>



<li><strong>Deposição vascular:</strong> podendo resultar em sangramento digestivo, isquemia focal e ulcerações.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-achados-endoscopicos"><br><strong>Achados endoscópicos</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-endoscopia-digestiva-alta">Endoscopia digestiva alta</h3>



<p><strong>Duodeno</strong>&nbsp;— principal sítio de rendimento diagnóstico:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Mucosa finamente granular ou com placas esbranquiçadas</li>



<li>Nodularidade, friabilidade e espessamento de pregas</li>



<li>Múltiplas protrusões polipoides</li>
</ul>



<p><strong>Estômago:</strong>&nbsp;pode apresentar eritema difuso, erosões, nodularidade ou mesmo aspecto endoscópico preservado.</p>



<p><strong>Esôfago:</strong>&nbsp;podem ocorrer lesões subepiteliais e alterações motoras secundárias à infiltração da parede.</p>



<p>→ A realização de biópsias é mandatória, mesmo na ausência de alterações endoscópicas evidentes.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-outros-exames-endoscopicos">Outros exames endoscópicos:</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Colonoscopia:</strong> pode demonstrar mucosa friável, edema, erosões ou até mesmo aspecto endoscópico normal. Biópsias randômicas de cólon e reto podem estabelecer o diagnóstico mesmo na ausência de alterações macroscópicas.</li>



<li><strong>Cápsula endoscópica:</strong> útil na investigação de anemia obscura e diarreia crônica sem etiologia definida. Pode identificar edema vilositário, erosões e irregularidades mucosas ao longo do intestino delgado.</li>



<li><strong>Enteroscopia:</strong> possibilita avaliação direta do intestino delgado com obtenção de biópsias profundas, além de permitir intervenções terapêuticas, como hemostasia, em casos selecionados após achados da cápsula endoscópica. Vide imagens abaixo.</li>
</ul>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11161"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="817" data-id="11161" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-1-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-jejuno-1024x817.jpg?v=1778684923" alt="" class="wp-image-11161" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-1-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-jejuno-1024x817.jpg?v=1778684923 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-1-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-jejuno-300x239.jpg?v=1778684923 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-1-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-jejuno-768x613.jpg?v=1778684923 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-1-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-jejuno-585x467.jpg?v=1778684923 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-1-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-jejuno.jpg?v=1778684923 1053w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura-1-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-jejuno</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11160"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="889" data-id="11160" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-segunda-porcao-duodenal-1024x889.jpg?v=1778684917" alt="" class="wp-image-11160" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-segunda-porcao-duodenal-1024x889.jpg?v=1778684917 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-segunda-porcao-duodenal-300x260.jpg?v=1778684917 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-segunda-porcao-duodenal-768x666.jpg?v=1778684917 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-segunda-porcao-duodenal-1170x1015.jpg?v=1778684917 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-segunda-porcao-duodenal-585x508.jpg?v=1778684917 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-segunda-porcao-duodenal-1080x937.jpg?v=1778684917 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-2-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-segunda-porcao-duodenal.jpg?v=1778684917 1179w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura-2-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-segunda-porcao-duodenal</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11159"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="883" data-id="11159" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-3-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Ileo-1024x883.jpg?v=1778684911" alt="" class="wp-image-11159" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-3-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Ileo-1024x883.jpg?v=1778684911 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-3-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Ileo-300x259.jpg?v=1778684911 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-3-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Ileo-768x662.jpg?v=1778684911 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-3-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Ileo-1170x1009.jpg?v=1778684911 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-3-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Ileo-585x505.jpg?v=1778684911 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-3-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Ileo-1080x932.jpg?v=1778684911 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-3-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Ileo.jpg?v=1778684911 1179w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura-3-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Ileo</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11158"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="860" data-id="11158" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-1024x860.jpg?v=1778684904" alt="" class="wp-image-11158" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-1024x860.jpg?v=1778684904 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-300x252.jpg?v=1778684904 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-768x645.jpg?v=1778684904 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-1170x982.jpg?v=1778684904 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-585x491.jpg?v=1778684904 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-1080x907.jpg?v=1778684904 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-4-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno.jpg?v=1778684904 1179w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura-4-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11157"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="870" data-id="11157" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-5-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-1024x870.jpg?v=1778684898" alt="" class="wp-image-11157" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-5-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-1024x870.jpg?v=1778684898 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-5-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-300x255.jpg?v=1778684898 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-5-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-768x653.jpg?v=1778684898 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-5-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-1170x994.jpg?v=1778684898 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-5-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-585x497.jpg?v=1778684898 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-5-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno-1080x918.jpg?v=1778684898 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Figura-5-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno.jpg?v=1778684898 1179w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura-5-Enteroscopia-de-paciente-com-amiloidose-Jejuno</figcaption></figure>
</figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-estrategia-de-biopsia"><br><strong>Estratégia de biópsia</strong></h2>



<p>Onde biopsiar:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Duodeno — prioridade, alto rendimento</strong></li>



<li>Estômago — fragmentos múltiplos</li>



<li>Cólon e reto — casos selecionados</li>



<li><strong>Áreas alteradas</strong> + biópsias randômicas</li>
</ul>



<p>O que informar ao patologista:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Suspeita clínica de amiloidose</li>



<li>Contexto clínico: perda ponderal, diarreia, dismotilidade</li>



<li>Solicitar explicitamente <strong>Coloração de Vermelho Congo</strong></li>
</ul>



<p>→ O erro mais comum é não colher material suficiente ou não requisitar as colorações específicas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mensagens-chave"><br><strong>Mensagens-chave:</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Mucosa quase normal não exclui amiloidose. Em caso de suspeita clínicas, as biópsias são obrigatórias mesmo na ausência de alterações endoscópicas evidentes.</li>



<li>Diarreia + perda ponderal + endoscopia pouco exuberante = biopsiar. Essa tríade justifica coleta dirigida com solicitação de Vermelho Congo ao patologista.</li>



<li>Duodeno é o sítio de biópsia prioritário. Maior rendimento diagnóstico, inclusive em alterações mínimas como granularidade fina.</li>



<li>Sangramento obscuro pode ter origem no delgado infiltrado. Cápsula endoscópica e enteroscopia ampliam o alcance diagnóstico nesses casos.</li>



<li>É a endoscopia digestiva que abre a porta para o diagnóstico definitivo e para o manejo multidisciplinar mais assertivo. A suspeição clínica é essencial.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Ebert EC, Nagar M. Gastrointestinal manifestations of amyloidosis. <em>Am J Gastroenterol</em>. 2008;103(3):776-787.</li>



<li>Syed U, Companioni RA, Alkhawam H, Walfish A. Amyloidosis of the gastrointestinal tract and the liver: clinical context, diagnosis and management. <em>Eur J Gastroenterol Hepatol</em>. 2016;28(10):1109-1121.</li>



<li>Fritz CDL, Blaney E. Evaluation and management strategies for gastrointestinal involvement with amyloidosis. <em>Am J Med</em>. 2022;135(5):573-580.<br><br></li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Bayma LR, Amiloidose Intestinal: um diagnóstico diferencial importante, mas raramente lembrado Gastropedia 2026, Vol I. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11156" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/amiloidose-intestinal-um-diagnostico-diferencial-importante-mas-raramente-lembrado/</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Terapia convencional nas doenças inflamatórias intestinais – quando e como utilizar</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/terapia-convencional-nas-doencas-inflamatorias-intestinais-quando-e-como-utilizar/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Patrícia Santiago Liberato de Mattos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As doenças inflamatórias intestinais (DII), representadas principalmente pela doença de Crohn (DC) e retocolite ulcerativa (RCU), são condições crônicas, imunomediadas, associadas a elevada morbidade e impacto econômico para o sistema&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As doenças inflamatórias intestinais (DII), representadas principalmente pela <strong>doença de Crohn</strong> (DC) e <strong>retocolite ulcerativa</strong> (RCU), são condições crônicas, imunomediadas, associadas a elevada morbidade e impacto econômico para o sistema de saúde.</p>



<p>A escolha do melhor tratamento para cada perfil de paciente deve ser baseada em fatores como: gravidade da doença, presença de fatores de mau prognóstico, características de cada paciente (idade, comorbidades, preferências por via de administração, dentre outros), além de disponibilidade de acesso às medicações (seja no sistema único de saúde – SUS, ou no setor privado).</p>



<p>Por definição, as chamadas “<strong>terapias convencionais</strong>”, englobam:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Corticoesteroides;</li>



<li>Derivados aminossalicilatos (mesalazina e sulfassalazina);</li>



<li>Imunossupressores (tiopurinas: azatioprina, 6-mercaptopurina, metotrexato).</li>
</ul>



<p>Por outro lado, as “<strong>terapias avançadas</strong>” são:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Anti-TNFs &#8211; fator de necrose tumoral (infliximabe, adalimumabe, golimumabe, certolizumabe);</li>



<li>Anti-Integrina (vedolizumabe);</li>



<li>Anti-Interleucinas (ustequinumabe, guselcumabe, risanquizumabe, mirikizumabe);</li>



<li>Pequenas moléculas (tofacitinibe, upadaticinibe, ozanimode, etrasimode).</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-terapia-convencional-na-retocolite-ulcerativa-rcu"><br><strong>Terapia Convencional na Retocolite Ulcerativa (RCU)</strong></h2>



<p>Para avaliar a <strong>gravidade da doença</strong> nos pacientes com RCU, devem ser levados em consideração:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Presença e intensidade dos sintomas (sangramento retal, frequência evacuatória, urgência);</li>



<li>Alteração em marcadores laboratoriais (elevação de proteína C reativa – PCR e da calprotectina fecal, albumina sérica baixa);</li>



<li>Extensão da doença (proctite, colite esquerda ou pancolite) – Vide imagem abaixo;</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11140"><img loading="lazy" decoding="async" width="372" height="223" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/classificacao-retocolite-figura.png" alt="" class="wp-image-11140" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/classificacao-retocolite-figura.png 372w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/classificacao-retocolite-figura-300x180.png 300w" sizes="(max-width: 372px) 100vw, 372px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">CLASSIFICAÇÃO DA RETOCOLITE COM BASE NA EXTENSÃO DA DOENÇA<br>A: Proctite; B: Retossigmoidite; C: Colite esquerda; D, E e F: Pancolite (F: acometimento concomitante de RCU com Colangite Esclerosante Primária – CEP, com o reto poupado).<br>Adaptado de: David T. Rubin, et al. Am J Gastroenterol 2025</figcaption></figure>
</div>


<ul class="wp-block-list">
<li>Avaliação do grau de atividade endoscópica (conforme escores endoscópicos validados: Escore Endoscópico de Mayo – MES, UCEIS).
<ul class="wp-block-list">
<li>Pancolite (doença mais extensa);</li>



<li>Atividade endoscópica intensa (MES = 3, UCEIS ≥ 7);</li>
</ul>
</li>



<li>Histórico de hospitalização prévia;</li>



<li>Elevação da PCR;</li>



<li>Baixos níveis séricos de albumina.</li>
</ul>



<p>Desta forma, estará indicado uso de <strong>terapia avançada</strong> nos pacientes:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Portadores de doença moderada a grave;</li>



<li>Naqueles com doença leve a moderada com fatores de mau prognóstico; <strong>e/ou</strong></li>



<li>Nos que tenham falhado ou desenvolvam intolerância à terapia convencional.</li>
</ul>



<p>Já a <strong>terapia convencional</strong>, fica reservada para os indivíduos portadores de RCU leve a moderada, <strong>SEM</strong> fatores de mau prognóstico. Neste perfil de paciente, está indicado, como primeira linha, uso dos aminossalicilatos (mesalazina, sulfassalazina). A escolha da formulação e da via de administração depende da localização/extensão da doença:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Proctite: </strong>A abordagem preferencial para indução é a terapia tópica com <strong>supositório</strong> de derivado 5-aminosalicilato (5-ASA), geralmente na dose de 1 g ao dia por cerca de 8 semanas. Havendo boa resposta, a manutenção pode ser feita com aplicação intermitente, como 1 g três vezes por semana. Em caso de falha, a literatura indica que pode ser tentado uso de supositório de corticoide ou de tacrolimos.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Colite esquerda: </strong>Há evidência de superioridade no uso de <strong>terapia</strong> <strong>combinada</strong> tópica + sistêmica, na <strong>indução</strong> de remissão, em comparação com terapia sistêmica isolada. Ou seja, deve-se utilizar enema 5-ASA (1 g/dia) + 5-ASA oral (≥ 2 g/dia) na indução, seguido de <strong>manutenção</strong> com terapia sistêmica: 5-ASA oral, ≥ 2g/dia, contínuo. Uma alternativa consiste no uso de enema de corticoide para <strong>indução</strong> e/ou corticoide tópico (Budesonida MMX, de liberação colônica, 9 mg/dia) ou sistêmico (Prednisona 0,5-0,75 mg/kg).</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Pancolite: </strong>Na doença extensa, utilizar para <strong>indução</strong> 5-ASA <strong>oral</strong> ≥ 2 g/dia. Em caso de falha, pode ser <strong>adicionado</strong> corticoide tópico – Budesonida MMX 9 mg/dia, ou sistêmico – Prednisona, para indução. Na <strong>manutenção</strong>, utilizar 5-ASA Oral, sempre em doses ≥ 2 g/dia, contínuo.</li>
</ul>



<p><strong>Cabe ressaltar que: corticoesteroides (tópicos ou sistêmicos), não devem ser utilizados para manutençãode remissão. </strong>Somente geram indução de remissão <strong>clínica</strong>, devendo seu uso ser feito pelo <strong>menor</strong> intervalo de tempo necessário, com <strong>desmame</strong> gradual, assim que obtiver o adequado controle dos sintomas.</p>



<p>Quanto às <strong>tiopurinas</strong> (azatioprina – AZA, 6-mercaptopurina – 6-MCP), ambas possuem início de ação lento, e, portanto, <strong>não</strong> <strong>induzem</strong> remissão. Alguns ensaios clínicos randomizados e controlados, mais antigos, demonstraram superioridade da AZA, em comparação com placebo, na <strong>prevenção de recaída</strong> (RR=0.60; 95% CI=0.37–0.95). Contudo, a qualidade de evidência destes estudos é baixa a muito baixa. Assim, as tiopurinas podem ser utilizadas para <strong>manutenção</strong> de remissão, em pacientes com RCU que necessitem de corticoesteroide para indução de remissão (<em>*recomendação condicional, baixa qualidade de evidência</em>). Seu uso é principalmente indicado em associação com anti-TNF (infliximabe), como terapia combinada ou para redução de imunogenicidade da droga.</p>



<p><strong>Metotrexat</strong>o (MTX) falhou em demonstrar benefício em pacientes com RCU para prevenção de recaída, tanto em formulações via oral ou parenteral. Portanto, seu uso não está rotineiramente indicado, exceto em casos de uso em conjunto com anti-TNFs para redução de imunogenicidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-terapia-convencional-na-doenca-de-crohn"><br><strong>Terapia Convencional na Doença de Crohn</strong></h2>



<p>Na doença de Crohn (DC), <strong>não</strong> há evidência para uso de derivados 5-aminosalicilatos (5-ASA) e, portanto, seu uso <strong>não</strong> é recomendado (ausência de superioridade em relação ao placebo).</p>



<p>Em pacientes com <strong>doença ileal leve</strong> (inflamatória, não estenosante, não fistulizante), pode ser utilizado corticoesteroide – <strong>Budesonida</strong> 9 mg/dia, por curto período (8-12 semanas). Novamente, ressalta-se que corticoide não deve ser utilizado como terapia de manutenção.</p>



<p>Ensaio clínico randomizado, controlado, multicêntrico, demonstrou que, na DC, terapia avançada combinada precocemente (estratégia conhecida como: “top down”) é <strong>superior</strong> à abordagem “step up” (ou seja, iniciar com corticoesteroides, seguido de imunossupressores e, apenas após falha, terapia biológica). Assim, <strong>não se deve aguardar falha à terapia convencional para indicar terapia avançada</strong>.</p>



<p>Imunossupressores (azatioprina, 6-mercaptopurina, metotrexato) estão indicados na DC como terapia <strong>adjunta</strong> com biológicos (anti-TNFs), para redução de imunogenicidade. Alguns estudos demonstram que <strong>MTX</strong>, administrado via <strong>parenteral</strong> (25 mg/semana, por 12-16 semanas, seguido de 15 mg/semana), é capaz de prevenir recaída na DC, podendo ser utilizado, portanto, como terapia de manutenção.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-resumo-das-medicacoes-terapia-convencional-e-dosagens"><br><strong>Resumo das Medicações (Terapia Convencional) e Dosagens</strong></h2>



<figure class="wp-block-table is-style-stripes"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><thead><tr><th>Medicação</th><th>Dose</th><th>Prescrição</th></tr></thead><tbody><tr><td>Mesalazina supositório ou enema</td><td>500 mg &#8211; 1 g</td><td>Aplicar à noite, VR diariamente (indução) ou 3x/semana (manutenção)</td></tr><tr><td>Mesalazina oral</td><td>≥ 2g/dia</td><td>Dose única ou dividida</td></tr><tr><td>Sulfassalazina</td><td>≥ 2g/dia</td><td>Dose única ou dividida<br>*EC mais frequentes</td></tr><tr><td>Budesonida</td><td>9 mg/dia</td><td>1x ao dia, 8-12 semanas</td></tr><tr><td>Prednisona</td><td>0,5-0,75 mg/kg, dose máxima 60 mg/dia (<strong>apenas para indução</strong> de remissão)</td><td>1x ao dia<br>*manter pelo menor tempo possível, desmame gradual<br>**iniciar em conjunto com terapia poupadora de corticoide</td></tr><tr><td>Azatioprina</td><td>Iniciar com 50 mg/dia<br>Aumento progressivo de dose para 2-2,5 mg/kg</td><td>1x ao dia</td></tr><tr><td>6-Mercaptopurina</td><td>1-1,5 mg/kg/dia</td><td>1x ao dia</td></tr><tr><td>Metotrexato</td><td>IM ou SC: 25 mg/semana, 12-16 semanas; após: 15 mg/semana<br>VO: 12,5 &#8211; 22,5 mg/dia</td><td>Semanal (SC ou IM), 1x/dia (VO)<br>Realizar reposição concomitante de ácido fólico</td></tr></tbody></table></div><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>VR:</strong> Via retal; <strong>EC:</strong> Efeitos colaterais; <strong>IM:</strong> Intramuscular; <strong>SC:</strong> Subcutâneo; <strong>VO:</strong> Via oral; <strong>AF:</strong> Ácido fólico<br><br><br></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>David T. Rubin, et al. ACG Clinical Guideline Update: Ulcerative Colitis in Adults. Am J Gastroenterol 2025;120:1187–1224.</li>



<li>Gary R. Lichtenstein, et al. ACG Clinical Guideline: Management of Crohn’s Disease in Adults. Am J Gastroenterol 2025;120:1225–1264.</li>



<li>Marshall JK, et al. Rectal 5-aminosalicylic acid for induction of remission in ulcerative colitis. Cochrane Database Syst Rev 2010.</li>



<li>Ford AC, Khan KJ, Sandborn WJ, et al. Eﬃcacy of topical 5-aminosalicylates in preventing relapse of quiescent ulcerative colitis: A meta-analysis. Clin Gastroenterol Hepatol 2012.</li>



<li>Ford AC, et al. Eﬃcacy of oral vs. topical, or combined oral and topical 5-aminosalicylates, in ulcerative colitis: Systematic review and meta-analysis. Am J Gastroenterol 2012.</li>



<li>Travis SP, et al. Once-daily budesonide MMX in active, mild-to-moderate ulcerative colitis: Results from the randomised CORE II study. Gut 2014.</li>



<li>Sherlock ME, et al. Oral budesonide for induction of remission in ulcerative colitis. Cochrane Database of Syst Rev 2015.</li>



<li>Wang Y, et al. Oral 5-aminosalicylic acid for induction of remission in ulcerative colitis. Cochrane Database Syst Rev 2016.</li>



<li>Murray A, et al. Oral 5-aminosalicylic acid for maintenance of remission in ulcerative colitis. Cochrane Database of Syst Rev 2020.</li>



<li>Khan KJ, et al. Eﬃcacy of immunosuppressive therapy for inflammatory bowel disease: A systematic review and meta-analysis. Am J Gastroenterol 2011.</li>



<li>Timmer A, et al. Azathioprine and 6-mercaptopurine for maintenance of remission in ulcerative colitis. Cochrane Database of Syst Rev 2016.</li>



<li>Herfarth H, et al. Methotrexate is not superior to placebo in maintaining steroid-free response or remission in ulcerative colitis. Gastroenterology 2018.</li>



<li>Noor NM, et al. A biomarker-stratified comparison of top-down versus accelerated step-up treatment strategies for patients with newly diagnosed Crohn’s disease (PROFILE): A multicentre, open-label randomised controlled trial. Lancet Gastroenterol Hepatol 2024.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Mattos PSL, Terapia convencional nas doenças inflamatórias intestinais – quando e como utilizar Gastropedia 2026, Vol II. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11139" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/terapia-convencional-nas-doencas-inflamatorias-intestinais-quando-e-como-utilizar/</a></p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Diagnóstico de intolerância à lactose: o que o gastroenterologista precisa saber</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Terra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A intolerância à lactose é uma condição frequente na prática do gastroenterologista, caracterizada por sintomas como distensão abdominal, flatulência, dor abdominal e diarreia. A forma mais comum é a hipolactasia&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A intolerância à lactose é uma <strong>condição frequente</strong> na prática do gastroenterologista, caracterizada por sintomas como <strong>distensão abdominal, flatulência, dor abdominal e diarreia</strong>. A forma mais comum é a hipolactasia primária, decorrente da redução fisiológica e geneticamente determinada da lactase após o desmame.</p>



<p>É essencial diferenciar má absorção de lactose — que pode ser assintomática — da intolerância à lactose, que se caracteriza pela presença de sintomas. Além disso, deve-se diferenciar a forma primária da secundária. Esta última decorre de lesões da mucosa do intestino delgado, como na doença celíaca, no supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO), na doença de Crohn ou após gastroenterites, sendo, em geral, potencialmente reversível com o tratamento da condição de base.</p>



<p>O diagnóstico pode ser feito por <strong>quatro métodos principais</strong> (teste oral de tolerância à lactose, teste genético, teste do hidrogênio expirado e avaliação da lactase em biópsia duodenal), cada um com indicações e limitações. Em alguns casos, o diagnóstico clínico também pode ser considerado. A seguir, detalhamos cada um deles.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-diagnostico-clinico"><strong>Diagnóstico clínico</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Considerar quando:
<ul class="wp-block-list">
<li>Quadro típico após ingestão de lactose</li>



<li>Locais com baixa disponibilidade de exames</li>



<li>Recusa do paciente em realizar investigações adicionais</li>
</ul>
</li>



<li>Maior acurácia (alta probabilidade pré-teste):
<ul class="wp-block-list">
<li>Quando etnias com alta prevalência (africanos, asiáticos)</li>
</ul>
</li>



<li>Estratégia:
<ul class="wp-block-list">
<li>Teste terapêutico (exclusão + reintrodução)</li>



<li>Sempre com avaliação de diagnósticos diferenciais</li>
</ul>
</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-teste-oral-de-tolerancia-a-lactose-curva-glicemica"><br><strong>Teste oral de Tolerância à Lactose (Curva Glicêmica)</strong></h2>



<p>É um método indireto que avalia a digestão da lactose pela resposta glicêmica após sua ingestão. Consiste na administração de cerca de 50 g de lactose, com dosagens de glicemia em jejum e aos 30, 60 e 120 minutos. Em indivíduos com atividade adequada de lactase, observa-se elevação da glicemia. Já na deficiência, essa resposta é reduzida, sendo sugestivo de má absorção um aumento &lt; 20 mg/dL. Sintomas podem ocorrer durante o exame ou nas horas seguintes.</p>



<p>Limitações:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Sensibilidade/especificidade reduzidas (~20% falsos positivos e negativos)</li>



<li>Limitações:
<ul class="wp-block-list">
<li>Diabetes mellitus → falsos-negativos (hiperglicemia basal pode levar a elevações &gt; 20 mg/dL)</li>



<li>Gastroparesia → falsos-positivos (retardo na absorção da glicose e atenuação da elevação glicêmica)</li>



<li>Bypass em Y de Roux → falsos-positivos (trânsito acelerado e menor área absortiva &#8211; devido ao desvio do trânsito intestinal há redução do tempo de contato da lactose com a lactase. Respostas glicêmicas imprevisíveis e sintomas de <em>dumping</em>.</li>



<li>Alta carga de lactose (50 g – aproximadamente 1 L de leite) → sintomas podem ocorrer em indivíduos normais</li>
</ul>
</li>



<li>Prática clínica:
<ul class="wp-block-list">
<li>Baixo custo</li>



<li>Disponível no Sistema Único de Saúde (SUS)</li>



<li>Cobertura obrigatória no rol da Agencia Nacional de Saude Suplementar (ANS)</li>



<li>Alternativa quando sem acesso ao teste respiratório</li>
</ul>
</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-teste-genetico-ou-molecular"><br><strong>Teste genético ou molecular</strong></h2>



<p>A genotipagem baseia-se na identificação de polimorfismos de nucleotídeo único, especialmente as variantes LCT-13910C&gt;T e LCT-22018G&gt;A, por meio de amostras de sangue ou swab bucal. É um método útil para confirmar a não persistência da lactase (hipolactasia primária), sobretudo em populações caucasianas, nas quais o genótipo CC se associa à intolerância, enquanto CT e TT estão relacionados à tolerância (CC = intolerância; CT/TT = tolerância), em padrão de herança autossômica recessiva.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Limitações:
<ul class="wp-block-list">
<li>Não detecta formas secundárias</li>



<li>Falsos-negativos em não caucasianos – outros polimorfismos diferentes ( ex: variantes africanas e asiáticas)</li>



<li>Genótipo ≠ fenótipo clínico: ter a variante genética não implica manifestações clínicas</li>
</ul>
</li>



<li>Prática clínica:
<ul class="wp-block-list">
<li>Não disponível no SUS</li>



<li>Não possui Diretriz de Utilização (DUT) e cobertura obrigatória pelo Rol da ANS.</li>



<li>Uso: diferenciação etiológica (hipolactasia primária x secundária)</li>
</ul>
</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-teste-do-hidrogenio-expirado-the-respiratorio"><br><strong>Teste do Hidrogênio expirado (THE) &#8211; Respiratório</strong></h2>



<p>É considerado o método de escolha por ser não invasivo e apresentar boa sensibilidade e especificidade. O exame consiste na mensuração do hidrogênio no ar expirado antes e após a ingestão de lactose (geralmente 25g) com medidas a cada 30 minutos por 180 minutos. Um aumento ≥ 20 ppm em relação ao basal indica fermentação de lactose não absorvida no cólon. A correlação com sintomas durante o teste é fundamental para o diagnóstico clínico.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11116"><img loading="lazy" decoding="async" width="655" height="369" data-id="11116" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose.png" alt="" class="wp-image-11116" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose.png 655w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-300x169.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-585x330.png 585w" sizes="(max-width: 655px) 100vw, 655px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">THE positivo para intolerância a lactose (Imagem ilustrativa gerada por IA)</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11115"><img loading="lazy" decoding="async" width="982" height="532" data-id="11115" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-com-pico-precoce.png" alt="" class="wp-image-11115" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-com-pico-precoce.png 982w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-com-pico-precoce-300x163.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-com-pico-precoce-768x416.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-com-pico-precoce-585x317.png 585w" sizes="(max-width: 982px) 100vw, 982px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">THE positivo para intolerância a lactose com pico precoce (Imagem gentlmente cedida por Dra Jamile Kalil)</figcaption></figure>
</figure>



<p></p>



<p><strong>Falsos-negativos:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Trânsito acelerado</li>



<li>Uso de antibióticos</li>



<li>Microbiota intestinal produtora de metano</li>
</ul>



<p><strong>Falsos-positivos:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO)</li>



<li>Trânsito acelerado / anatomia intestinal alterada</li>



<li>Preparo inadequado</li>



<li>Procinéticos / laxantes</li>



<li>Tabagismo</li>
</ul>



<p><strong>Pontos-chave:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Pico precoce (aumento ≥ 20 ppm em &lt; 60-90 minutos) → sugere SIBO ou trânsito rápido</li>



<li>SIBO pode:
<ul class="wp-block-list">
<li>gerar falso-positivo</li>



<li>causar hipolactasia secundária</li>



<li>mimetizar sintomas</li>
</ul>
</li>
</ul>



<p><strong>Acesso:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não disponível no SUS</li>



<li>Não está no rol da ANS</li>



<li>Custo mais elevado</li>



<li>Não disponível em vários locais do Brasil</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-teste-da-atividade-da-lactase-em-biopsia-duodenal-teste-rapido-da-lactase"><br><strong>Teste da atividade da lactase em biópsia duodenal &#8211; Teste Rápido da Lactase</strong></h2>



<p>É realizado com biópsias duodenais pós-bulbares durante a endoscopia digestiva alta, avaliando diretamente a atividade enzimática da lactase. A amostra é incubada com um substrato específico e a reação colorimétrica indica o nível de atividade: azul escuro para normolactasia, azul claro para hipolactasia e ausência de mudança para hipolactasia severa. Avalia causas secundárias através da realização de biópsias durante a endoscopia (anatomopatológico).</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Método colorimétrico:
<ul class="wp-block-list">
<li>Azul escuro → normal</li>



<li>Azul claro → hipolactasia</li>



<li>Sem mudança → deficiência severa</li>
</ul>
</li>
</ul>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11117"><img loading="lazy" decoding="async" width="777" height="518" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE.png" alt="" class="wp-image-11117" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE.png 777w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE-300x200.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE-768x512.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE-585x390.png 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE-263x175.png 263w" sizes="(max-width: 777px) 100vw, 777px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem ilustrativa gerada por IA</figcaption></figure>



<p><strong>Limitações:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Invasivo</li>



<li>Alto custo (pela endoscopia associada)</li>



<li>Não disponível no SUS</li>



<li>Não está no rol da ANS</li>



<li>Distribuição irregular da enzima (<em>patchy</em>) na mucosa duodenal</li>
</ul>



<p></p>



<p></p>



<p><strong>TABELA 1:</strong> Resumo dos principais testes diagnósticos para intolerância a lactose</p>



<figure class="wp-block-table is-style-regular"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><thead><tr><th>Método de Diagnóstico</th><th>Princípio do Teste</th><th>Vantagens Principais</th><th>Limitações e Causas de Falsos Resultados</th><th>Custo (São Paulo – Abril/2026)</th><th>População Alvo Recomendada</th></tr></thead><tbody><tr><td>Teste de Hidrogênio Expirado (THE)</td><td>Mede H2 no ar expirado após ingestão de lactose (25 g), resultante da fermentação bacteriana no cólon.</td><td>• Não invasivo<br>• Padrão ouro</td><td>• Falso-positivos: SIBO, trânsito rápido, anatomia alterada<br>• Falso-negativos: não-produtores de H2 , uso de antibióticos.<br>• Exige jejum e restrições prévias.</td><td>Entre 550-2600 reais</td><td>Adultos e crianças com suspeita de má absorção; Teste de escolha para diagnóstico clínico geral.</td></tr><tr><td><br>Teste Genético</td><td>Identifica variantes de DNA (como 13910C&gt;T) associadas à persistência ou não-persistência da lactase.</td><td>•Minimamente invasivo (sangue ou saliva).<br>• Não requer carga de lactose ou jejum prolongado.<br>• Confirma hipolactasia primária.</td><td>• Não detecta causas secundárias.<br>• Falso-negativos em populações não europeias<br>• Genótipo ≠ fenótipo clínico</td><td>Entre 217-430 reais</td><td>Caucasianos; Útil para distinguir entre má absorção primária e secundária.</td></tr><tr><td><br>Teste Rápido da Lactase</td><td><br>Teste colorimétrico realizado em biópsias duodenais para avaliação da atividade enzimática imediata.</td><td><br>• Resultado rápido em sala de endoscopia<br>• Boa concordância com o THE em resultados positivos.<br>• Avalia causas secundárias</td><td>• Invasivo<br>• Falso negativo: distribuição irregular da enzima na mucosa do intestino.<br>• Custo elevado &#8211; associado a EDA.</td><td><br><br>400 reais &#8211; apenas o teste enzimático (sem custo da EDA)</td><td><br>Pacientes submetidos à endoscopia digestiva alta.</td></tr><tr><td><br><br>Teste de Tolerância à Lactose</td><td><br>Medida da glicemia em intervalos (30, 60, 120 min) após a ingestão de 50g de lactose; aumento &lt; 20 mg/dl = má absorção.</td><td><br>• Baixo custo<br>• Fácil execução em lugares com poucos recursos.</td><td>• Baixa sensibilidade e especificidade<br>• Limitações: Alterações no esvaziamento gástrico e no metabolismo da glicose (DM).<br>• Múltiplas coletas de sangue.</td><td><br>Entre 80 e 390 reais</td><td><br>Sem acesso ao teste respiratório</td></tr></tbody></table></div></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mensagem-final"><br><strong>Mensagem final</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Diagnóstico deve ser <strong>individualizado</strong></li>



<li>Considerar:
<ul class="wp-block-list">
<li>contexto clínico</li>



<li>probabilidade pré-teste</li>



<li>disponibilidade dos exames</li>
</ul>
</li>



<li>Combinação de avaliação clínica + métodos diagnósticos → <strong>maior acurácia e melhor manejo</strong></li>
</ul>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-artigos-relacionados">Artigos relacionados:</h2>



<p id="h-artigos-relacionados-referencias"><a href="https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/colorretal/testes-para-sangue-oculto-nas-fezes-guaiaco-fit-e-imunocromatografico/" type="link" id="https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/colorretal/testes-para-sangue-oculto-nas-fezes-guaiaco-fit-e-imunocromatografico/">Teste de sangue oculto nas fezes</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Misselwitz B, Butter M, Verbeke K, Fox MR. Update on lactose malabsorption and intolerance: pathogenesis, diagnosis and clinical management. Gut. 2019 Nov;68(11):2080-2091. doi: 10.1136/gutjnl-2019-318404. Epub 2019 Aug 19. PMID: 31427404; PMCID: PMC6839734.</li>



<li>Micic D, Rao VL, Rubin DT. Clinical Approach to Lactose Intolerance. JAMA. 2019;322(16):1600–1601. doi:10.1001/jama.2019.14740</li>



<li>Borralho AI, Marcos P. Lactose Intolerance and Malabsorption Revisited: Exploring the Impact and Solutions. GE Port J Gastroenterol. 2025 Apr 21;32(5):350-357. doi: 10.1159/000545923. PMID: 40432984; PMCID: PMC12105853.</li>



<li>Catanzaro R, Sciuto M, Marotta F. Lactose intolerance: An update on its pathogenesis, diagnosis, and treatment. Nutr Res. 2021 May;89:23-34. doi: 10.1016/j.nutres.2021.02.003. Epub 2021 Mar 21. PMID: 33887513.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Terra MP. Diagnóstico de intolerância à lactose: o que o gastroenterologista precisa saber. Gastropedia 2026, Vol.1. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11113" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/diagnostico-de-intolerancia-a-lactose-o-que-o-gastroenterologista-precisa-saber/</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Roma V nos distúrbios esofágicos funcionais: o que mudou?</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/roma-v-nos-disturbios-esofagicos-funcionais-o-que-mudou/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Bandeira Lages]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Esôfago]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os distúrbios esofágicos funcionais, agora denominados&#160;distúrbios esofágicos da interação intestino-cérebro (E-DGBI), passaram por uma atualização conceitual relevante no&#160;Roma V, refletindo avanços diagnósticos e fisiopatológicos recentes. Principais mudanças do Roma V&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os distúrbios esofágicos funcionais, agora denominados&nbsp;<strong>distúrbios esofágicos da interação intestino-cérebro (E-DGBI)</strong>, passaram por uma atualização conceitual relevante no&nbsp;<strong>Roma V</strong>, refletindo avanços diagnósticos e fisiopatológicos recentes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-principais-mudancas-do-roma-v"><br><strong>Principais mudanças do Roma V</strong></h2>



<p><strong>1. Integração formal com critérios fisiológicos modernos</strong></p>



<p>Uma das mudanças mais importantes é a incorporação explícita de dois consensos fundamentais:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Classificação de Chicago 4.0</strong>&nbsp;→ avaliação de motilidade esofágica (<a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/esofago/classificacao-de-chicago-4-0-o-que-ha-de-novo-na-manometria-de-alta-resolucao/">veja aqui</a>)</li>



<li><strong>Lyon Consensus 2.0</strong>&nbsp;→ diagnóstico de DRGE (<a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/esofago/atualizacoes-no-diagnostico-de-drge-consenso-de-lyon-2-0-2023/">veja aqui</a>)</li>
</ul>



<p>Ou seja: O diagnóstico de E-DGBI passa a ser&nbsp;<strong>fortemente baseado em exclusão objetiva</strong>, utilizando testes fisiológicos e não apenas critérios clínicos.&nbsp;</p>



<p><strong>2. Diagnóstico mais rigoroso (e mais “excludente”)</strong></p>



<p>O Roma V reforça que o diagnóstico só deve ser feito após excluir:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Doença estrutural (endoscopia)</li>



<li>DRGE significativa (pHmetria/impedância)</li>



<li>Distúrbios motores maiores (manometria esofágica): Atenção que motilidade esofágica ineficaz (MEI) não exclui E-DGBI</li>



<li>Esofagite eosinofílica (com biópsia esofágica, quando indicado)</li>
</ul>



<p>Isso reduz o risco de&nbsp;<strong>sobrediagnóstico de distúrbios funcionais</strong>, problema frequente no Roma IV.&nbsp;</p>



<p><strong>3. Maior valorização da esofagite eosinofílica como diagnóstico diferencial</strong></p>



<p>O Roma V enfatiza que a&nbsp;<strong>esofagite eosinofílica deve ser ativamente excluída</strong>, especialmente em:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Disfagia</li>



<li>Dor torácica relacionada à alimentação</li>
</ul>



<p>A ausência de biópsia adequada pode levar a diagnóstico incorreto de E-DGBI.&nbsp;</p>



<p><strong>4. Papel crescente de novas ferramentas diagnósticas</strong></p>



<p>Especialmente na disfagia funcional:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Introdução do&nbsp;<strong>FLIP (Functional Lumen Imaging Probe) </strong>– <a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/esofago/endoluminal-functional-lumen-imaging-probe-endofliptm-conhecendo-tecnologia-e-seus-potenciais-usos/">veja mais aqui</a> </li>



<li>Maior uso de:
<ul class="wp-block-list">
<li>Teste com alimento sólido na manometria esofágica</li>



<li>Esofagograma (EED)</li>
</ul>
</li>
</ul>



<p><strong>5. Critérios temporais mantidos, mas reforçados</strong></p>



<p>Para diagnóstico:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Sintomas ≥ 3 meses</li>



<li>Início ≥ 6 meses antes</li>
</ul>



<p>Com esse critério temporal, reforça o caráter&nbsp;<strong>crônico e não transitório</strong>&nbsp;dessas condições.&nbsp;</p>



<p><strong>6. Redefinição e melhor separação dos fenótipos clínicos</strong></p>



<p>O Roma V mantém os principais subgrupos, mas com critérios mais claros, conforme descrito na Tabela 1:</p>



<figure class="wp-block-table is-style-regular"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><thead><tr><th><strong>Distúrbio esofágico da interação intestino-cérebro</strong>:</th><th class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Critérios diagnósticos</strong>:</th></tr></thead><tbody><tr><td></td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Critério temporal (para TODOS):</strong><br>Sintomas ≥ 3 meses<br>Início ≥ 6 meses<br>Frequência: ≥ 1x/semana, apesar de terapia antissecretora por pelo menos 8 semanas<br><br><strong>Critério de exclusão (para TODOS):</strong><br>1. Ausência de evidência de que a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ou esofagite não relacionada ao refluxo sejam a causa dos sintomas (conforme critérios do Consenso Lyon 2.0; considerar biópsias de mucosa se disfagia ou se a dor torácica ocorrer durante as refeições)<br><br>2. Ausência de distúrbios do esvaziamento da junção esofagogástrica (JEG) e/ou de distúrbios da peristalse esofágica. Obs: Presença de motilidade esofágica ineficaz (MEI) não exclui o diagnóstico funcional</td></tr><tr><td>Dor torácica funcional</td><td class="has-text-align-center" data-align="center"><strong>Deve incluir todos os seguintes critérios:</strong><br>1. Dor ou desconforto retroesternal (causas cardíacas devem ser excluídas)<br>2. Ausência de sintomas esofágicos associados, como pirose ou disfagia</td></tr><tr><td>Pirose funcional</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1. Sensação de queimação retroesternal<br>2. Ausência de alívio dos sintomas apesar de terapia antissecretora otimizada por pelo menos 8 semanas</td></tr><tr><td>Hipersensibilidade ao refluxo</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1. Queimação retroesternal e/ou dor torácica<br>2. Regurgitação e eructação não são consideradas nesta definição quando ocorrem isoladamente ou em conjunto<br>3. Evidência de desencadeamento dos sintomas por episódios de refluxo</td></tr><tr><td>Globus</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1. Sensação persistente ou intermitente, não dolorosa, de “bolo” ou corpo estranho na garganta, sem lesão estrutural identificada ao exame físico e à laringoscopia<br>a. Ocorre entre as refeições<br>b. Ausência de disfagia ou odinofagia<br>c. Ausência de&nbsp;<em>gastric inlet patch</em>&nbsp;(mucosa gástrica ectópica) no esôfago proximal</td></tr><tr><td>Disfagia funcional</td><td class="has-text-align-center" data-align="center">1. Sensação de que alimentos sólidos e/ou líquidos ficam presos, impactados ou apresentam trânsito anormal pelo esôfago<br>2. Ausência de evidência de que anormalidade mucosa ou estrutural esofágica seja a causa do sintoma<br>° Esofagograma normal com comprimido/marshmallow ou FLIP normal podem apoiar o diagnóstico de disfagia funcional)<br>° Teste com refeição sólida normal durante a manometria pode apoiar o diagnóstico de disfagia funcional</td></tr></tbody></table></div><figcaption class="wp-element-caption"><br>Tabela 1: Critérios diagnósticos para distúrbios esofágicos da interação intestino-cérebro, conforme Roma V.</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao"><br><strong>Conclusão</strong></h2>



<p><br>O Roma V representa um avanço ao propor uma <strong>abordagem mais estruturada para o diagnóstico dos distúrbios esofágicos da interação intestino-cérebro</strong>, integrando consensos modernos como Lyon 2.0 e Chicago v4.0 e refinando a distinção entre os diferentes fenótipos clínicos. Essa padronização é particularmente <strong>importante porque</strong>, apesar da alta prevalência e do reconhecimento crescente dessas condições, os <strong>E-DGBI ainda permanecem subestudados</strong>, principalmente <strong>devido à ausência de algoritmos diagnósticos amplamente aplicáveis e pela heterogeneidade na avaliação sintomática e nos testes fisiológicos</strong>. Como consequência, o desenvolvimento de estratégias terapêuticas baseadas em evidências ainda é limitado. Nesse cenário, os avanços futuros passam necessariamente pela consolidação de critérios diagnósticos mais robustos, melhor compreensão dos mecanismos fisiopatológicos e incorporação de uma abordagem multidisciplinar no manejo desses pacientes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencia"><strong>Referência</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Gyawali CP, Roman S, Zerbib F, Savarino EV, Bhatia S, Fass R, Pandolfino JE. Functional esophageal disorders. Gastroenterology. 2026. doi:10.1053/j.gastro.2026.02.005.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Lages RB. Roma V nos distúrbios esofágicos funcionais: o que mudou? Gastropedia 2026, Vol II. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11097" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/roma-v-nos-disturbios-esofagicos-funcionais-o-que-mudou/</a></p>



<p></p>
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		<title>Síndrome do intestino irritável e ROMA V: O que muda na prática?</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/sindrome-do-intestino-irritavel-e-roma-v-o-que-muda-na-pratica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Amanda Medeiros Recuero]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde a publicação do Roma IV em 2016, pesquisas nas ciências básicas e clínicas forneceram novos insights na compreensão da interação intestino-cérebro. Diante dessa evolução, a Fundação Roma iniciou processo&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde a publicação do Roma IV em 2016, pesquisas nas ciências básicas e clínicas forneceram novos insights na compreensão da interação intestino-cérebro. Diante dessa evolução, a Fundação Roma iniciou processo de revisão para atualizar as diretrizes globais de diagnóstico e manejo dos <strong>Distúrbios da Interação Intestino-Cérebro (DIIC)</strong>, publicadas como &#8220;Journal Pre-proof&#8221; na Gastroenterology em fevereiro de 2026 e que serão oficialmente apresentadas na Digestive Disease Week (DDW) de 2026, em Chicago.</p>



<p>Os <strong>distúrbios intestinais</strong>, agora inseridos no espectro dos DIIC e anteriormente chamados de distúrbios intestinais funcionais, foram reclassificados para refletir os avanços na compreensão da interação cérebro-intestino.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-classificacao-dos-disturbios-intestinais-de-acordo-com-o-roma-v"><br><strong>Classificação dos distúrbios intestinais de acordo com o ROMA V:</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Síndrome do Intestino Irritável</li>



<li>Constipação crônica</li>



<li>Diarreia funcional</li>



<li>Distensão abdominal funcional (<a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/distensao-abdominal-funcional-na-classificacao-roma-v/" type="link" id="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/distensao-abdominal-funcional-na-classificacao-roma-v/">clique aqui para ler mais</a>)</li>



<li>Distúrbio intestinal não classificado</li>



<li>Constipação induzida por opioides</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-sindrome-do-intestino-irritavel-sii"><br><strong>Síndrome do Intestino Irritável (SII)</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-nova-definicao"><strong>Nova definição:</strong></h3>



<p>Dor abdominal <strong>OU desconforto</strong> recorrente (mas não contínuo), com início há pelo menos 6 meses e sintomas presentes nos últimos 3 meses, em uma <strong>frequência ≥3 dias por mês</strong>, associado a dois ou mais dos seguintes critérios:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Associado à evacuação</li>



<li>Associado à mudança na frequência evacuatória</li>



<li>Associado à mudança na forma (aparência) das fezes</li>
</ul>



<p><strong>Critérios que suportam o diagnóstico:</strong> Dor ou desconforto não devem ocorrer apenas no período menstrual.</p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background"><strong>O que mudou?</strong><br>ROMA V reduz o limiar de frequência (vs. ROMA IV) e reintroduz “desconforto” (presente anteriormente no ROMA III), aumentando sensibilidade diagnóstica.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-subtipos"><br><strong>Subtipos:</strong></h3>



<p>Os subtipos permanecem classificados em 4 categorias, de acordo com a escala de Bristol:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>SII com constipação (SII-C)</li>



<li>SII com diarreia (SII-D)</li>



<li>SII com hábito intestinal misto (SII-M)</li>



<li>SII com hábito intestinal não-classificado</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-diagnostico"><strong><br>Diagnóstico</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-principio-central"><strong>Princípio central</strong></h3>



<p>Diagnóstico <strong>positivo</strong>, não de exclusão. Na maioria dos pacientes que preenchem os critérios para o diagnóstico e não apresentam sinais de alarme (veja quadro a seguir), <strong>exames complementares devem ser direcionados e limitados</strong>, considerando a <strong>probabilidade pré-teste</strong> de condições como doenças inflamatórias intestinais (DII), doença celíaca ou colite microscópica.</p>



<figure class="wp-block-table"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Sinais de alarme</strong><br>Anemia<br>Sangramento retal<br>Perda de peso inexplicada<br>Diarreia noturna<br>Início dos sintomas com &gt; 50 anos<br>Incontinência fecal<br>História familiar de neoplasia colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou doença celíaca</td></tr></tbody></table></div></figure>



<p>Se os critérios diagnósticos forem preenchidos e <strong>não houver sinais de alarme</strong>, os exames devem ser limitados e direcionados pelo subtipo predominante:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Hemograma Completo:</strong> Recomendado para excluir anemia (sinal de alarme).</li>



<li><strong>Proteína C Reativa (PCR) e Calprotectina Fecal:</strong> Úteis para diferenciar SII de DII. PCR &lt; 0,5 mg/dl ou calprotectina ≤ 50 µg/g possuem alto valor preditivo negativo para excluir DII.</li>



<li><strong>Sorologia para Doença Celíaca:</strong> Recomendada rotineiramente (Anti-tTG IgA e níveis de IgA total), dada a prevalência de 3,3% de doença celíaca em pacientes com sintomas de SII.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-exames-de-fezes-adicionais"><br><strong>Exames de Fezes Adicionais</strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Parasitológico:</strong> Indicado para pacientes que vivem ou viajaram para áreas endêmicas. Por ser o parasita mais comumente associado à diarreia crônica, antígeno fecal para <em>Giardia lamblia </em>pode ser considerado.</li>



<li><strong>Testes de Sangue Oculto:</strong> Devem ser usados para rastreamento de câncer colorretal de acordo com a idade, mas não são recomendados para diferenciar SII de outras doenças estruturais.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-o-papel-da-endoscopia"><br><strong>O Papel da Endoscopia</strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Colonoscopia:</strong> Não é recomendada rotineiramente para pacientes com SII <strong>sem sinais de alarme (e sem indicação para rastreio de câncer colorretal)</strong>, pois o rendimento diagnóstico é baixo (cerca de 2%).</li>



<li><strong>Exceção (SII-D):</strong> Em pacientes com diarreia predominante, pode-se considerar a colonoscopia com biópsias seriadas para excluir <strong>colite microscópica</strong>, especialmente em mulheres acima de 45 anos.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-o-que-nao-e-recomendado-na-rotina-inicial"><br><strong>O que NÃO é recomendado na rotina inicial:</strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Testes respiratórios para avaliação de má digestão de carboidratos: </strong>Em estudo com pacientes com SII, a prevalência de intolerância a lactose e/ou frutose foi semelhante à população em geral. O teste de hidrogênio expirado para intolerância a lactose pode ser considerado em pacientes selecionados.</li>



<li><strong>Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO) ou supercrescimento metanogênico intestinal (IMO):</strong> Testes respiratórios para SIBO ou IMO não são recomendados como parte da avaliação inicial devido limitações dos testes e evidência insuficiente que suporte seu valor diagnóstico ou terapêutico.</li>



<li><strong>Elastase Fecal:</strong> Não recomendada de rotina para todos os pacientes.</li>
</ul>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background">O ROMA V <strong>desencoraja investigação excessiva</strong>, reforçando exames direcionados pela probabilidade pré-teste.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tratamento"><br><strong>Tratamento</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-comunicacao-adequada"><br><strong>Comunicação adequada</strong></h3>



<p>Explicar o diagnóstico de SII de forma clara, simples e empática é parte central do manejo. Linguagem vaga favorece ceticismo e exames desnecessários. A SII deve ser apresentada como distúrbio da interação cérebro-intestino, influenciado por fatores biológicos (microbiota, sistema imune), gatilhos externos (dieta, estresse) e pela resposta do paciente aos sintomas.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-medidas-gerais"><br><strong>Medidas gerais</strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Fibras: </strong>Suplementação é segura e acessível, devendo priorizar fibras solúveis (psyllium).</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Dieta: </strong>Low FODMAP detém a maior força de evidência.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Exercício: </strong>Benefício modesto, com evidência limitada.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-farmacoterapia-baseada-no-sintoma-predominante"><br><strong>Farmacoterapia baseada no sintoma predominante</strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Constipação (SII-C): Polietilenoglicol</strong> melhora hábito intestinal, mas não dor ou distensão. Secretagogos (linaclotida, plecanatida, lubiprostona) são eficazes, porém com limitações de acesso no Brasil. Prucaloprida ainda pouco estudada na SII-C.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Diarreia (SII-D): Loperamida</strong> é primeira linha para reduzir urgência e frequência.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Dor/desconforto abdominal: </strong>Antiespasmódicos, como <strong>brometo de otilônio,  hioscina e óleo de hortelã-pimenta</strong> aliviam dor. <strong>Antidepressivos tricíclicos</strong> (ex.: amitriptilina em baixa dose) têm evidência robusta e superam ISRSs, reservados para comorbidades psiquiátricas. <strong>Antagonistas 5-HT3 (ondansetrona)</strong> reduzem urgência e frequência, com menor efeito sobre dor isolada.</li>
</ul>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Moduladores imunológicos e da microbiota: </strong>Probióticos apresentam evidência heterogênea, com benefício dependente de cepa e contexto clínico. A <strong>rifaximina</strong> demonstra eficácia consistente na SII com predomínio de diarreia (SII-D), especialmente na redução de distensão abdominal. O transplante de microbiota fecal, por sua vez, ainda carece de evidências robustas que sustentem sua recomendação na prática clínica, sendo atualmente restrito a protocolos de pesquisa. A ebastina (antagonista H1) surge como uma estratégia promissora, com resultados iniciais encorajadores, porém ainda em fase de validação.</li>
</ul>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-terapias-comportamentais-cerebro-intestino"><strong>Terapias Comportamentais Cérebro-Intestino</strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Terapia cognitivo comportamental, hipnoterapia e <em>mindfulness</em> podem melhorar sintomas.</li>



<li>Abordagem multidisciplinar pode ser superior ao cuidado padrão em pacientes selecionados.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao"><br><strong>Conclusão</strong></h2>



<p>Em síntese, o Roma V consolida uma abordagem mais pragmática e centrada no paciente. A SII passa a ser reconhecida mesmo na presença de desconforto abdominal (e não apenas dor), com flexibilização dos critérios de frequência dos sintomas, ampliando sua aplicabilidade na prática clínica. Destaca-se ainda a adoção de uma estratégia mais racional na solicitação de exames complementares, reduzindo investigações desnecessárias. Nesse contexto, a comunicação médico–paciente assume papel terapêutico central. Por fim, o manejo torna-se mais direcionado ao sintoma predominante, favorecendo uma abordagem individualizada, mais eficiente e clinicamente relevante.</p>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencia"><strong>Referência</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Corsetti M, Shin A, Lacy BE, Cash BD, Simrén M, Schmulson MJ, Hou X, Lembo A. Bowel disorders.&nbsp;<em>Gastroenterology</em>. 2026. <a href="https://doi.org/10.1053/j.gastro.2026.02.003">doi:10.1053/j.gastro.2026.02.003.</a></li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Recuero AM, Síndrome do intestino irritável e ROMA V: O que muda na prática? Gastropedia 2026, Vol.1. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11092" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/sindrome-do-intestino-irritavel-e-roma-v-o-que-muda-na-pratica/</a></p>



<p></p>
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