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	<title>Marcela Terra, Autor em Gastropedia</title>
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	<description>Atualização médica de forma descomplicada para profissionais que trabalham com saúde do aparelho digestivo.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 16 Jul 2026 02:02:08 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Marcela Terra, Autor em Gastropedia</title>
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	<item>
		<title>Tratamento da diarreia aguda no adulto: o que mudou com as evidências mais recentes?</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/tratamento-da-diarreia-aguda-no-adulto-o-que-mudou-com-as-evidencias-mais-recentes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Terra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 09:48:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
		<category><![CDATA[Diarreia aguda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Atualize-se sobre o manejo da diarreia aguda no adulto: reidratação, exames, testes moleculares, antibióticos e tratamento sintomático.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><br>A <strong>diarreia aguda</strong> é uma das principais causas de consultas médicas e atendimentos em serviços de urgência. Embora a maioria dos casos seja autolimitada e de etiologia viral, a disponibilidade de testes moleculares e a crescente preocupação com a resistência antimicrobiana modificaram a abordagem diagnóstica e terapêutica nos últimos anos. As diretrizes atuais reforçam uma abordagem racional, baseada na estratificação de risco e no uso criterioso de exames e tratamentos.</p>



<h2 id="h-o-primeiro-passo-e-identificar-sinais-de-gravidade" class="wp-block-heading"><br><strong>O primeiro passo é identificar sinais de gravidade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de definir exames ou medicamentos, é fundamental <strong>identificar pacientes com maior risco de complicações</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os principais <strong>sinais de alerta</strong> incluem:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>hipotensão, taquicardia ou outros sinais de sepse;</li>



<li>desidratação moderada ou grave (letargia, confusão, oligúria ou síncope);</li>



<li>dor abdominal intensa ou distensão abdominal;</li>



<li>febre ≥ 38,5°C;</li>



<li>diarreia com sangue;</li>



<li>mais de seis evacuações em 24 horas;</li>



<li>sintomas por mais de sete dias;</li>



<li>imunossupressão, idade superior a 65 anos, gestação ou comorbidades relevantes.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Essa avaliação continua sendo o principal determinante da conduta.</p>



<h2 id="h-reidratacao-a-intervencao-que-mais-importa" class="wp-block-heading"><br><strong>Reidratação: a intervenção que mais importa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A terapia de reidratação oral permanece o tratamento de primeira linha para pacientes com desidratação leve a moderada. Nos casos de choque, alteração do nível de consciência, íleo paralítico ou vômitos persistentes, está indicada a reposição intravenosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A alimentação deve ser retomada assim que houver tolerância, evitando jejuns prolongados e dietas restritivas. Bebidas com elevada concentração de açúcar, como refrigerantes e alguns sucos industrializados, devem ser evitadas por poderem agravar a diarreia osmótica.</p>



<h2 id="h-nem-todo-paciente-precisa-de-exames" class="wp-block-heading"><br><strong>Nem todo paciente precisa de exames</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>maioria dos adultos com diarreia aguda não necessita investigação laboratorial</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os exames devem ser reservados para pacientes com diarreia sanguinolenta, febre elevada, suspeita de sepse, desidratação importante, sintomas por mais de sete dias, imunossupressão, suspeita de surtos ou hospitalização recente e uso de antibióticos, situações nas quais deve ser considerada a pesquisa para <em>Clostridioides difficile</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de hemograma, eletrólitos e função renal, os <strong>painéis moleculares multiplex por PCR vêm ganhando espaço</strong> por apresentarem maior sensibilidade e rapidez diagnóstica em relação à coprocultura.</p>



<h4 id="h-principais-vantagens-paineis-moleculares" class="wp-block-heading"><br><strong>Principais vantagens painéis moleculares:</strong></h4>



<ul class="wp-block-list">
<li>resultado em poucas horas;</li>



<li>identificação simultânea de vírus, bactérias e parasitas;</li>



<li>maior sensibilidade diagnóstica.</li>
</ul>



<h4 id="h-limitacoes-paineis-moleculares" class="wp-block-heading"><br><strong>Limitações painéis moleculares:</strong></h4>



<ul class="wp-block-list">
<li>custo elevado;</li>



<li>ausência de antibiograma;</li>



<li>detecção de colonização assintomática;</li>



<li>necessidade de correlação com o quadro clínico.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A coprocultura permanece indicada quando há necessidade de teste de sensibilidade antimicrobiana ou investigação epidemiológica.</p>



<h2 id="h-antibioticos-uso-cada-vez-mais-seletivo" class="wp-block-heading"><br><strong>Antibióticos: uso cada vez mais seletivo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O uso empírico de antibióticos tornou-se cada vez mais restrito. Como a <strong>maioria dos episódios é viral e autolimitada</strong>, a antibioticoterapia não deve ser utilizada rotineiramente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode ser considerada em situações específicas, como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>suspeita de cólera;</li>



<li>suspeita de shigelose;</li>



<li>diarreia do viajante moderada ou grave;</li>



<li>pacientes imunossuprimidos com doença grave;</li>



<li>diarreia sanguinolenta associada a febre alta e dor abdominal intensa;</li>



<li>pacientes com sinais de sepse, após coleta das culturas.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Quando indicada, a antibioticoterapia empírica pode ser realizada com ciprofloxacina ou azitromicina, geralmente em dose única ou por três dias, podendo ser estendida para até cinco dias em situações selecionadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antibióticos devem ser evitados quando houver suspeita de infecção por <em>Shiga toxin-producing Escherichia coli</em> (STEC), especialmente em pacientes com diarreia sanguinolenta sem febre, devido ao risco de síndrome hemolítico-urêmica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o agente etiológico é identificado, o tratamento deve ser direcionado conforme o perfil microbiológico e os padrões locais de resistência.</p>



<h2 id="h-tratamento-sintomatico-ainda-tem-papel" class="wp-block-heading"><br><strong>Tratamento sintomático ainda tem papel</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A loperamida é um agente antimotilidade indicado para adultos com diarreia aquosa sem sinais de doença inflamatória ou invasiva. Na diarreia do viajante, quando a antibioticoterapia está indicada, sua associação ao antibiótico acelera o alívio dos sintomas. A combinação com simeticona também pode reduzir o desconforto abdominal e a distensão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dose inicial é de 4 mg, seguida de 2 mg após cada evacuação líquida, até o máximo de 16 mg por dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu uso deve ser evitado em pacientes com febre alta, diarreia com sangue, suspeita de colite invasiva ou infecção por <em>Clostridioides difficile</em>, devido ao risco de complicações, como megacólon tóxico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O subsalicilato de bismuto pode ser utilizado como alternativa para casos leves de diarreia aguda e na diarreia do viajante. Diferentemente da loperamida, seu uso não é contraindicado em pacientes com febre ou diarreia com sangue. A dose recomendada é de 525 mg (30 mL da suspensão ou dois comprimidos de 263 mg) a cada 30 a 60 minutos, até o máximo de oito doses em 24 horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A racecadotrila reduz a secreção intestinal e o volume das fezes, podendo ser utilizada na dose de 100 mg três vezes ao dia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos pacientes com náuseas e vômitos importantes, a ondansetrona pode facilitar a hidratação oral e proporcionar alívio sintomático.</p>



<h2 id="h-probioticos-menos-entusiasmo" class="wp-block-heading"><br><strong>Probióticos: menos entusiasmo</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O papel dos probióticos na diarreia aguda permanece controverso. Embora algumas revisões mostrem redução modesta da duração dos sintomas, os resultados variam conforme a cepa utilizada e a qualidade dos estudos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As recomendações diferem entre as diretrizes. Enquanto algumas sociedades admitem seu uso de forma individualizada, o <em>American College of Gastroenterology (ACG)</em> não recomenda o uso rotineiro de probióticos no tratamento da diarreia aguda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As evidências mais consistentes concentram-se na prevenção da diarreia associada ao uso de antibióticos. Ainda assim, seu uso deve ser evitado em pacientes gravemente enfermos ou imunocomprometidos devido ao risco, embora raro, de infecções sistêmicas.</p>



<h2 id="h-em-resumo" class="wp-block-heading"><br><strong>Em resumo</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>A reposição volêmica continua sendo a principal medida terapêutica.</li>



<li>A maioria dos casos é autolimitada e não requer antibióticos.</li>



<li>A investigação microbiológica e a antibioticoterapia devem ser reservadas para pacientes selecionados.</li>



<li>Os testes moleculares representam um importante avanço diagnóstico, mas devem ser utilizados de forma criteriosa.</li>



<li>O uso rotineiro de probióticos não é recomendado pelas evidências atuais.</li>
</ul>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading"><br><strong>Referências:</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Shane AL, Mody RK, Crump JA, et al. <strong>2017 Infectious Diseases Society of America Clinical Practice Guidelines for the Diagnosis and Management of Infectious Diarrhea.</strong> <em>Clin Infect Dis.</em> 2017;65:e45-e80.</li>



<li>Riddle MS, DuPont HL, Connor BA. <strong>ACG Clinical Guideline: Diagnosis, Treatment, and Prevention of Acute Diarrheal Infections in Adults.</strong> <em>Am J Gastroenterol.</em> 2016;111:602-622.</li>



<li>Fang YH, et al. <strong>Clinical practice guidelines for acute infectious diarrhea in adults (Updated 2025).</strong> <em>J Microbiol Immunol Infect.</em> 2025.</li>



<li>Tay WL, et al. <strong>Acute gastroenteritis in adults.</strong> <em>Singapore Med J.</em> 2025.</li>



<li>Meisenheimer ES, et al. <strong>Acute Diarrhea in Adults.</strong> <em>American Family Physician.</em> 2022.</li>
</ol>



<h2 id="h-como-citar-este-artigo" class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Terra MP. Tratamento da diarreia aguda no adulto: o que mudou com as evidências mais recentes?. Gastropedia 2026, Vol II. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11370" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/tratamento-da-diarreia-aguda-no-adulto-o-que-mudou-com-as-evidencias-mais-recentes/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Diagnóstico de intolerância à lactose: o que o gastroenterologista precisa saber</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/diagnostico-de-intolerancia-a-lactose-o-que-o-gastroenterologista-precisa-saber/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Terra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A intolerância à lactose é uma condição frequente na prática do gastroenterologista, caracterizada por sintomas como distensão abdominal, flatulência, dor abdominal e diarreia. A forma mais comum é a hipolactasia&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A intolerância à lactose é uma <strong>condição frequente</strong> na prática do gastroenterologista, caracterizada por sintomas como <strong>distensão abdominal, flatulência, dor abdominal e diarreia</strong>. A forma mais comum é a hipolactasia primária, decorrente da redução fisiológica e geneticamente determinada da lactase após o desmame.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É essencial diferenciar má absorção de lactose — que pode ser assintomática — da intolerância à lactose, que se caracteriza pela presença de sintomas. Além disso, deve-se diferenciar a forma primária da secundária. Esta última decorre de lesões da mucosa do intestino delgado, como na doença celíaca, no supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO), na doença de Crohn ou após gastroenterites, sendo, em geral, potencialmente reversível com o tratamento da condição de base.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico pode ser feito por <strong>quatro métodos principais</strong> (teste oral de tolerância à lactose, teste genético, teste do hidrogênio expirado e avaliação da lactase em biópsia duodenal), cada um com indicações e limitações. Em alguns casos, o diagnóstico clínico também pode ser considerado. A seguir, detalhamos cada um deles.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-diagnostico-clinico"><strong>Diagnóstico clínico</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Considerar quando:
<ul class="wp-block-list">
<li>Quadro típico após ingestão de lactose</li>



<li>Locais com baixa disponibilidade de exames</li>



<li>Recusa do paciente em realizar investigações adicionais</li>
</ul>
</li>



<li>Maior acurácia (alta probabilidade pré-teste):
<ul class="wp-block-list">
<li>Quando etnias com alta prevalência (africanos, asiáticos)</li>
</ul>
</li>



<li>Estratégia:
<ul class="wp-block-list">
<li>Teste terapêutico (exclusão + reintrodução)</li>



<li>Sempre com avaliação de diagnósticos diferenciais</li>
</ul>
</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-teste-oral-de-tolerancia-a-lactose-curva-glicemica"><br><strong>Teste oral de Tolerância à Lactose (Curva Glicêmica)</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É um método indireto que avalia a digestão da lactose pela resposta glicêmica após sua ingestão. Consiste na administração de cerca de 50 g de lactose, com dosagens de glicemia em jejum e aos 30, 60 e 120 minutos. Em indivíduos com atividade adequada de lactase, observa-se elevação da glicemia. Já na deficiência, essa resposta é reduzida, sendo sugestivo de má absorção um aumento &lt; 20 mg/dL. Sintomas podem ocorrer durante o exame ou nas horas seguintes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Limitações:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Sensibilidade/especificidade reduzidas (~20% falsos positivos e negativos)</li>



<li>Limitações:
<ul class="wp-block-list">
<li>Diabetes mellitus → falsos-negativos (hiperglicemia basal pode levar a elevações &gt; 20 mg/dL)</li>



<li>Gastroparesia → falsos-positivos (retardo na absorção da glicose e atenuação da elevação glicêmica)</li>



<li>Bypass em Y de Roux → falsos-positivos (trânsito acelerado e menor área absortiva &#8211; devido ao desvio do trânsito intestinal há redução do tempo de contato da lactose com a lactase. Respostas glicêmicas imprevisíveis e sintomas de <em>dumping</em>.</li>



<li>Alta carga de lactose (50 g – aproximadamente 1 L de leite) → sintomas podem ocorrer em indivíduos normais</li>
</ul>
</li>



<li>Prática clínica:
<ul class="wp-block-list">
<li>Baixo custo</li>



<li>Disponível no Sistema Único de Saúde (SUS)</li>



<li>Cobertura obrigatória no rol da Agencia Nacional de Saude Suplementar (ANS)</li>



<li>Alternativa quando sem acesso ao teste respiratório</li>
</ul>
</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-teste-genetico-ou-molecular"><br><strong>Teste genético ou molecular</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A genotipagem baseia-se na identificação de polimorfismos de nucleotídeo único, especialmente as variantes LCT-13910C&gt;T e LCT-22018G&gt;A, por meio de amostras de sangue ou swab bucal. É um método útil para confirmar a não persistência da lactase (hipolactasia primária), sobretudo em populações caucasianas, nas quais o genótipo CC se associa à intolerância, enquanto CT e TT estão relacionados à tolerância (CC = intolerância; CT/TT = tolerância), em padrão de herança autossômica recessiva.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Limitações:
<ul class="wp-block-list">
<li>Não detecta formas secundárias</li>



<li>Falsos-negativos em não caucasianos – outros polimorfismos diferentes ( ex: variantes africanas e asiáticas)</li>



<li>Genótipo ≠ fenótipo clínico: ter a variante genética não implica manifestações clínicas</li>
</ul>
</li>



<li>Prática clínica:
<ul class="wp-block-list">
<li>Não disponível no SUS</li>



<li>Não possui Diretriz de Utilização (DUT) e cobertura obrigatória pelo Rol da ANS.</li>



<li>Uso: diferenciação etiológica (hipolactasia primária x secundária)</li>
</ul>
</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-teste-do-hidrogenio-expirado-the-respiratorio"><br><strong>Teste do Hidrogênio expirado (THE) &#8211; Respiratório</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É considerado o método de escolha por ser não invasivo e apresentar boa sensibilidade e especificidade. O exame consiste na mensuração do hidrogênio no ar expirado antes e após a ingestão de lactose (geralmente 25g) com medidas a cada 30 minutos por 180 minutos. Um aumento ≥ 20 ppm em relação ao basal indica fermentação de lactose não absorvida no cólon. A correlação com sintomas durante o teste é fundamental para o diagnóstico clínico.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11116"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="655" height="369" data-id="11116" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose.png" alt="" class="wp-image-11116" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose.png 655w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-300x169.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-585x330.png 585w" sizes="(max-width: 655px) 100vw, 655px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">THE positivo para intolerância a lactose (Imagem ilustrativa gerada por IA)</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11115"><img decoding="async" width="982" height="532" data-id="11115" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-com-pico-precoce.png" alt="" class="wp-image-11115" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-com-pico-precoce.png 982w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-com-pico-precoce-300x163.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-com-pico-precoce-768x416.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/THE-positivo-para-intolerancia-a-lactose-com-pico-precoce-585x317.png 585w" sizes="(max-width: 982px) 100vw, 982px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">THE positivo para intolerância a lactose com pico precoce (Imagem gentlmente cedida por Dra Jamile Kalil)</figcaption></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Falsos-negativos:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Trânsito acelerado</li>



<li>Uso de antibióticos</li>



<li>Microbiota intestinal produtora de metano</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Falsos-positivos:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO)</li>



<li>Trânsito acelerado / anatomia intestinal alterada</li>



<li>Preparo inadequado</li>



<li>Procinéticos / laxantes</li>



<li>Tabagismo</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Pontos-chave:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Pico precoce (aumento ≥ 20 ppm em &lt; 60-90 minutos) → sugere SIBO ou trânsito rápido</li>



<li>SIBO pode:
<ul class="wp-block-list">
<li>gerar falso-positivo</li>



<li>causar hipolactasia secundária</li>



<li>mimetizar sintomas</li>
</ul>
</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Acesso:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Não disponível no SUS</li>



<li>Não está no rol da ANS</li>



<li>Custo mais elevado</li>



<li>Não disponível em vários locais do Brasil</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-teste-da-atividade-da-lactase-em-biopsia-duodenal-teste-rapido-da-lactase"><br><strong>Teste da atividade da lactase em biópsia duodenal &#8211; Teste Rápido da Lactase</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É realizado com biópsias duodenais pós-bulbares durante a endoscopia digestiva alta, avaliando diretamente a atividade enzimática da lactase. A amostra é incubada com um substrato específico e a reação colorimétrica indica o nível de atividade: azul escuro para normolactasia, azul claro para hipolactasia e ausência de mudança para hipolactasia severa. Avalia causas secundárias através da realização de biópsias durante a endoscopia (anatomopatológico).</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Método colorimétrico:
<ul class="wp-block-list">
<li>Azul escuro → normal</li>



<li>Azul claro → hipolactasia</li>



<li>Sem mudança → deficiência severa</li>
</ul>
</li>
</ul>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11117"><img decoding="async" width="777" height="518" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE.png" alt="" class="wp-image-11117" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE.png 777w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE-300x200.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE-768x512.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE-585x390.png 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/04/TESTE-RAPIDO-LACTASE-263x175.png 263w" sizes="(max-width: 777px) 100vw, 777px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Imagem ilustrativa gerada por IA</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Limitações:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Invasivo</li>



<li>Alto custo (pela endoscopia associada)</li>



<li>Não disponível no SUS</li>



<li>Não está no rol da ANS</li>



<li>Distribuição irregular da enzima (<em>patchy</em>) na mucosa duodenal</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>TABELA 1:</strong> Resumo dos principais testes diagnósticos para intolerância a lactose</p>



<figure class="wp-block-table is-style-regular"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><thead><tr><th>Método de Diagnóstico</th><th>Princípio do Teste</th><th>Vantagens Principais</th><th>Limitações e Causas de Falsos Resultados</th><th>Custo (São Paulo – Abril/2026)</th><th>População Alvo Recomendada</th></tr></thead><tbody><tr><td>Teste de Hidrogênio Expirado (THE)</td><td>Mede H2 no ar expirado após ingestão de lactose (25 g), resultante da fermentação bacteriana no cólon.</td><td>• Não invasivo<br>• Padrão ouro</td><td>• Falso-positivos: SIBO, trânsito rápido, anatomia alterada<br>• Falso-negativos: não-produtores de H2 , uso de antibióticos.<br>• Exige jejum e restrições prévias.</td><td>Entre 550-2600 reais</td><td>Adultos e crianças com suspeita de má absorção; Teste de escolha para diagnóstico clínico geral.</td></tr><tr><td><br>Teste Genético</td><td>Identifica variantes de DNA (como 13910C&gt;T) associadas à persistência ou não-persistência da lactase.</td><td>•Minimamente invasivo (sangue ou saliva).<br>• Não requer carga de lactose ou jejum prolongado.<br>• Confirma hipolactasia primária.</td><td>• Não detecta causas secundárias.<br>• Falso-negativos em populações não europeias<br>• Genótipo ≠ fenótipo clínico</td><td>Entre 217-430 reais</td><td>Caucasianos; Útil para distinguir entre má absorção primária e secundária.</td></tr><tr><td><br>Teste Rápido da Lactase</td><td><br>Teste colorimétrico realizado em biópsias duodenais para avaliação da atividade enzimática imediata.</td><td><br>• Resultado rápido em sala de endoscopia<br>• Boa concordância com o THE em resultados positivos.<br>• Avalia causas secundárias</td><td>• Invasivo<br>• Falso negativo: distribuição irregular da enzima na mucosa do intestino.<br>• Custo elevado &#8211; associado a EDA.</td><td><br><br>400 reais &#8211; apenas o teste enzimático (sem custo da EDA)</td><td><br>Pacientes submetidos à endoscopia digestiva alta.</td></tr><tr><td><br><br>Teste de Tolerância à Lactose</td><td><br>Medida da glicemia em intervalos (30, 60, 120 min) após a ingestão de 50g de lactose; aumento &lt; 20 mg/dl = má absorção.</td><td><br>• Baixo custo<br>• Fácil execução em lugares com poucos recursos.</td><td>• Baixa sensibilidade e especificidade<br>• Limitações: Alterações no esvaziamento gástrico e no metabolismo da glicose (DM).<br>• Múltiplas coletas de sangue.</td><td><br>Entre 80 e 390 reais</td><td><br>Sem acesso ao teste respiratório</td></tr></tbody></table></div></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mensagem-final"><br><strong>Mensagem final</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Diagnóstico deve ser <strong>individualizado</strong></li>



<li>Considerar:
<ul class="wp-block-list">
<li>contexto clínico</li>



<li>probabilidade pré-teste</li>



<li>disponibilidade dos exames</li>
</ul>
</li>



<li>Combinação de avaliação clínica + métodos diagnósticos → <strong>maior acurácia e melhor manejo</strong></li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-artigos-relacionados">Artigos relacionados:</h2>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-artigos-relacionados-referencias"><a href="https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/colorretal/testes-para-sangue-oculto-nas-fezes-guaiaco-fit-e-imunocromatografico/" type="link" id="https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/colorretal/testes-para-sangue-oculto-nas-fezes-guaiaco-fit-e-imunocromatografico/">Teste de sangue oculto nas fezes</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Misselwitz B, Butter M, Verbeke K, Fox MR. Update on lactose malabsorption and intolerance: pathogenesis, diagnosis and clinical management. Gut. 2019 Nov;68(11):2080-2091. doi: 10.1136/gutjnl-2019-318404. Epub 2019 Aug 19. PMID: 31427404; PMCID: PMC6839734.</li>



<li>Micic D, Rao VL, Rubin DT. Clinical Approach to Lactose Intolerance. JAMA. 2019;322(16):1600–1601. doi:10.1001/jama.2019.14740</li>



<li>Borralho AI, Marcos P. Lactose Intolerance and Malabsorption Revisited: Exploring the Impact and Solutions. GE Port J Gastroenterol. 2025 Apr 21;32(5):350-357. doi: 10.1159/000545923. PMID: 40432984; PMCID: PMC12105853.</li>



<li>Catanzaro R, Sciuto M, Marotta F. Lactose intolerance: An update on its pathogenesis, diagnosis, and treatment. Nutr Res. 2021 May;89:23-34. doi: 10.1016/j.nutres.2021.02.003. Epub 2021 Mar 21. PMID: 33887513.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Terra MP. Diagnóstico de intolerância à lactose: o que o gastroenterologista precisa saber. Gastropedia 2026, Vol.1. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11113" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/diagnostico-de-intolerancia-a-lactose-o-que-o-gastroenterologista-precisa-saber/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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