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	<title>Arquivos IBP - Gastropedia</title>
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	<description>Atualização médica de forma descomplicada para profissionais que trabalham com saúde do aparelho digestivo.</description>
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	<title>Arquivos IBP - Gastropedia</title>
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		<title>Efeitos adversos associados ao uso prolongado de inibidores de bomba de prótons (IBP)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rafael Bandeira Lages]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Dec 2022 09:00:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estômago]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[IBP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde a introdução do omeprazol em 1989, os inibidores de bomba de prótons (IBPs), também conhecidos como “prazóis”, revolucionaram o tratamento das doenças acido-pépticas. A grande eficiência dessa classe em&#8230;</p>
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<p>Desde a introdução do omeprazol em 1989, os inibidores de bomba de prótons (IBPs), também conhecidos como “prazóis”, revolucionaram o tratamento das doenças acido-pépticas. A grande eficiência dessa classe em bloquear a produção de ácido fez com que rapidamente ela caísse no gosto popular e se tornasse um dos medicamentos mais comercializados no mundo.</p>



<p>Com o seu uso crescente, surgiram na última década uma série de preocupações sobre possíveis efeitos colaterais a longo prazo. Contudo, há divulgação em massa de vários estudos sem adequada interpretação, contribuindo para a insegurança dos médicos prescritores e a ansiedade dos pacientes.&nbsp;</p>



<p>Qual é a verdade afinal? Os “prazóis” causam câncer e demência?</p>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qual a qualidade da evidência?</strong></h2>



<p>A grande maioria das publicações que abordam os efeitos adversos associados ao uso prolongado de IBP é composta por <strong>estudos observacionais retrospectivos</strong>, baseados em grandes bancos de dados coletados inicialmente por propósitos administrativos.</p>



<p class="has-text-align-center has-white-color has-text-color has-background" style="background-color:#1e4079">Esse tipo de estudo torna muito difícil estabelecer relação de causalidade. Afinal, a exposição (usar ou não usar IBP) não é definida aleatoriamente e, por isso, fatores não aleatórios que levaram ao uso ou não de IBP podem impactar a probabilidade de desenvolver um desfecho. Em muitos casos, o motivo pelo qual o paciente está usando o IBP já constitui um fator de risco para o efeito adverso em estudo. Mesmo com as ferramentas estatísticas de regressão multivariada, ainda sobrarão efeitos de confusão residuais devido à presença de diferenças imensuráveis entre os grupos.</p>



<p>Em 1965, Sir Austin Bradford Hill propôs uma lista de 9 critérios para inferir causalidade (Tabela 1). Isso é importante porque <strong>a maioria dos estudos epidemiológicos sugere apenas associações e, como tal, é propensa a vários vieses, levando a extrapolações errôneas para a causalidade.&nbsp;</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/hill.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="585" height="408" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/hill.png" alt="" class="wp-image-3508" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/hill.png 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/hill-300x209.png 300w" sizes="(max-width: 585px) 100vw, 585px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Tabela 1: Critérios de Bradford Hill para estabelecer causalidade<br></strong></figcaption></figure>
</div>


<p></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que o IBP causaria efeitos adversos a longo prazo?</strong></h2>



<p>Em teoria, a maior parte dos efeitos adversos a longo prazo do IBP estariam associados à <strong>hipocloridria</strong>. </p>



<p>Apesar de importante para tratamento de doenças pépticas, como as úlceras e o refluxo gastroesofágico, a redução prolongada de ácido gástrico também poderia ocasionar aumento da produção de gastrina, alteração da microbiota intestinal e redução da absorção de alguns nutrientes.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="696" height="513" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/hipocloridria-png.png" alt="" class="wp-image-3510" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/hipocloridria-png.png 696w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/hipocloridria-png-300x221.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/hipocloridria-png-585x431.png 585w" sizes="(max-width: 696px) 100vw, 696px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1: Mecanismos teóricos pelos quais o IBP poderia causar efeitos adversos a longo prazo</strong></figcaption></figure>
</div>


<p class="has-background" style="background-color:#abb7c23d">ECL = Células enterocromafim-<em>like</em>; GECA = gastroenterocolite aguda; SIBO = Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (Small intestinal bacterial overgrowth); PBE = Peritonite bacteriana espontânea; BCP = broncopneumonia; Ca = cálcio; Fe = ferro; Mg = Magnésio</p>



<p></p>



<p class="has-text-align-center has-white-color has-text-color has-background" style="background-color:#1e4079">Apesar destes efeitos teóricos, a maior parte destas associações não foi comprovada em estudos.</p>



<p></p>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais os riscos de fato?</strong></h2>



<p>A maior parte da evidência consiste de estudos observacionais que identificaram <strong>associações fracas</strong> com risco relativo e <em>odds ratio </em>menor que 2. Além disso, <strong>não há consistência</strong>, pois existem inúmeros <strong>estudos com conclusões opostas</strong>.</p>



<p class="has-text-align-center has-white-color has-text-color has-background" style="background-color:#1e4079">As evidências mais consistentes são do aumento do risco de pólipos de glândulas fúndicas (que são pólipos benignos que não malignizam), de infecções entéricas e de nefrite intersticial aguda (raro, por efeito idiossincrático).</p>



<p>Uma das maiores preocupações dos médicos e pacientes é, sem dúvidas, um possível risco aumentado de malignidade gástrica. Os estudos disponíveis, contudo, são conflitantes e têm vieses importantes e variáveis ​​de confusão. Um estudo chinês de 2017 foi certamente um dos que mais despertou curiosidade sobre o assunto nos noticiários. Ele foi um estudo observacional baseado em banco de dados para auditoria, que identificou um <em>hazard ratio</em> de 2.44 (intervalo 1.42 a 4.20). Mesmo que desconsiderássemos todos os vieses desse estudo e julgássemos que ele fosse uma verdade absoluta (o que com certeza não é, uma vez que não foi observado se houve cura de <em>H. pylori</em> nos pacientes e o grupo usuário de IBP tinha características com maior risco de câncer &#8211; maior idade, mais comorbidades, maior histórico de úlceras, maior tabagismo e maior polifarmácia), ainda sim o aumento absoluto de risco para câncer gástrico em usuários de IBP seria de 4 em 10.000 pessoas-ano (ou seja, aumento absoluto de risco de 0,04% por paciente ao ano).</p>



<p>A Tabela 2 traz um compilado publicado pelo <em>American College of Gastroenterology</em> no <em>guideline</em> de DRGE (2022) quanto aos riscos dos principais efeitos que costumam ser citados como possivelmente associados ao IBP, baseado em estudo randomizado recente.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="859" height="411" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/efeito-adverso-png.png" alt="" class="wp-image-3512" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/efeito-adverso-png.png 859w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/efeito-adverso-png-300x144.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/efeito-adverso-png-768x367.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2022/12/efeito-adverso-png-585x280.png 585w" sizes="(max-width: 859px) 100vw, 859px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Tabela 2: Efeitos adversos associados ao uso prologando de IBP, baseado em estudo randomizado recente. Adaptado de Katz P et al, 2022.</strong></figcaption></figure>
</div>


<p></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conclusão</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Os estudos que identificaram efeitos adversos associados ao uso prolongado de IBPs apresentam falhas, não são considerados definitivos e não estabelecem uma relação de causa e efeito entre os IBPs e as condições adversas.&nbsp;</li>



<li>Apesar de não podermos excluir a possibilidade de que os IBPs possam conferir um pequeno aumento no risco de desenvolver essas condições adversas, isso não justifica a sua suspensão quando bem indicado, uma vez que os benefícios nestes casos superam em muito seus riscos teóricos.&nbsp;</li>



<li>Devemos ser críticos apenas para questionar se a prescrição do IBP está ou não indicada, uma vez que o uso inapropriado gera aumento de custos e exposições desnecessárias. Sempre que possível, outra estratégia adequada é reduzir a prescrição de IBP para a menor dose necessária.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Cheung KS, Chan EW, Wong AYS, Chen L, Wong ICK, Leung WK. Long-term proton pump inhibitors and risk of gastric cancer development after treatment for <em>Helicobacter pylori</em> : a population-based study. Gut 2017:gutjnl-2017-314605. doi:10.1136/gutjnl-2017-314605.</li>



<li>Chinzon D, Domingues G, Tosetto N, Perrotti M. Safety of long-term proton pump inhibitors: facts and myths. Arq Gastroenterol 2022;59:219–25. doi:10.1590/S0004-2803.202202000-40.</li>



<li>Katz PO, Dunbar KB, Schnoll-Sussman FH, Greer KB, Yadlapati R, Spechler SJ. ACG Clinical Guideline for the Diagnosis and Management of Gastroesophageal Reflux Disease. Am J Gastroenterol 2022;117:27–56. doi:10.14309/ajg.0000000000001538.</li>



<li>Malfertheiner P, Kandulski A, Venerito M. Proton-pump inhibitors: Understanding the complications and risks. Nat Rev Gastroenterol Hepatol 2017;14:697–710. doi:10.1038/nrgastro.2017.117.</li>



<li>Moayyedi P, Eikelboom JW, Bosch J, Connolly SJ, Dyal L, Shestakovska O, et al. Safety of Proton Pump Inhibitors Based on a Large, Multi-Year, Randomized Trial of Patients Receiving Rivaroxaban or Aspirin. Gastroenterology 2019;157:682-691.e2. doi:10.1053/j.gastro.2019.05.056.</li>



<li>Nehra AK, Alexander JA, Loftus CG, Nehra V. Proton Pump Inhibitors: Review of Emerging Concerns. Mayo Clin Proc 2018;93:240–6. doi:10.1016/j.mayocp.2017.10.022.</li>



<li>Vaezi MF, Yang YX, Howden CW. Complications of Proton Pump Inhibitor Therapy. Gastroenterology 2017;153:35–48. doi:10.1053/j.gastro.2017.04.047.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p><em>Lages RB., EFEITOS ADVERSOS ASSOCIADOS AO USO PROLONGADO DE INIBIDORES DE BOMBA DE PRÓTONS (IBPs). Gastropedia, 2022. Disponível em: </em><a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/estomago/efeitos-adversos-associados-ao-uso-prolongado-de-inibidores-de-bomba-de-protons-ibp/">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/estomago/efeitos-adversos-associados-ao-uso-prolongado-de-inibidores-de-bomba-de-protons-ibp/</a></p>
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