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	<title>Rodrigo Ambar Pinto, Autor em Gastropedia</title>
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	<description>Atualização médica de forma descomplicada para profissionais que trabalham com saúde do aparelho digestivo.</description>
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	<title>Rodrigo Ambar Pinto, Autor em Gastropedia</title>
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		<title>Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal: Indicações e Abordagem Técnica &#8211; Parte I</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Ambar Pinto,&#160;Amanda Pereira Lima,&#160;Isaac José Felippe Corrêa Neto&#160;e&#160;Lucas Ambar Pinto Anjos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 10:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Colorretal]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Introdução A incontinência fecal (IF) é uma condição que afeta milhões de pessoas globalmente, com prevalência média de 5-7% da população adulta e aumento significativo com a idade.(1) De acordo&#8230;</p>
<p>O post <a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal-indicacoes-e-abordagem-tecnica-parte-i/">Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal: Indicações e Abordagem Técnica &#8211; Parte I</a> apareceu primeiro em <a href="https://gastropedia.pub/pt">Gastropedia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao"><br><strong>Introdução</strong></h2>



<p>A <strong>incontinência fecal (IF)</strong> é uma condição que afeta milhões de pessoas globalmente, com prevalência média de 5-7% da população adulta e aumento significativo com a idade.<sup>(1)</sup> De acordo com os <strong>critérios de Roma V</strong>, a incontinência fecal é definida pela <strong>perda involuntária recorrente de material fecal em indivíduos com idade superior a 4 anos</strong>, caracterizada pela <strong>ocorrência de pelo menos dois episódios de escape fecal e por, no mínimo, um episódio mensal documentado em diário evacuatório de quatro semanas</strong>. Os critérios <strong>devem estar presentes nos últimos 3 meses</strong>, com início dos sintomas há pelo menos 6 meses.<sup>(2,3)</sup></p>



<p>Embora tratamentos conservadores como modificações dietéticas, agentes antidiarreicos, fisioterapia pélvica e biofeedback sejam a primeira linha de abordagem, uma parcela considerável de pacientes permanece refratária a essas intervenções. Nesses casos, a <strong>neuromodulação sacral (NMS)</strong> a partir do final do século passado (1995) emergiu como uma <strong>opção terapêutica eficaz e minimamente invasiva</strong>, oferecendo melhora significativa nos sintomas e na qualidade de vida.</p>



<p>Diante da falha do tratamento conservador, a esfincteroplastia anal, por alguns anos, foi o único tratamento disponível. Na presença de defeitos esfincterianos envolvendo entre 90° e 180° da circunferência, há indicação do reparo sobreposto do esfíncter. Embora simples em conceito, a técnica cirúrgica não é padronizada e está sujeita a muitas variações, sendo mais complexa tecnicamente em relação à NMS, com risco significativo de infecção local e resultados dependentes em grande parte da experiência do cirurgião. Além disso, a recorrência da IF a longo prazo é frequente.<sup>(4)</sup></p>



<p>Este artigo tem como objetivo fornecer aos médicos gastroenterologistas e cirurgiões uma visão detalhada das indicações, mecanismo de ação e descrição da técnica de implante do NMS, com ênfase na padronização do posicionamento do eletrodo, essencial para otimizar os resultados no tratamento da IF.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mecanismo-de-acao"><br><strong>Mecanismo de Ação</strong></h2>



<p>A <strong>Neuromodulação Sacral atua através da estimulação elétrica dos nervos pudendos</strong>, mais comumente localizados na raiz sacral de S3, mas tendo fibras que podem ser localizadas desde S2 até S4. O mecanismo exato de ação não é completamente elucidado, mas acredita-se que envolva a modulação de vias aferentes e eferentes. O nervo espinhal sacral estimulado contém fibras somatomotoras e somatossensoriais, bem como fibras autonômicas dos nervos pélvicos. O efeito da NMS também não se limita à inervação periférica, mas envolve o sistema nervoso central<sup>(5,6)</sup>, resultando em:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Melhora da Função Esfincteriana:</strong> A estimulação dos nervos sacrais pode levar ao aumento do tônus do esfíncter anal interno (EAI) e à melhora da força e resistência do esfíncter anal externo (EAE) e dos músculos do assoalho pélvico.</li>



<li><strong>Restauração da Sensibilidade Retal: </strong>Muitos pacientes com IF apresentam diminuição da sensibilidade retal, levando à falha em reconhecer a presença das fezes. A NMS pode melhorar a percepção retal, permitindo ao paciente reagir apropriadamente ao conteúdo que atinge o reto distal, chegando ao topo do canal anal.</li>



<li><strong>Modulação da Motilidade Colorretal:</strong> A estimulação sacral pode influenciar a motilidade do cólon e do reto, contribuindo para um padrão de evacuação mais controlado.</li>



<li><strong>Influência Central:</strong> Acredita-se que a NMS modifique a atividade neuronal no córtex cerebral, afetando o processamento central das informações sensoriais e motoras relacionadas à função anorretal. Essa hipótese é sustentada por estudos de atividade neuronal no córtex cerebral, sem e com a atuação da NMS.<sup>(7)</sup></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-indicacoes-para-neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal"><br><strong>Indicações para Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal</strong></h2>



<p>A <strong>principal indicação para NMS é a IF refratária</strong> a outras modalidades de tratamento conservador otimizado, sendo que o paciente deve ter sido submetido e falhado a um curso adequado de terapias conservadoras (dieta, medicamentos e fisioterapia pélvica com biofeedback por pelo menos 3 meses.<sup>(8,9)</sup></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-indicacoes-para-neuromodulacao-sacral-10"><br><strong>Indicações para Neuromodulação Sacral<sup>(10)</sup></strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>IF sem resposta ao tratamento conservador, com ou sem lesão esfincteriana.</li>



<li>Incontinência Fecal Pós-Parto: Em pacientes que não obtiveram sucesso com reparo esfincteriano ou após falha de reparos anteriores.</li>



<li>Incontinência Fecal com Lesões Esfincterianas Parciais.</li>



<li>Incontinência Fecal Associada a Doenças Neurológicas Estáveis: Pacientes com lesões medulares incompletas ou outras neuropatias.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-contraindicacoes"><br><strong>Contraindicações</strong></h2>



<p>A avaliação cuidadosa das contraindicações é tão importante quanto a das indicações para garantir a segurança e a eficácia do tratamento:</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-contraindicacoes-absolutas-6"><br><strong>Contraindicações Absolutas<sup>(6)</sup></strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Distúrbios de coagulação não controlados.</li>



<li>Infecção sistêmica ativa ou no local do implante.</li>



<li>Incapacidade de operar o dispositivo de programação (por limitações cognitivas ou físicas), comprometendo a adesão do paciente ao tratamento.</li>



<li>Grandes defeitos anatômicos corrigíveis (ex: prolapso retal total, grandes lesões esfincterianas que demandam reparo primário).</li>



<li>Trabalhadores em ambientes muito quentes, como operadores de caldeiras ou metalúrgicos.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-contraindicacoes-relativas-6"><br><strong>Contraindicações Relativas<sup>(6)</sup></strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Gravidez<sup>(11)</sup></li>



<li>Distúrbios psiquiátricos graves não controlados, que podem afetar a compreensão do paciente e sua capacidade de gerenciar o dispositivo.</li>



<li>Uso crônico de anticoagulantes, que requer uma avaliação cuidadosa de risco/benefício devido ao risco de sangramento.</li>



<li>Deformidades anatômicas na coluna que prejudiquem o implante do eletrodo.</li>



<li>Expectativa de vida limitada, devendo-se ponderar o benefício da intervenção em relação à longevidade do paciente.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-avaliacao-pre-operatoria-do-paciente"><br><strong>Avaliação Pré-operatória do Paciente</strong></h2>



<p><br><strong>Anamnese</strong>: Investigar a frequência, gravidade <em>[</em>escore de Cleveland Clinic Florida<sup>(12)</sup> <em>– Q</em>uadro 1<em>]</em>, impacto da IF na qualidade de vida (utilizando questionários validados como o FIQL &#8211; <em>Fecal Incontinence Quality of Life</em><sup>(13)</sup> e escala de Bristol<sup>(14)</sup> (Figura 1). É fundamental documentar a falha de tratamentos conservadores otimizados.</p>



<figure class="wp-block-table"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><tbody><tr><td><em><strong>Tipo de Incontinência</strong></em></td><td><em><strong>Frequência</strong></em></td><td></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td></td><td><em><strong>Nunca</strong></em></td><td><em><strong>Raramente</strong></em></td><td><em><strong>Às vezes</strong></em></td><td><em><strong>Usualmente</strong></em></td><td><strong>Sempre</strong></td></tr><tr><td><em><strong>Sólida</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Líquida</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Gases</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Uso de Protetores</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Mudança no estilo de vida</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr></tbody></table></div><figcaption class="wp-element-caption">Quadro 1 – Escore de continência de Cleveland Clinic Florida<br>Pontos: 0 = perfeito 20 = incontinência completa.<br>Nunca = 0 (nunca). Raramente = &lt;1/mês. Às vezes = &lt;1/semana, >1/mês.<br>Frequentemente = &lt;1/dia, >1/semana. Sempre = >1/dia. O escore de continência é determinado somando-se os pontos da tabela acima, que leva em consideração o tipo e a frequência da incontinência, bem como o grau em que ela altera a vida do paciente.<br><em>Adaptado de Jorge et al., 1993<sup>(12)</sup></em></figcaption></figure>



<p></p>



<p></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11206"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="820" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-1024x820.png" alt="" class="wp-image-11206" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-1024x820.png 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-300x240.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-768x615.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-585x469.png 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES.png 1026w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><em><strong>Figura 1 &#8211; Escala de Fezes de Bristol</strong></em><br><em>Modificado de:</em> Lewis SJ, Heaton KW. Stool form scale as a useful guide to intestinal transit time. Scand J Gastroenterol. 1997;32:920–924.<sup>(14)</sup><br></figcaption></figure>



<p><strong>Exame Físico Completo</strong>: Incluindo exame proctológico para avaliar o tônus esfincteriano, reflexos e integridade do assoalho pélvico. A observação da resposta anal durante o exame pode ser um indicativo precoce da capacidade de resposta à estimulação.</p>



<p><strong>Diário de Hábitos Intestinais</strong>: Um registro detalhado de pelo menos 2 semanas é essencial para quantificar a frequência dos episódios de incontinência, sua gravidade e avaliar a resposta às terapias anteriores.</p>



<p><strong>Exames Complementares: </strong>para a indicação de neuroestimulação sacral têm papel secundário, permanecendo como métodos de propedêutica mais relacionados à prognóstico. No entanto, a manometria anorretal e o ultrassom endoanal são rotineiramente indicados com intuito de verificar os níveis pressóricos do canal anal e identificação de eventuais falhas esfincterianas, antes da indicação da NMS.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Manometria Anorretal: </strong>avalia a pressão de repouso e de contração dos esfíncteres do ânus, a sensibilidade retal e os reflexos anorretais.</li>



<li><strong>Ultrassonografia Endoanal: </strong>Identifica possíveis lesões anatômicas do esfíncter anal interno e externo.</li>



<li><strong>Ressonância Magnética Pélvica ou Defecografia: </strong>Podem ser úteis para descartar prolapsos, intussuscepções ou outras anormalidades anatômicas que possam requerer correção cirúrgica antes da NMS.</li>
</ul>



<p><strong>Exclusão de outras causas</strong>: É imperativo descartar causas secundárias de IF como doença inflamatória intestinal ativa, tumores colorretais ou diarreia crônica intratável, que exigem tratamentos específicos. Nesse sentido, a indicação de <strong>exame endoscópico (colonoscopia) é recomendada antes da realização de qualquer tratamento invasivo para a IF</strong>.</p>



<p class="has-text-align-center has-pale-ocean-gradient-background has-background">Na parte 2 deste artigo, serão discutidos os detalhes técnicos da neuromodulação sacral, desde o teste de avaliação até o implante definitivo do sistema.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Dawoud C, Reissig L, Müller C, Jahl M, Harpain F, Capek B, et al. Comparison of surgical techniques for optimal lead placement in sacral neuromodulation: a cadaver study. Tech Coloproctol. 2022;26(9):707-712. doi:10.1007/s10151-022-02632-x.</li>



<li>Rome Foundation. Rome V criteria [Internet]. Raleigh (NC): Rome Foundation; [cited 2026 Mar 8]. Available from: <a href="https://theromefoundation.org/rome-iv/rome-v-disorders-of-gut-brain-interaction-5th-edition/">https://theromefoundation.org/rome-iv/rome-v-disorders-of-gut-brain-interaction-5th-edition/</a></li>



<li>Rao SSC, Bharucha AE, Carrington EV, et al. Anorectal disorders. Gastroenterology. 2026;170(6):1318-1346.</li>



<li>Lehur PA, Christoforidis D. Is anal sphincteroplasty out-dated in the era of sacral neuromodulation? J Visc Surg. 2020;157(1):1-2. doi:10.1016/j.jviscsurg.2019.12.005.</li>



<li>Matzel KE, Chartier-Kastler E, Knowles CH, Lehur PA, Muñoz-Duyos A, Ratto C, et al. Sacral neuromodulation: standardized electrode placement technique. Neuromodulation. 2017;20(8):816-824. doi:10.1111/ner.12695.</li>



<li>Bittorf B, Matzel KE. Management of fecal incontinence: surgical treatment options. Visc Med. 2024;40(6):318-324. doi:10.1159/000541355.</li>



<li>Amend B, Matzel KE, Oerlemans D, van Kerrebroeck PE. How does sacral neuromodulation work? Neurourol Urodyn. 2011;30(5):762-765. doi:10.1002/nau.21096.</li>



<li>Brusciano L, Brillantino A, Pellino G, Marinello F, Baeten CI, Digesu A, et al. Sacral nerve modulation for patients with fecal incontinence: long-term outcome and effects on sexual function. Updates Surg. 2023;75(5):1187-1195. doi:10.1007/s13304-023-01570-z.</li>



<li>Ivatury SJ, Wilson LR, Paquette IM. Surgical treatment alternatives to sacral neuromodulation for fecal incontinence: injectables, sphincter repair, and colostomy. Clin Colon Rectal Surg. 2021;34(1):40-48. doi:10.1055/s-0040-1714285.</li>



<li>Katuwal B, Bhullar J. Current position of sacral neuromodulation in treatment of fecal incontinence. Clin Colon Rectal Surg. 2021;34(1):22-27. doi:10.1055/s-0040-1714247.</li>



<li>Salehi-Pourmehr H, Atayi M, Mahdavi N, Aletaha R, Kashtkar M, Sharifimoghadam S, et al. Is sacral neuromodulation effective and safe in pregnancy? A systematic review. Neurourol Urodyn. 2023;42(6):1329-1343. doi:10.1002/nau.25224.</li>



<li>Jorge JM, Wexner SD. Etiology and management of fecal incontinence. Dis Colon Rectum. 1993;36(1):77-97. doi:10.1007/BF02050307.</li>



<li>Yusuf SAI, Jorge JMN, Habr-Gama A, Kiss DR, Rodrigues JG. Avaliação da qualidade de vida na incontinência anal: validação do questionário FIQL (Fecal Incontinence Quality of Life). Arq Gastroenterol. 2004;41(3):202-208. doi:10.1590/S0004-28032004000300013.</li>



<li>Lewis SJ, Heaton KW. Stool form scale as a useful guide to intestinal transit time. Scand J Gastroenterol. 1997;32(9):920-924. doi:10.3109/00365529709011203.</li>



<li>Oliveira L, Hagerman G, Torres ML, Lumi CM, Siachoque JAC, Reyes JC, et al. Sacral neuromodulation for fecal incontinence in Latin America: initial results of a multicenter study. Tech Coloproctol. 2019;23(6):545-550. doi:10.1007/s10151-019-02004-y.</li>



<li>Widmann B, Galata C, Warschkow R, Beutner U, Ögredici Ö, Hetzer FH, et al. Success and complication rates after sacral neuromodulation for fecal incontinence and constipation: a single-center follow-up study. J Neurogastroenterol Motil. 2019;25(1):159-170. doi:10.5056/jnm17106.</li>



<li>Medtronic. InterStim X system [Internet]. Minneapolis (MN): Medtronic; [cited 2026 Mar 8]. Available from: <a href="https://www.medtronic.com/en-us/healthcare-professionals/products/bladder-bowel/sacral-neuromodulation/neurostimulators/interstim-x-system.html">https://www.medtronic.com/en-us/healthcare-professionals/products/bladder-bowel/sacral-neuromodulation/neurostimulators/interstim-x-system.html</a></li>
</ol>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Pinto RA, Lima AP, Neto IJF, Anjos LAP. Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal: Indicações e Abordagem Técnica &#8211; Parte I. Gastropedia 2026, Vol I. Disponível: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11205" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal-indicacoes-e-abordagem-tecnica-parte-i/</a></p>



<p id="h-contraindicacoes-absolutas-6"><br></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Megacolon Chagasico: Diagnóstico e Tratamento</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/colorretal/megacolon-chagasico-diagnostico-e-tratamento/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Ambar Pinto,&#160;Mariane Gouvea Monteiro de Camargo,&#160;Isaac José Felippe Corrêa Neto,&#160;Carlos Frederico Sparapan Marques&#160;e&#160;Sérgio Carlos Nahas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 09:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Colorretal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diagnóstico e Investigação Testes sorológicos: na fase crônica da doença deve-se utilizar pelo menos dois métodos de princípios diferentes para a confirmação do diagnóstico, com sensibilidade de 100% e especificidade&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-diagnostico-e-investigacao"><strong>Diagnóstico e Investigação</strong></h2>



<p><strong>Testes sorológicos</strong>: na fase crônica da doença deve-se utilizar pelo menos dois métodos de princípios diferentes para a confirmação do diagnóstico, com sensibilidade de 100% e especificidade de 96,5%. São eles: hemoaglutinação indireta, imunofluorescência indireta e teste imunoenzimático. </p>



<p><strong>Exame contrastado: </strong>Considera-se que o diâmetro do sigmóide distal maior que 6 cm caracteriza megacólon. No entanto, através do enema opaco, grupo brasileiro, fez estudo com proposta de uma classificação do diâmetro transverso do reto alto/sigmóide distal na altura das cristas póstero-superiores ou ao nível da quarta vértebra lombar. Dessa forma, subdividiu em:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Grau 0: pacientes sem MC: eixo transversal entre 2,0 e 5,0cm</li>



<li>Grau I: intersecção entre pessoas com e sem MC. Eixo entre 5,1 e 9,0cm</li>



<li>Grau II: eixo transverso entre 9,1 e 13,0cm</li>



<li>Grau III: eixo maior que 13,1cm</li>
</ul>



<p><strong>Manometria anorretal:</strong> exame reprodutível e examinador dependente com avaliação dos esfíncteres interno e externo do ânus, relaxamento do músculo puborretal, sensibilidade e capacidade do reto e, na suspeita de MC. A ausência reflexo inibitório retoanal (RIRA), significando comprometimento da inervação da transição anorretal e acalasia do esfíncter interno do ânus, embora seu papel nessa doença ainda permaneça controverso.</p>



<p>Nesse aspecto, grupo brasileiro avaliou a presença do RIRA em 39 portadores de MC e verificou sua ocorrência em 43,6% dos pacientes, entretanto com necessidade de maior insuflação do balão retal com uma média de 196 ml, ao passo que em pessoas sem MC a média de infusão foi de 18,8 ml. Assim, ao injetar 30 ml de ar a probabilidade de detectar o RIRA foi de 12,8%, com 60ml de 15,4% e com 250ml de 43,6%.</p>



<p><strong>Colonoscopia: </strong>exame com objetivo fundamentalmente de rastreio de câncer colorretal, devendo sua indicação obedecer as diretrizes vigentes na literatura nacional e internacional quanto à idade e fatores de risco principalmente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tratamento"><strong>Tratamento</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-a-clinico"><strong>a) Clínico:</strong></h3>



<p>Inicia-se o tratamento do portador de MC sintomático para constipação intestinal com medidas clínica, como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Estimular ingesta hídrica: exceção aos pacientes cardiopatas com restrição de líquidos;</li>



<li>Evitar dieta rica em fibras e formadores de bolo fecal pois aumentam a chance de impactação fecal;</li>



<li>Uso de medicamentos laxativos: lactulose, polietilenoglicol, picossulfato de sódio. Em situações de não evacuação por tempo mais prolongado pode-se utilizar o bisacodil e o uso de supositórios de glicerina a cada 3 a 5 dias</li>



<li>Fisioterapia do assoalho pélvico e biofeedback: para casos em que se associa dissinergia pélvica.</li>



<li>Lavagem intestinal: naquelas situações de não evacuação por longo tempo, mais de 5 dias com as medidas acima, orienta-se a realização de enteroclisma, sempre antecedido de toque retal para a avaliação de fecalomas. Essa, inclusive, é uma das principais indicações de cirurgia eletiva em portadores de MC, ou seja, a refratariedade aos laxantes por via oral e necessidade frequente de idas ao pronto-socorro ou pronto-atendimento para a realização de lavagens intestinais.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-b-cirurgico"><strong>b) Cirúrgico:</strong></h3>



<p>As indicações de cirurgia são: refratariedade do tratamento clínico com necessidade frequente de lavagens intestinais e as complicações agudas, como o volvo de sigmóide principalmente. A cirurgia, quando bem indicada, proporciona importante alívio e melhora do principal sintoma do MC que é a constipação intestinal de tal forma, que a frequência dessa queixa é de 76% entre os pacientes não operados e de 39% entre os pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico (p&lt;0,01). Além disso, estudos demonstram melhora significativa do escore de gravidade de constipação após a cirurgia.</p>



<p>Entretanto, é preciso ter em mente e, transparecer isso aos pacientes e familiares, que a cirurgia para o MC não cura a doença. Os principais objetivos são a melhora da constipação e a redução dos riscos de complicações, como o volvo de sigmoide e a impactação fecal com consequente formação de fecalomas.</p>



<p>Grande parte dos cirurgiões colorretais mais antigos tiveram seus relevantes aprendizados técnicos com a realização de procedimentos para o tratamento do MC, sendo que as principais abordagens para o tratamento dessa doença foram descritas por renomados profissionais do nosso país e as cirurgias possíveis compreendem uma infinidade de técnicas que envolvem diferentes extensões de ressecção do cólon, níveis e formas de anastomose, resultando em morbidade e recorrência pós-operatória variáveis. O racional do tratamento cirúrgico é ressecar toda a área de sigmóide dilatada (sigmoidectomia completa) e evitar a região da transição retossigmoideana para a realização das anastomoses, a fim de evitar a recidiva precoce dos sintomas.</p>



<p>Sendo assim, dentre as principais técnicas descritas historicamente, pode-se citar:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Técnica de Swenson e Soave:</strong> abaixamento de cólon transretal com ressecção de mucosa retal e telescopagem, descrita no final dos anos 1940.</li>



<li><strong>Técnica de Duhamel-Haddad:</strong> abaixamento de cólon retro-retal posterior com exteriorização do coto e anastomose retardada, descrita entre os anos 1950 e 1960.</li>



<li><strong>Técnica de Duhamel-Haddad modificada:</strong> abaixamento de cólon retro-retal posterior com tentativa de anastomose primária e utilização de pinças esmagadoras.</li>



<li><strong>Técnica de Habr-Gama: </strong>nos anos 1990, após surgimento e aprimoramento dos grampeadores e suturas mecânicos foi proposta a retossigmoidectomia com ressecção do reto abaixo do promontório e subsequente anastomose primária na parede posterior do reto distal, término-lateral mecânica extraperitoneal com grampeador de 33 mm (acima do anel anorretal a cerca de 5-7cm da borda anal – Figura 3). O racional da técnica é exclusão boa parte do reto doente do trânsito intestinal, evitando assim a manipulação anterior, que teoricamente teria probabilidade de denervação autonômica e risco de lesão de órgãos e estruturas pélvicas, como a vagina, bexiga, próstata, vesículas seminais e uretra.</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Anastomose-termino-lateral-posterior-mecanica.jpg"><img decoding="async" width="467" height="646" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Anastomose-termino-lateral-posterior-mecanica.jpg" alt="" class="wp-image-8000" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Anastomose-termino-lateral-posterior-mecanica.jpg?v=1707742242 467w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Anastomose-termino-lateral-posterior-mecanica-217x300.jpg?v=1707742242 217w" sizes="(max-width: 467px) 100vw, 467px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 3: Anastomose término-lateral posterior mecânica.</figcaption></figure>
</div>


<p>Essa é a técnica mais utilizada atualmente, sendo ainda mais difundida com o advento da videolaparoscopia. Apresenta taxa média de recorrência de 15-20%, certamente relacionada ao tempo de seguimento, que quanto maior apresenta maiores taxas.</p>



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</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Santos Júnior JCM. Megacólon &#8211; Parte II: Doença de Chagas.&nbsp;Rev Bras Coloproct, 2002(4):266-277</li>



<li>Alves RMA, Thomaz RP, Almeida EA, Wanderley JS, Guariento ME. Chagas’ disease and ageing: the coexistence of other chronic diseases with Chagas’ disease in elderly patients. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 2009; 42(6):622-8</li>



<li>Nahas SC, Dias AR, Dainezi MA, Araújo SEA, Nahas CSR. A Vídeo-Cirurgia no Tratamento do Megacólon Chagásico. Rev bras Coloproct, 2006;26(4): 470-4</li>



<li>Kamiji MM, Oliveira RB. O perfil dos portadores de doença de Chagas, com ênfase na forma digestiva, em hospital terciário de Ribeirão Preto, SP. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 2005; 38(4):305-9</li>



<li>Araújo SEA, Dumarco RB, Rawet V, Seid VE, Bocchini SF, Nahas SC. Depopulation of intersticial cells of Cajal in chagasic megacolon: towards tailored surgery? Arq Bras Cir Dig. 2010;32(2):81-5</li>



<li>Silva AL, Giacomin RT, Quirino VA, Miranda ES. Proposta de classificação do megacólon chagásico através de enema opaco. Rev Col Bras Cir. 2003;30(1):4-10</li>



<li>Cavenaghi S, Felicio OCS, Ronchi LS, Cunrath GS, Melo MMC, Netinho JG. Prevalence of rectoanal inhibitory reflex in chagasic megacolon. Arq Gastroenterol. 2008;45(2):128-31</li>



<li>Nahas SC. Tratamento cirúrgico do megacólon chagásico pela retossigmoidectomia abdominal com anastomose mecânica colorretal término-lateral posterior imediata. Tese Professor Livre Docente, USP, São Paulo, 2000.</li>



<li>Nahas SC, Pinto RA, Dias AR, Nahas CSR, Araújo SEA, Marques CFS, Cecconello I. Long-term follow up of abdominal rectosigmoidectomy with posterior end-to-side stapled anastomosis for Chagas megacolon. Olorectal Dis. 2011;13(3):317-22.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Pinto RA, Neto IJFC, Camargo MGM, Nahas SC, Marques CFS. Megacolon Chagasico: Diagnóstico e Tratamento Gastropedia 2024, Vol.1 Disponível em: gastropedia.pub/pt/cirurgia/colorretal/megacolon-chagasico-diagnostico-e-tratamento/</p>
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		<title>Megacólon Chagásico: fisiopatologia e quadro clínico</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/megacolon-chagasico-fisiopatologia-e-quadro-clinico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Mariane Gouvea Monteiro de Camargo,&#160;Rodrigo Ambar Pinto,&#160;Isaac José Felippe Corrêa Neto,&#160;Carlos Frederico Sparapan Marques&#160;e&#160;Sérgio Carlos Nahas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Feb 2024 13:05:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Colorretal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Definição O termo megacólon caracteriza-se pela dilatação e alongamento do intestino grosso, fundamentalmente devido a alterações da inervação intrínseca dessa víscera, com os consequentes distúrbios morfológicos e funcionais. Etiologia e&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-definicao">Definição</h2>



<p>O termo megacólon caracteriza-se pela dilatação e alongamento do intestino grosso, fundamentalmente devido a alterações da inervação intrínseca dessa víscera, com os consequentes distúrbios morfológicos e funcionais.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-etiologia-e-fisiopatologia">Etiologia e fisiopatologia</h2>



<p>No Brasil e em vários países da América do Sul, a principal etiologia do megacólon é a doença de Chagas (DC), também chamada de Tripanossomíase Americana, causada pela transmissão do <em>Trypanossoma cruzi</em> através insetos triatomídeos hematófagos (Barbeiro), chamados de vetores.</p>



<p>Frequentemente as manifestações são tardias decorrentes da destruição irreversível de células ganglionares periféricas do sistema nervoso autonômico, principalmente o parassimpático, por meio dos plexos mioentérico e submucoso (Auerbach e Meissner).</p>



<p>As alterações na denervação na região retossigmóide e no cólon ocorrem fundamentalmente na fase aguda da infecção pelo <em>Trypanossoma cruzi</em> e dependem do equilíbrio entre o hospedeiro e o parasita que envolve diversos fatores da complexa reação do sistema imunológico.</p>



<p>Entretanto, estudos mais recentes demonstram a participação no megacólon chagásico (MC) também das células intersticiais de Cajal, que são oriundas do mesordema e estão presentes no plexo mioentérico nas camadas longitudinais e circulares do cólon. Entretanto, ainda é incerto se alterações nessas células são primárias ou secundárias na fisiopatologia do MC. Em nosso meio, Araújo et al. demonstraram redução significativa dessas células em espécimes cirúrgicos comparando portadores de MC e pacientes sem DC (p&lt;0,001).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-macroscopia-e-alteracoes-no-colon">Macroscopia e alterações no cólon</h2>



<p>O local de acalasia, dissinergia e maior denervação autonômica no MC é a porção distal do sigmóide e proximal do reto (transição retossigmóide), embora possa ocorrer em todo cólon. Nas vísceras ocas a destruição de células ganglionares provoca, com o passar do tempo, o aparecimento das dilatações, hipertrofias musculares e alongamentos, com maiores repercussões no cólon esquerdo (notadamente no sigmóide) devido ao fato dessa região acomodar o bolo fecal já na forma sólida (Figura 1). Consequentemente, há alterações de secreção, absorção e motilidade cólica.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-medium"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Dilatacao-e-alongamento-do-sigmoide.jpg"><img decoding="async" width="253" height="300" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Dilatacao-e-alongamento-do-sigmoide-253x300.jpg?v=1707740262" alt="" class="wp-image-7997" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Dilatacao-e-alongamento-do-sigmoide-253x300.jpg?v=1707740262 253w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Dilatacao-e-alongamento-do-sigmoide.jpg?v=1707740262 517w" sizes="(max-width: 253px) 100vw, 253px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 1: Dilatação e alongamento do sigmóide no megacólon chagásico.</figcaption></figure>
</div>


<p></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-epidemiologia">Epidemiologia</h2>



<p>A manifestação clínica da DC ocorre mais comumente na 4º e 5º década de vida, com prevalência pouco maior em pacientes do sexo masculino (60%). Afeta cerca de 2-3 milhões de brasileiros, 18 milhões de pessoas na América do Sul e cerca de 120 milhões de latino-americanos estão em risco de contrair a doença. No entanto, observa-se uma queda acentuada dos casos após a década de 90, principalmente pela melhoria das condições de vida e saneamento básico, mas também ao êxodo rural e uso de inseticidas.</p>



<p>Assim, atualmente observa-se que a DC e o MC afetam predominantemente pessoas idosas e isso demonstra a complexidade e necessidade de individualização de conduta e plano terapêutico nessa população. Em levantamento de estudo brasileiro, com análise de 90 portadores de DC, observou-se que a média de outras doenças concomitantes foi de 2,8 ± 1,8 e que quase 18% dos pacientes necessitaram internação no ano anterior, principalmente por descompensação de doença cardíaca e 75% tinham mais de 67 anos de idade.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-formas-de-transmissao">Formas de transmissão:</h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>triatomídeos contaminados</li>



<li>transfusão sanguínea</li>



<li>transplante de órgãos</li>



<li>contaminação vertical</li>



<li>contaminação por via oral através de alimentos</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-locais-de-acometimento">Locais de acometimento</h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Locais-de-acometimento.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="766" height="155" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Locais-de-acometimento.png" alt="" class="wp-image-7998" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Locais-de-acometimento.png 766w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Locais-de-acometimento-300x61.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Locais-de-acometimento-585x118.png 585w" sizes="(max-width: 766px) 100vw, 766px" /></a></figure>



<p>A investigação dos órgãos acometidos pela DC é de fundamental importância já que a miocardiopatia constitui-se tanto em principal causa de óbito quanto em fator contribuinte para o mesmo. Além disso, no caso de doença esofágica, a existência de desnutrição é frequente, também colaborando para o aumento da morbimortalidade desses pacientes.</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-pale-ocean-gradient-background has-background is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
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</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-quadro-clinico">Quadro clínico</h2>



<p>Cerca de 30-60% dos portadores de DC apresentarão sintomas relacionados à doença e destes e 7-10% terão queixas relacionadas ao trato digestório, sendo a colopatia a que tem manifestação mais tardia</p>



<p>O principal sintoma do portador de MC é a constipação intestinal crônica com piora progressiva ao longo do tempo. Cerca de 70% dos pacientes com MC ficam ser evacuar por mais de 10 dias e 37% por mais de 20 dias. Dessa forma, embora possa haver sintomas de obstrução de saída associados, ou dissinergia, a principal característica desses pacientes é o longo tempo sem o desejo de evacuar (diferente dos pacientes com obstrução de saída clássica, que habitualmente apresentam o desejo eventualmente várias vezes ao dia). Entretanto, importante ressaltar que, como as fezes são ressecadas habitualmente, e há a dissinergia da musculatura anorretal, é comum o relato de esforço evacuatório e dificuldade em eliminá-las ao longo tempo para a exoneração.</p>



<p>O meteorismo também é um sintoma bastante comum e pode vir acompanhado por redução da ingesta alimentar não só pela distensão abdominal, mas também pelo excesso de fezes no cólon e também, não incomumente, como relato dos pacientes que evitam ingerir alimentos para não acumular fezes. Entretanto, essa redução da quantidade de alimentação precisa ser bem diferenciada da disfagia consequente da acalasia do esôfago.</p>



<p>Ao exame físico, pode-se constatar:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>sinais de desnutrição</li>



<li>distensão abdominal</li>



<li>aumento do timpanismo no espaço de Traube</li>



<li>deslocamento do cólon sigmóide para o abdome direito</li>



<li>sinal de Gersuny: palpação moldável do hipogástrio e fossa ilíaca esquerda (FIE) com sensação de descolamento ao relaxar, devido acúmulo de fezes no cólon esquerdo (fecaloma).</li>
</ul>



<p>Além disso, é primordial em todas as consultas, a realização do toque retal, já que a incidência de fecaloma em portadores de MC ao longo da vida é em torno de 50%.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-complicacoes">Complicações:</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>impactação fecal e formação de fecaloma</li>



<li>úlcera estercorácea: decorre da ação mecânica da impactação fecal na parede intestinal com formação de área de isquemia. Ocorre em cerca de 3% dos casos de MC.</li>



<li>volvo de sigmóde: quadro agudo de importante distensão abdominal, parada de eliminação de fezes e flatos e vômitos, provocada por alongamento crônico do mesocólon devido à dilatação do lúmen e distensão por fezes, com rotação organoaxial aguda. O sinal radiológico clássico é o do grão de café (Figura 2).</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Radiografia-abdome.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="435" height="652" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Radiografia-abdome.jpg" alt="" class="wp-image-7999" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Radiografia-abdome.jpg?v=1707741104 435w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/02/Radiografia-abdome-200x300.jpg?v=1707741104 200w" sizes="(max-width: 435px) 100vw, 435px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 2: Radiografia simples de abdome ortostática com volvo de sigmóide.</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Santos Júnior JCM. Megacólon &#8211; Parte II: Doença de Chagas.&nbsp;Rev Bras Coloproct, 2002(4):266-277</li>



<li>Alves RMA, Thomaz RP, Almeida EA, Wanderley JS, Guariento ME. Chagas’ disease and ageing: the coexistence of other chronic diseases with Chagas’ disease in elderly patients. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 2009; 42(6):622-8</li>



<li>Nahas SC, Dias AR, Dainezi MA, Araújo SEA, Nahas CSR. A Vídeo-Cirurgia no Tratamento do Megacólon Chagásico. Rev bras Coloproct, 2006;26(4): 470-4</li>



<li>Kamiji MM, Oliveira RB. O perfil dos portadores de doença de Chagas, com ênfase na forma digestiva, em hospital terciário de Ribeirão Preto, SP. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 2005; 38(4):305-9</li>



<li>Araújo SEA, Dumarco RB, Rawet V, Seid VE, Bocchini SF, Nahas SC. Depopulation of intersticial cells of Cajal in chagasic megacolon: towards tailored surgery? Arq Bras Cir Dig. 2010;32(2):81-5</li>



<li>Silva AL, Giacomin RT, Quirino VA, Miranda ES. Proposta de classificação do megacólon chagásico através de enema opaco. Rev Col Bras Cir. 2003;30(1):4-10</li>



<li>Cavenaghi S, Felicio OCS, Ronchi LS, Cunrath GS, Melo MMC, Netinho JG. Prevalence of rectoanal inhibitory reflex in chagasic megacolon. Arq Gastroenterol. 2008;45(2):128-31</li>



<li>Nahas SC. Tratamento cirúrgico do megacólon chagásico pela retossigmoidectomia abdominal com anastomose mecânica colorretal término-lateral posterior imediata. Tese Professor Livre Docente, USP, São Paulo, 2000.</li>



<li>Nahas SC, Pinto RA, Dias AR, Nahas CSR, Araújo SEA, Marques CFS, Cecconello I. Long-term follow up of abdominal rectosigmoidectomy with posterior end-to-side stapled anastomosis for Chagas megacolon. Olorectal Dis. 2011;13(3):317-22.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo">Como citar este artigo</h2>



<p class="has-background" style="background-color:#c5ccd5">Pinto RA, Neto IJFC, Camargo MGM, Nahas SC, Marques CFS. Megacólon Chagásico: fisiopatologia e quadro clínico Gastropedia 2024, Vol. 1 Disponível em: gastropedia.pub/pt/cirurgia/megacolon-chagasico-fisiopatologia-e-quadro-clinico/</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Constipação intestinal funcional: como diferenciar e manejar?</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/constipacao-intestinal-funcional-como-diferenciar-e-manejar/</link>
					<comments>https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/constipacao-intestinal-funcional-como-diferenciar-e-manejar/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Ambar Pinto,&#160;Isaac José Felippe Corrêa Neto,&#160;Amanda Pereira Lima&#160;e&#160;Carlos Frederico Sparapan Marques]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Dec 2023 09:47:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Colorretal]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Resumo: A Constipação Intestinal Funcional ou Constipação Intestinal Crônica (CIC) é uma desordem do trato gastrointestinal (TGI) baixo que pode estar associada a sintomas como evacuação infrequente e incompleta,&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>&nbsp;</p>



<h2 id="h-resumo" class="wp-block-heading"><strong>Resumo:</strong></h2>



<p>A Constipação Intestinal Funcional ou Constipação Intestinal Crônica (CIC) é uma desordem do trato gastrointestinal (TGI) baixo que pode estar associada a sintomas como evacuação infrequente e incompleta, afetando entre 15-20% dos adultos e contando com um grupo de sintomas que vão além do número de evacuações por semana. Suas causas são divididas em primária e secundária. A investigação diagnóstica inicia com uma anamnese direcionada ao hábito alimentar e intestinal, uso de medicamentos e sintomas de trânsito lento ou obstrução de saída. O manejo clínico deve ser iniciado antes mesmo da utilização da propedêutica armada, que tem maior utilidade quando se pensa em intervenções terapêuticas dirigidas, como a fisioterapia ou mesmo a cirurgia. Neste capítulo abordaremos a CIC desde sua etiologia até o manejo apropriado. Se quiser conferir nossa <strong>live </strong>discutindo esse assunto <strong><a href="https://gastropedia.com.br/live/constipacao-funcional-como-diferenciar-e-manejar/">clique aqui</a></strong>.</p>



<h2 id="h-introducao" class="wp-block-heading"><strong>Introdução</strong></h2>



<p>A Constipação Intestinal Crônica (CIC) é uma desordem do trato gastrointestinal (TGI) baixo do eixo intestino-cérebro e pode estar associada a sintomas como evacuação infrequente e incompleta, na ausência de anormalidades estruturais.</p>



<p>A CIC é um problema de alta prevalência, afetando entre 15-20% dos adultos, dentre os quais 33% possuem idade maior que 60 anos, com predominância no sexo feminino.</p>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">A definição de CIC envolve não apenas a redução do número de evacuações por semana, mas um conjunto de sintomas como esforço evacuatório, sensação de evacuação incompleta, incapacidade de evacuar, uso de manobras digitais para eliminar as fezes, fezes endurecidas ou “<em>bloating”</em> e distensão abdominal.</p>



<h2 id="h-etiologia" class="wp-block-heading"><strong>Etiologia</strong></h2>



<p>Causas de CIC podem ser dívidas nas seguintes categorias:</p>



<h3 id="h-primaria-ou-idiopatica" class="wp-block-heading"><strong>Primária ou Idiopática:</strong></h3>



<p>Pacientes com esta condição geralmente não possuem uma causa identificada na história e no exame físico. Geralmente diagnosticada após exclusão de causas orgânicas, podendo ser classificadas da seguinte forma:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Tempo de Trânsito Normal: a</strong>pesar do trânsito do bolo fecal pelo cólon ser normal, pacientes apresentam dificuldades de evacuar. Corresponde a cerca de 60-65% dos casos.</li>



<li><strong>Disfunção do Assoalho Pélvico/ Obstrução de Saída</strong> <strong>(ODS): </strong>ocorre por prejuízo na musculatura do assoalho pélvico e pacientes frequentemente relatam sensação de evacuação incompleta, esforço evacuatório prolongado ou excessivo, uso de manobras/pressão perineal durante evacuação. Ocorre em aproximadamente 20-25% dos portadores de CIC.</li>



<li><strong>Tempo de Trânsito Lento / Inércia Cólica (IC):</strong> caracterizado por movimentos intestinais infrequentes, pouca urgência fecal ou esforço evacuatório. Corresponde a cerca de 5% dos casos</li>



<li><strong>Mistas: </strong>IC associada a ODS, sendo observada em 2-3% dos pacientes portadores de CIC</li>
</ul>



<h3 id="h-causas-secundarias" class="wp-block-heading"><strong>Causas Secundárias:</strong></h3>



<p>A avaliação clínica deve buscar investigar causas intestinais e extraintestinais, anormalidades metabólicas/hormonais e uso de medicamentos (quadro 1).</p>



<figure class="wp-block-table">
<div class="pcrstb-wrap"><table>
<tbody>
<tr>
<td><strong>Intestinais</strong><br />Tumores obstrutivos, estenose anal, atrasia anal, fissura anal, ânus imperfurado, estenoses inflamatórias ou pós-operatórias, volvo, endometriose</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Causas Neurológicas</strong><br />Doença de Hirchsprung, pseudo-obstrução intestinal, displasia neuronal, lesões medulares, espinha bífida, acidente vascular encefálico, doença de Parkinson, Esclerose Multipla, doença de Chagas, disautonomia familiar</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Medicamentos</strong><br />Anticolinérgicos, narcóticos, antidepressivos, sulfato ferroso, bloqueadores dos canais de cálcio, anti-inflamatórios não esteroides (AINES), drogas psicotrópicas, intoxicação por vitamina D</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Causas Metabólicas e Endócrinas</strong><br />Hipocalemia, hipercalcemia, hipotiroidismo, diabetes mellitus (DM) e diabetes insipidus</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Miscelânea</strong><br />Doença celíaca, alergia à proteína do leite, Fibrose Cística, Doença inflamatória intestinal (DII) e esclerodermia, Síndrome de Down, Gastrosquise, síndrome de Prune Belly.</td>
</tr>
</tbody>
</table></div>
<figcaption class="wp-element-caption"><strong>Quadro 1-</strong> Causas secundárias de constipação</figcaption>
</figure>



<h2 id="h-avaliacao-clinica" class="wp-block-heading"><strong>Avaliação Clínica</strong></h2>



<p>A investigação da Constipação Intestinal Crônica inicia-se com uma avaliação detalhada do hábito intestinal, incluindo ingestão de fibras e líquidos, história familiar de doenças gastrointestinais, neurológicas e sistêmicas e exame físico completo, não devendo ser menosprezado o exame proctológico, particularmente a força de propulsão retal e o relaxamento ou não do músculo puborretal (Figura 1).</p>



<p>&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/Design-sem-nome.png"><img decoding="async" class="wp-image-8034" src="https://gastropedia.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Design-sem-nome-1024x555.png" alt="" /></a>
<figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1:</strong> Ação do músculo puborretal na contração paradoxal à esquerda, dificultando a evacuação e relaxando normalmente à direita.</figcaption>
</figure>



<p>Também é importante na anamnese interrogar possíveis causas secundárias de constipação (vide quadro 1) e descartar sinais de alarme para câncer colorretal, como perda de peso não intencional, sangramento via retal, história familiar de câncer ou doença inflamatória intestinal, pois se presentes, uma colonoscopia deve ser indicada.</p>



<p>A utilização de <strong>critérios objetivos</strong> para o diagnóstico de CIC é fundamental não só com esse objetivo, mas também para o seguimento e reavaliação do tratamento efetuado.</p>



<p><strong>Dentre eles citam-se:</strong></p>



<p><strong>&#8211; Critérios de Roma IV</strong>: sintomas presentes nos últimos três meses (não necessariamente consecutivos) e por um mínimo de seis meses (quadro 2).</p>



<p><strong>&#8211; Escala da consistência das fezes de Bristol</strong> (Figura 2)</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/Design-sem-nome-1.png"><img decoding="async" class="wp-image-8036" src="https://gastropedia.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Design-sem-nome-1.png" alt="" /></a>
<figcaption class="wp-element-caption"><br /><strong>Figura 2:</strong> escala de consistência das fezes</figcaption>
</figure>



<p>&nbsp;</p>



<p><strong>&#8211; Critérios de gravidade da CIC</strong>: <em>Constipation Score System Cleveland Clinic Florida</em>&#8211; critérios de Agachan, que conta com 8 questões referentes à hábito intestinal e dificuldade evacuatória e a frequência de ocorrência, variando de 0 a 30 pontos.</p>



<p>&#8211; Avaliação da <strong>qualidade de vida</strong> a partir de <strong>questionários</strong> específicos.</p>



<figure class="wp-block-table">
<div class="pcrstb-wrap"><table>
<tbody>
<tr>
<td><strong>Constipação Funcional</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>1.</strong> Deve incluir 2 ou mais dos seguintes sintomas, presentes em &gt;25% das defecações:<br /><strong>a.</strong> Esforço<br /><strong>b.</strong> Fezes endurecidas ou grumosas (Bristol 1-2)<br /><strong>c.</strong> Sensação de evacuação incompleta<br /><strong>d. </strong>Sensação de bloqueio retal/obstrução<br /><strong>e.</strong> Manobras manuais para facilitar (manobras digitais, suporte para o assoalho pélvico)<br /><strong>f. </strong>&lt;3 movimentos intestinais espontâneos por semana<br /><strong>2</strong>. Fezes macias raramente presentes sem o uso de laxativos<br /><strong>3</strong>. Critérios insuficientes para SII-c</td>
</tr>
</tbody>
</table></div>
<figcaption class="wp-element-caption"><strong>Quadro 2</strong> – Critérios de Roma IV para diagnóstico de CIC</figcaption>
</figure>



<h2 id="h-exames-complementares" class="wp-block-heading"><strong>Exames Complementares</strong></h2>



<p>A investigação armada deve ser realizada em casos de CIC refratários ao tratamento medicamentoso, de acordo com o fluxograma sugerido na Figura 3.</p>



<h3 id="h-1-manometria-anorretal" class="wp-block-heading"><strong>1. Manometria Anorretal</strong></h3>



<p>Fornece informações importantes como presença do reflexo inibitório retoanal (RIRA), tônus dos esfíncteres interno e externo do ânus, sinais sugestivos de contração paradoxal ou não relaxamento adequado do músculo puborretal, além da sensibilidade, capacidade e complacência retais.</p>



<p>Ao final do exame, preconiza-se a realização do teste de expulsão do balão retal, em que solicita-se ao paciente a eliminação do mesmo, preferencialmente na posição sentada no vaso sanitário, em uma de três tentativas com duração de 60 segundos cada. Saiba mais sobre manometria anorretal <strong><a href="https://gastropedia.com.br/cirurgia/manometria-anorretal-conceitos-indicacoes-e-tecnica/">neste artigo</a></strong>.</p>



<h3 id="h-2-exame-dinamico-da-evacuacao-videodefecografia-ressonancia-magnetica-dinamica-do-assoalho-pelvico-ou-ecodefecografia" class="wp-block-heading"><strong>2. Exame dinâmico da evacuação: Videodefecografia, Ressonância Magnética dinâmica do assoalho pélvico ou Ecodefecografia</strong></h3>



<p>Fornecem informações úteis sobre alterações anatômicas, como retocele, prolapso retal, enterocele, sigmoidocele, intussuscepção intrarretal, descenso perineal e dissinergia pélvica (contração paradoxal do músculo puborretal e anismos).</p>



<h3 id="h-3-tempo-de-transito-colico-ttc" class="wp-block-heading"><strong>3. Tempo de Trânsito Cólico (TTC)</strong></h3>



<p>O TTC é realizado com a ingestão de uma cápsula contendo 24 marcadores radiopacos, com realização de Raios X de abdome e pelve no primeiro, terceiro e quinto dia após a ingestão. Considera-se normal a retenção de menos de 5 marcadores (20% do ingerido) ao final do 5º dia. Caso haja retenção de mais marcadores pode-se encontrar 2 padrões distintos de alteração: inércia cólica onde os marcadores ficam distribuídos aleatoriamente pelo cólon e reto; e obstrução de saída onde os marcadores concentram-se no retossigmóide.</p>



<p>&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/Design-sem-nome-2.png"><img decoding="async" class="wp-image-8038" src="https://gastropedia.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Design-sem-nome-2-526x1024.png" alt="" /></a>
<figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 3: </strong>Fluxograma de investigação da constipação intestinal crônica</figcaption>
</figure>



<h2 id="h-manejo-da-constipacao-intestinal-cronica" class="wp-block-heading"><strong>Manejo da Constipação Intestinal Crônica</strong></h2>



<p><strong>Tratamento Não-Farmacológico</strong></p>



<p>Mudanças no estilo de vida auxiliam no controle intestinal, com aumento da atividade física, ingestão de líquidos e carboidratos complexos ricos em fibras. Alteração na dieta costuma ser o manejo de primeira linha eficaz, sendo recomendado o aumento do consumo de fibras em aproximadamente 25-30g por dia.</p>



<p><strong>Tratamento Farmacológico</strong></p>



<p>Pacientes que não obtiveram resposta com mudanças no estilo de vida devem seguir o tratamento com formadores de bolo fecal e, a seguir tem-se uma gama de laxantes, como os osmóticos &#8211; polietilenoglicol (PEG) e lactulose, estimulantes – bisacodil, sena e picossulfato de sódio, agentes pró-cinéticos como a prucaloprida, lubiprostona e linaclotida. Enemas ou supositórios devem ser utilizados em casos selecionados e por períodos curtos, assim como os medicamentos laxativos, principalmente os estimulantes.</p>



<p><strong>Tratamento da disfunção do assoalho pélvico (Biofeedback)</strong></p>



<p>Pacientes com obstrução de saída (anismus, contração paradoxal do músculo puborretal ou síndrome da espasticidade do assoalho pélvico) devem ser encaminhados a fisioterapia pélvica e biofeedback para reeducação do relaxamento da musculatura pélvica durante o ato evacuatório.</p>



<h2 id="h-tratamento-cirurgico" class="wp-block-heading"><strong>Tratamento Cirúrgico</strong></h2>



<p><strong>Constipação por inércia cólica</strong></p>



<p>Pacientes refratários ao tratamento conservador, após exclusão de obstrução de saída, podem se beneficiar de uma colectomia total com anastomose ileorretal minimamente invasiva. Antes de indicar o tratamento cirúrgico, é importante na investigação descartar dismotilidade do TGI superior (gastroparesia e pseudo-obstrução intestinal), doenças psiquiátricas graves e doenças neurológicas sistêmicas como diabetes mellitus e esclerose sistêmica.</p>



<p><strong>Obstrução de Saída</strong></p>



<p>As principais indicações de cirurgia no tratamento da constipação por obstrução de saída são retoceles, enteroceles, sigmoidoceles e prolapsos, e a técnica cirúrgica utilizada deve ser individualizada, dentre as correções transanal, transvaginal, transperineal ou abdominal minimamente invasiva.</p>
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<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Agachan F, Chen T, Pfeifer J, Reissman P, Wexner SD. A constipation scoring system to simplify evaluation and management of constipated patients. Dis Colon Rectum. 1996; 39:681-5.</li>



<li>Chang L, Chey WD, Imdad A, Almario CV, Bharucha AE, Diem S, et al. American Gastroenterological Association &#8211; American College of Gastroenterology clinical practice guideline: pharmacological management of chronic idiopathic constipation. The American Journal of Gastroenterology. 2023;118(6):936-54.</li>



<li>Sobrado CW, Corrêa Neto IJF, Pinto RA, Sobrado LF, Nahas SC, Cecconello I. Diagnosis and treatment of constipation: a clinical update based on the Rome IV criteria. Journal of Coloproctology. 2018; 38:137-44.</li>



<li>Costilla VC, Foxx-Orenstein AE. Constipation in adults: diagnosis and management. Current Treatment Options in Gastroenterology. 2014;12(3):310-21.</li>



<li>Pannemans J, Masuy I, Tack J. Functional constipation: individualising assessment and treatment. Drugs. 2020;80(10):947-63.</li>



<li>Soh JS, Lee HJ, Jung KW, Yoon IJ, Koo HS, Seo SY, et al. The diagnostic value of a digital rectal examination compared with high-resolution anorectal manometry in patients with chronic constipation and fecal incontinence. The American Journal of Gastroenterology. 2015;110(8):1197-204.</li>



<li>Tantiphlachiva K, Rao P, Attaluri A, Rao SS. Digital rectal examination is a useful tool for identifying patients with dyssynergia. Clinical Gastroenterology and Hepatology: the official clinical practice journal of the American Gastroenterological Association. 2010;8(11):955-60</li>
</ol>



<h2 id="h-como-citar-este-artigo" class="wp-block-heading">Como citar este artigo</h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Pinto RA, Correa Neto IJ, Lima AP, Marques CFS. Constipação intestinal funcional: como diferenciar e manejar? Gastropedia 2023, vol 2. Disponível em: <a href="https://gastropedia.com.br/?p=8033" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.com.br/cirurgia/colorretal/constipacao-intestinal-funcional-como-diferenciar-e-manejar/</a></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Manometria Anorretal: conceitos, indicações e técnica</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/manometria-anorretal-conceitos-indicacoes-e-tecnica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Ambar Pinto&#160;e&#160;asdYShew2232ys@askd]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Nov 2023 09:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Colorretal]]></category>
		<category><![CDATA[constipação intestinal]]></category>
		<category><![CDATA[incontinencia anal]]></category>
		<category><![CDATA[manometria anorretal]]></category>
		<category><![CDATA[obstipacao intestinal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A manometria anorretal é um exame utilizado para avaliação da função do reto e aparelho esfincteriano esfincteriana. Sua utilidade é principalmente valorizada em pacientes que apresentam distúrbios funcionais, como a&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A manometria anorretal é um exame utilizado para avaliação da função do reto e aparelho esfincteriano esfincteriana. Sua utilidade é principalmente valorizada em pacientes que apresentam distúrbios funcionais, como a constipação intestinal e a incontinência fecal, auxiliando no manejo destes pacientes. Neste artigo vamos aprender sobre os conceitos, as principais indicações e a técnica de realização.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao"><strong>Introdução</strong></h2>



<p>O assoalho pélvico é uma estrutura muscular peculiar, com importante função na manutenção da continência anal e influência na defecação, sendo que a sua disfunção, seja por motivos funcionais, anatômicos e/ou neurológicos acarretam em morbidades com significativo impacto social, emocional, psicológico e econômico. São consideradas anormalidades do assoalho pélvico a incontinência urinária, prolapso de órgãos pélvicos, incontinência anal, disfunção evacuatória e desordens sexuais, dentre outras.</p>



<p>Os <strong>distúrbios da evacuação</strong>, seja a <strong>incontinência fecal (IF)</strong> ou a <strong>constipação intestinal crônica (CIC)</strong>, representam alterações do assoalho pélvico bastante frequentes na população em geral mais comumente naqueles com fatores de risco, ou seja, idosos, mulheres com passado obstétrico, comorbidades (como esclerodermia, hipotireoidismo, diabetes mellitus), antecedente de radioterapia pélvica, pacientes acamados ou com déficits de locomoção, história de cirurgias orificiais, uso crônico de analgésicos, opióides e medicamentos psiquiátrico, dentre outros.</p>



<p>A incontinência fecal apresenta incidência bastante variável e dependente fundamentalmente da idade da população de estudo, de tal forma que a incidência oscila entre 1,4 a 18%, com média geral de 2 a 8,4%. Por outro lado, constipação intestinal crônica (CIC) é um dos transtornos gastrointestinais funcionais mais comuns com elevada prevalência na população, acometendo 16% dos adultos e até 33% daqueles maiores que 60 anos de idade, mais especificamente o sexo feminino com prevalência de 2 a 3:1 quando comparado com o sexo masculino.</p>



<p>A manometria anorretal pode auxiliar médico assistente, seja ele o gastroenterologista, cirurgião do aparelho digestivo, coloproctologista ou de outra especialidade médica a entender melhor o distúrbio que está sendo avaliado e auxiliar no seu manejo. A seguir discutiremos sobre as indicações, conceitos e técnicas da manometria anorretal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-indicacoes"><strong>Indicações</strong></h2>



<p>A manometria anorretal (MNAR) pode ser indicada principalmente para os casos de:</p>



<ul class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-list">
<li>incontinência fecal (IF);</li>



<li>constipação intestinal;</li>



<li>dissinergia do assoalho pélvico;</li>



<li>prolapso de órgãos pélvicos: retocele, enterocele, prolapso mucoso, procidência retal e cistocele;</li>



<li>dor pélvica crônica: endometriose, proctalgia fugaz;</li>



<li>pré-operatório de cirurgias orificiais e reconstrução de trânsito intestinal;</li>



<li>pós-operatório de cirurgia colorretal, notadamente em paciente com a síndrome da ressecção anterior do reto.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tecnica-para-execucao"><strong>Técnica para execução</strong></h2>



<p>Cerca de 2-3 horas antes do exame indica-se o preparo intestinal retrógrado com um frasco de phosphoenema® ou dois de Minilax® (enemas evacuatórios). Não é necessário restrição alimentar. No momento do exame, posiciona-se o paciente em decúbito lateral esquerdo com os membros inferiores semi-fletidos (posição de Simms) e posteriormente realiza-se a inspeção anal seguida pelo toque retal com objetivo de:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>avaliar se há excesso de fezes na ampola retal;</li>



<li>mensurar de forma subjetiva o tônus dos esfíncteres interno e externo do ânus, respectivamente durante o repouso e contração anal;</li>



<li>avaliar o relaxamento do músculo puborretal e a força de propulsão retal;</li>
</ul>



<p>Além disso, o toque retal tem como finalidade final guiar a adequada e cuidadosa inserção do cateter de manometria anorretal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-parametros-avaliados"><strong>Parâmetros avaliados</strong></h2>



<p>Os seguintes dados são avaliados durante a MNAR:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Pressão de repouso: fornecida fundamentalmente pela ação do músculo esfíncter anal interno (EAI &#8211; valores em mmHg);</li>



<li>Comprimento do canal anal funcional: normalmente entre 2-3 cm no sexo feminino e um pouco longo no masculino;</li>



<li>Pressão de contração: ação executada pela musculatura estriada anorretal, ou seja, pelo esfíncter anal externo (EAE) e músculo puborretal (PR &#8211; valores em mmHg);</li>



<li>Ação da musculatura esfincteriana durante a manobra de Valsalva ou esforço evacuatório afim de observar adequado relaxamento da mesma ou sinais sugestivos de contração paradoxal do músculo PR, também descrita como dissinergia do assoalho pélvico;</li>



<li>Capacidade de sustentação da contração: corresponde ao índice de fadiga durante 30 segundos da musculatura estriada anorretal com mensuração em percentagem e em tempo de duração;</li>



<li>Reflexo inibitório retoanal: demonstra o relaxamento do EAI à estimulação dos receptores nervosos no anel anorretal a partir da insuflação escalonada de ar no balão, posicionado da extremidade distal do cateter da manometria (podendo ser positivo, negativo ou indeterminado);</li>



<li>Sensibilidade e capacidade do reto: mensuração feita com a instilação de água no interior deste mesmo balão (valores medidos em ml);</li>



<li>Índice de assimetria esfincteriana em repouso e na contração: mensura a simetria do complexo esfincteriano anorretal na sua circunferência, em percentagem.</li>
</ul>



<p>Após a obtenção desses dados, recomenda-se a realização do teste de expulsão do balão retal, primordialmente nos pacientes com quadro clínico de constipação intestinal e naqueles com sinais manométricos sugestivos de contração paradoxal do músculo puborretal à MNAR.</p>



<p>Para tanto, deixa-se em torno de 50 a 60 ml de água no interior do balão retal com a sonda posicionada logo acima do anel anorretal e solicita-se ao paciente, principalmente na posição sentada em vaso sanitário, que elimine o balão, simulando uma evacuação. Considera-se o teste negativo se houver a eliminação em até três tentativas com tempo máximo de 60 segundos cada uma. Caso não haja a eliminação do balão contendo água após 3 tentativas, o teste é positivo, podendo corroborar com dissinergia do assoalho pélvico.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-convencional-x-alta-resolucao"><strong>Convencional x Alta resolução</strong></h2>



<p>A MNAR convencional teve, em nosso meio, sua disseminação e metodologia de execução a partir de 1993. Para tanto, utiliza-se uma sonda com oito orifícios radiais localizados em sua extremidade e por onde as pressões esfincterianas são mensuradas através da resistência oferecida ao fluxo de água a 0,3-0,5 ml/minuto/canal. Para sua execução insere-se a sonda até 6 cm da borda anal e traciona-se o cateter a cada centímetro de maneira estacionária.</p>



<p>Por outro lado, os aparelhos mais recentes de MNAR, conhecidos como de alta resolução, apresentam 24 ou 36 canais, distribuídos radialmente e de maneira escalonada de 1 a 6 cm da extremidade do cateter. Para sua realização insere-se a sonda a 6 cm da borda anal, deixando-a estática com mensurações sucessivas dos dados acima mencionados, seguindo um protocolo específico conhecido como Protocolo de Londres, que padronizou melhor a MNAR de alta resolução em relação à convencional.</p>



<p>Essa nova tecnologia de realização de MNAR apresenta como principais vantagens:</p>



<ul class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-list">
<li>gráficos com melhor visualização espacial;</li>



<li>menor incomodo ao paciente, notadamente aqueles com quadro de dor anal, tal como fissura crônica;</li>



<li>melhor padronização técnica;</li>



<li>menor necessidade da participação do técnico de enfermagem que auxilia o exame;</li>
</ul>



<p>Entretanto, apesar dessas vantagens e de uma maior atuação do sistema tecnológico na confecção dos laudos, qualquer das técnicas disponíveis não substitui a importância da correta execução e interpretação dos dados pelo médico que executa o exame.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao"><strong>Conclusão</strong></h2>



<p>O exame de manometria anorretal, seja convencional ou de alta resolução, é um recurso propedêutico importante na abordagem de pacientes com distúrbios do assoalho pélvico, especialmente na incontinência anal e constipação intestinal refratária, podendo também ser empregado método no pré-operatório de cirurgias colorretais e/ou orificiais em situações específicas.</p>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background"><strong>Leia também:</strong> <a href="https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/colorretal/rastreamento-de-neoplasia-intraepitelial-anal-e-prevencao-de-cancer-de-anus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rastreamento de neoplasia intraepitelial anal e prevenção de câncer de ânus</a></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo">Como citar este artigo</h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Pinto RA. Manometria Anorretal: conceitos, indicações e técnica Gastropedia 2023, vol. 2. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=7749" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/manometria-anorretal-conceitos-indicacoes-e-tecnica</a></p>



<p></p>
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