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	<title>Lucas Ambar Pinto Anjos, Autor em Gastropedia</title>
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	<description>Atualização médica de forma descomplicada para profissionais que trabalham com saúde do aparelho digestivo.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 19 Jun 2026 02:17:41 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Lucas Ambar Pinto Anjos, Autor em Gastropedia</title>
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	<item>
		<title>Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal: Indicações e Abordagem Técnica &#8211; Parte II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Ambar Pinto,&#160;Amanda Pereira Lima,&#160;Isaac José Felippe Corrêa Neto&#160;e&#160;Lucas Ambar Pinto Anjos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Colorretal]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na Parte I, foram discutidos os critérios de indicação, as contraindicações e a avaliação pré-operatória dos candidatos à neuromodulação sacral (clique aqui para ler). Nesta segunda parte, serão abordados os&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Na Parte I, foram discutidos os critérios de indicação, as contraindicações e a avaliação pré-operatória dos candidatos à neuromodulação sacral (<a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal-indicacoes-e-abordagem-tecnica-parte-i/" type="link" id="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal-indicacoes-e-abordagem-tecnica-parte-i/">clique aqui para ler</a>). Nesta segunda parte, serão abordados os aspectos técnicos e as etapas do procedimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-descricao-da-tecnica-da-neuromodulacao-sacral-nms-padronizacao-e-precisao"><strong>Descrição da Técnica da Neuromodulação Sacral (NMS): Padronização e Precisão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A NMS é um procedimento de <strong>dois estágios</strong>: um <strong>teste de avaliação </strong>(avaliação percutânea do nervo &#8211; PNE) e o <strong>implante definitivo</strong>. É importante que seja realizada uma técnica padronizada de posicionamento do eletrodo para garantir a proximidade ideal com o nervo alvo, o que proporciona uma maior probabilidade de sucesso e menor possibilidade de efeitos adversos.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-preparacao-do-paciente-e-equipamento"><br><strong>Preparação do Paciente e Equipamento</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Posicionamento</strong>: decúbito ventral (Figura 1), com cabeça, tórax e quadris bem apoiados. Pelo menos quatro coxins são usados para suporte a fim de compensar a lordose lombar. Os pés e pododáctilos devem ser elevados da mesa (geralmente com uma almofada sob as pernas) para permitir a verificação da resposta motora à estimulação, como flexão plantar do hálux.</li>
</ul>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11217"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="463" data-id="11217" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente-1024x463.jpg?v=1779922201" alt="" class="wp-image-11217" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente-1024x463.jpg?v=1779922201 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente-300x136.jpg?v=1779922201 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente-768x347.jpg?v=1779922201 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente-585x265.jpg?v=1779922201 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Preparacao-do-paciente.jpg?v=1779922201 1037w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1. Posicionamento do paciente. Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11218"><img decoding="async" width="530" height="481" data-id="11218" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-do-paciente.jpg" alt="" class="wp-image-11218" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-do-paciente.jpg?v=1779922377 530w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-do-paciente-300x272.jpg?v=1779922377 300w" sizes="(max-width: 530px) 100vw, 530px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1. Posicionamento do paciente. Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Observação do Ânus (Figura 2)</strong>: As nádegas devem ser afastadas com fita adesiva para permitir a visualização do ânus durante a eletroestimulação e verificar o movimento de “bellows” (contração do assoalho pélvico).</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11220"><img decoding="async" width="535" height="406" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-e-afastamento-do-anus.jpeg" alt="" class="wp-image-11220" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-e-afastamento-do-anus.jpeg?v=1779923289 535w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-e-afastamento-do-anus-300x228.jpeg?v=1779923289 300w" sizes="(max-width: 535px) 100vw, 535px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 2.</strong> Posicionamento e afastamento do ânus. Fonte: Acervo pessoal dos autores.</figcaption></figure>
</div>


<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Aterramento e Estimulador</strong>: Uma almofada de aterramento (“fio terra”) é fixada ao paciente (ex: calcanhar) e conectada a um estimulador de teste externo (ENS, Verify®).</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-estagio-1-teste-de-avaliacao-teste-pne-percutaneous-nerve-evaluation-ou-teste-de-eletrodo-temporario"><br><strong>Estágio 1: Teste de Avaliação (Teste PNE &#8211; Percutaneous Nerve Evaluation ou Teste de Eletrodo Temporário)</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Este estágio é importante para prever o sucesso a longo prazo da terapia.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-1-anestesia"><strong>1.Anestesia</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Geralmente sob anestesia local e sedação leve.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-2-antibioticoprofilaxia"><strong>2.Antibioticoprofilaxia</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Recomenda-se a administração de uma dose intravenosa de antibiótico profilático (ex.: cefazolina 2 g IV).</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-3-identificacao-do-forame-sacral-e-marcacao-radiologica"><strong>3.Identificação do Forame Sacral e Marcação Radiológica</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Utilização de fluoroscopia em vista ântero-posterior (AP) do sacro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os parâmetros radiológicos são as bordas mediais dos forames, marcadas com uma linha vertical de cada lado na pele, e uma linha conectando as bordas inferiores da articulação sacroilíaca. Isso forma uma figura em &#8220;H&#8221;, cujos pontos de intersecção representam a parte medial superior do terceiro forame sacral, o local ideal para a entrada do eletrodo (Figura 3).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11221"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="462" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-1024x462.jpg" alt="" class="wp-image-11221" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-1024x462.jpg?v=1779924292 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-300x135.jpg?v=1779924292 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-768x346.jpg?v=1779924292 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-585x264.jpg?v=1779924292 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H-1080x487.jpg?v=1779924292 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Demarcacao-em-H.jpg?v=1779924292 1104w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 3.</strong> Demarcação em H: delineamento vertical das margens mediais dos forames e linha horizontal indicativa da margem inferior da junção íleo-sacral. Fonte:(5)</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A individualidade anatômica do sacro exige a orientação por raio-X, pois a confiança apenas em marcos ósseos superficiais pode levar a erros de posicionamento adequado da agulha no forame sacral de S3.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-4-posicionamento-da-agulha-do-forame"><strong>4.Posicionamento da Agulha do Forame</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">A agulha do forame (geralmente 9 cm, 20 Gauge) é inserida em um ponto cefálico à marcação superficial de S3 (figura 5), estendendo-se de uma linha imaginária do bordo superior de S3 no ângulo do plano de fusão intervertebral S2-S3, de cerca de 60º com a pele e sendo introduzida paralelo ao eixo mediano, sem desvios mediais ou laterais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A progressão da agulha no forame é sentida como um movimento de penetração através de uma estrutura ligamentar.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-5-teste-de-estimulacao-eletrica"><strong>5.Teste de Estimulação Elétrica</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Uma vez que a agulha atinge o nível indicativo dentro do forame, a estimulação de teste é realizada com o gerador de pulso externo (Figura 4). O objetivo é obter uma resposta motora anal (contração do assoalho pélvico – “bellows”) e/ou resposta dos pododáctilos/antepé de flexão, com uma corrente baixa, idealmente &lt;2 mA.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11222"><img loading="lazy" decoding="async" width="664" height="735" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-da-agulha.jpg" alt="" class="wp-image-11222" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-da-agulha.jpg?v=1779924694 664w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-da-agulha-271x300.jpg?v=1779924694 271w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Posicionamento-da-agulha-585x648.jpg?v=1779924694 585w" sizes="(max-width: 664px) 100vw, 664px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 4</strong>. Posicionamento da agulha.<br>Fonte: Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>
</div>


<p class="wp-block-paragraph">Com a estimulação, o cirurgião busca:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Resposta Motora: Contração do assoalho pélvico (movimento de &#8220;elevação&#8221; do ânus), adução da coxa ou dorsiflexão do hálux (reflexo pudendo).</li>



<li>Resposta Sensorial: Parestesia ou sensação de &#8220;formigamento&#8221; no períneo, escroto/grandes lábios ou região retal/vaginal.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-6-implante-do-eletrodo-permanente"><strong>6.Implante do Eletrodo Permanente</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O eletrodo permanente de múltiplos polos (quadri polar) é cuidadosamente inserido no mesmo forame sacral que demonstrou a melhor resposta, após a substituição da agulha pelo fio guia (técnica de Seldinger) e dilatação do trajeto com um introdutor inserido no forame sacral até sua marca radiopaca. O eletrodo permanente (Figura 5A) é introduzido através do introdutor, sendo o principal objetivo posicionar os quatro contatos do eletrodo em estreita proximidade ao nervo sacral alvo, buscando uma resposta de estimulação adequada com &lt;2 mA em cada contato. A aparência do eletrodo em vistas AP e lateral fluoroscópicas é importante para confirmar o posicionamento ideal (Figuras 5B e C). A fixação é importante para evitar a migração, sendo as farpas responsáveis por ancorar o eletrodo no tecido circundante.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11223"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="447" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-1024x447.jpg?v=1779928147" alt="" class="wp-image-11223" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-1024x447.jpg?v=1779928147 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-300x131.jpg?v=1779928147 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-768x335.jpg?v=1779928147 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-1170x510.jpg?v=1779928147 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-585x255.jpg?v=1779928147 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6-1080x471.jpg?v=1779928147 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/figura-6.jpg?v=1779928147 1298w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 5.</strong> A) Eletrodo permanente B) Posicionamento adequado do eletrodo em AP na radioscopia. C) Posicionamento em perfil. Fonte: acervo pessoal dos autores.</figcaption></figure>
</div>


<h3 class="wp-block-heading" id="h-7-remocao-do-introdutor"><strong>7.Remoção do Introdutor</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Deve ser feita suavemente, sob fluoroscopia, para evitar o deslocamento do eletrodo. A posição é reconfirmada por estimulação e fluoroscopia.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-8-conexao-ao-gerador-externo"><strong>8.Conexão ao Gerador Externo</strong></h3>



<p class="wp-block-paragraph">O eletrodo permanente é conectado a um gerador de pulso externo (Figura 6) que o paciente leva consigo por um período de 2 a 4 semanas. Durante este tempo, o paciente mantém um diário de hábitos intestinais (Figura 7).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O teste é considerado bem-sucedido se houver uma redução de pelo menos 50% nos episódios de incontinência fecal associado a uma melhora significativa na qualidade de vida percebida pelo paciente.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11246"><img loading="lazy" decoding="async" width="683" height="453" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Gerador-externo.jpeg" alt="" class="wp-image-11246" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Gerador-externo.jpeg?v=1779933177 683w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Gerador-externo-300x199.jpeg?v=1779933177 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Gerador-externo-585x388.jpeg?v=1779933177 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Gerador-externo-263x175.jpeg?v=1779933177 263w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 6.</strong> Gerador externo &#8211; Fase teste. Fonte: Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>
</div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11225"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="760" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-1024x760.png" alt="" class="wp-image-11225" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-1024x760.png 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-300x223.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-768x570.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-1170x868.png 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-585x434.png 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais-1080x801.png 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Registro-de-Sintomas-Intestinais.png 1297w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 7.</strong> Registro de Sintomas Intestinais &#8211; o diário leva em consideração gravidade da urgência evacuatória, escala de Bristol, número de acidentes e quantidade de perdas. (Medtronic®)</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading" id="h-estagio-2-implante-definitivo-do-sistema"><strong>Estágio 2: Implante Definitivo do Sistema</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se o teste de avaliação for bem-sucedido, o paciente é encaminhado para o implante definitivo.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Anestesia</strong>: Pode ser realizada sob anestesia local com sedação.</li>



<li><strong>Profilaxia Antibiótica</strong>: A profilaxia antibiótica é essencial para prevenir infecções, que podem levar à remoção do implante. Recomenda-se uma dose intravenosa de antibióticos profiláticos (ex: Cefazolina 2g IV) antes da implantação. Não há consenso sobre o benefício do uso de campos impregnados com antibióticos, irrigação de feridas com solução antibiótica. Geralmente, não são necessários antibióticos pós-operatórios de rotina, embora alguns especialistas recomendem antibióticos orais de amplo espectro por cinco a sete dias.</li>



<li><strong>Implante do Gerador de Pulso Implantável (IPG):</strong> O eletrodo permanente é tunelizado pelo tecido celular subcutâneo e conectado a um IPG (um pequeno dispositivo eletrônico com bateria). Este é implantado em uma &#8220;bolsa&#8221; subcutânea, geralmente na região glútea superior ou no abdome, ipsilateral à inserção do eletrodo definitivo, em um local confortável e discreto para o paciente. O local do IPG deve ser 3-4 cm lateral ao osso sacral e 4-6 cm inferior à crista ilíaca, evitando estruturas ósseas (Figura 8).</li>
</ul>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11227"><img loading="lazy" decoding="async" width="623" height="468" data-id="11227" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente.jpg" alt="" class="wp-image-11227" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente.jpg?v=1779929045 623w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-300x225.jpg?v=1779929045 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-585x439.jpg?v=1779929045 585w" sizes="(max-width: 623px) 100vw, 623px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 8.<strong> </strong>Localização de eletrodo permanente. Fonte: Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11226"><img loading="lazy" decoding="async" width="636" height="477" data-id="11226" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-1.jpg" alt="" class="wp-image-11226" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-1.jpg?v=1779929042 636w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-1-300x225.jpg?v=1779929042 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Localizacao-de-eletrodo-permanente-1-585x439.jpg?v=1779929042 585w" sizes="(max-width: 636px) 100vw, 636px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 8. Localização de eletrodo permanente. Fonte: Acervo pessoal dos autores</figcaption></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Programação e Acompanhamento:</strong> O IPG é programado com parâmetros de estimulação específicos. Os pacientes recebem um controle remoto para ajustar a intensidade (Figura 9). Acompanhamentos regulares são necessários para otimizar a programação e monitorar a resposta clínica. A bateria do IPG tem uma vida útil em média de 10 anos.</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11228"><img loading="lazy" decoding="async" width="447" height="381" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Dispositivo-de-controle-do-paciente-para-ajuste.jpeg" alt="" class="wp-image-11228" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Dispositivo-de-controle-do-paciente-para-ajuste.jpeg?v=1779929412 447w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/Dispositivo-de-controle-do-paciente-para-ajuste-300x256.jpeg?v=1779929412 300w" sizes="(max-width: 447px) 100vw, 447px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 9.</strong> Dispositivo de controle do paciente para ajuste. Fonte: acervo pessoal dos autores.</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading" id="h-resultados"><br><strong>Resultados</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estudo multicêntrico</strong> retrospectivo<sup>8</sup> conduzido em sete centros europeus avaliou os desfechos de longo prazo da neuromodulação sacral em 108 pacientes com IF ou dupla (urinária associada), com seguimento de até 5 anos. Observou-se <strong>melhora significativa e sustentada dos sintomas</strong>, com redução do escore de incontinência de 15 para 2 em 12 meses e para 1 em 36 meses (p &lt; 0,0001), mantendo-se estável ao longo do acompanhamento. Além disso, <strong>houve melhora importante na qualidade de vida</strong> e todos os pacientes com disfunção sexual prévia relataram resolução dos sintomas após 5 anos. A taxa de implante definitivo foi de 81,4%, reforçando a eficácia do método.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Outra coorte retrospectiva multicêntrica</strong> realizada em centros de cirurgia colorretal da América Latina<sup>15</sup> avaliou 131 pacientes com IF refratária submetidos à NMS, com seguimento mediano de 36,7 meses. Os resultados demonstraram <strong>melhora clínica significativa</strong>, evidenciada pela redução do escore CCF-FIS de 15,9 para 5,2 (p &lt; 0,0001), além de <strong>alta taxa de satisfação</strong>, com 90% dos pacientes relatando melhora importante. A taxa de progressão para implante definitivo foi elevada (98,5%), enquanto as complicações ocorreram em 14,7% dos casos, sendo em sua maioria manejáveis, e a taxa de remoção do dispositivo foi baixa (2,2%). <strong>Esses achados reforçam a eficácia e a segurança da neuromodulação sacral, destacando sua aplicabilidade mesmo em contextos de países em desenvolvimento</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-complicacoes"><strong>Complicações</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Dor</strong> <strong>no local do implante:</strong> Mais comum no início, mas geralmente transitória.</li>



<li><strong>Infecção</strong>: Tanto no local do implante gerador quanto do eletrodo, podendo requerer explante do sistema, o que é uma complicação grave.</li>



<li><strong>Migração do eletrodo</strong>: Pode levar à perda de eficácia e necessidade de revisão cirúrgica para reposicionamento, um risco que a técnica padronizada busca mitigar.</li>



<li><strong>Falha ou disfunção do dispositivo</strong>: Problemas com a bateria, o cabo ou o próprio gerador ocasionando disfunção do dispositivo como perda da estimulação eficaz, com necessidade de reprogramação e ajuste fino dos parâmetros de estimulação.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dispositivos-disponiveis-no-brasil"><br><strong>Dispositivos Disponíveis no Brasil</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> X (Figura 10) é um neuroestimulador que não necessita de recarga, compatível com ressonância magnética e com vida útil da bateria superior a uma década, podendo atingir até 15 anos em configurações de baixo consumo energético.</p>



<p class="wp-block-paragraph">InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Micro (Figura 10) é o menor dispositivo de neuromodulação sacral recarregável (NMS) de 1,2 Ω, medindo 2,8ml. Possui duração de bateria aproximada em 15 anos, entretanto necessita recargas semanais. O sistema InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Micro, incluindo o eletrodo de ressonância magnética InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> SureScan<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />, também possui rotulagem aprovada pela FDA para exames de ressonância magnética de corpo inteiro de 1,5 e 3 Tesla.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11229"><img loading="lazy" decoding="async" width="901" height="429" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/InterStim-X-e-InterStim-Micro.png" alt="" class="wp-image-11229" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/InterStim-X-e-InterStim-Micro.png 901w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/InterStim-X-e-InterStim-Micro-300x143.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/InterStim-X-e-InterStim-Micro-768x366.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/InterStim-X-e-InterStim-Micro-585x279.png 585w" sizes="(max-width: 901px) 100vw, 901px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 10.</strong> InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> X e InterStim<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2122.png" alt="™" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Micro, respectivamente. Fonte: Medtronic.</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao"><br><strong>Conclusão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>NMS representa uma opção valiosa e estabelecida no arsenal terapêutico para pacientes com incontinência fecal refratária</strong>. O coloproctologista desempenha um papel fundamental na identificação precoce desses pacientes, na otimização dos tratamentos conservadores e no encaminhamento oportuno para a avaliação de NMS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma abordagem multidisciplinar, envolvendo gastroenterologistas, coloproctologistas e urologistas (quando há incontinência urinária associada), é essencial para a seleção criteriosa dos pacientes, a realização bem-sucedida do procedimento, com ênfase na técnica padronizada de implantação e o acompanhamento a longo prazo. Essa colaboração garante resultados favoráveis e uma melhora significativa na qualidade de vida, restaurando a dignidade e a funcionalidade para aqueles que sofrem de IF.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Dawoud C, Reissig L, Müller C, Jahl M, Harpain F, Capek B, et al. Comparison of surgical techniques for optimal lead placement in sacral neuromodulation: a cadaver study. Tech Coloproctol. 2022;26(9):707-712. doi:10.1007/s10151-022-02632-x.</li>



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<li>Medtronic. InterStim X system [Internet]. Minneapolis (MN): Medtronic; [cited 2026 Mar 8]. Available from:&nbsp;<a href="https://www.medtronic.com/en-us/healthcare-professionals/products/bladder-bowel/sacral-neuromodulation/neurostimulators/interstim-x-system.html">https://www.medtronic.com/en-us/healthcare-professionals/products/bladder-bowel/sacral-neuromodulation/neurostimulators/interstim-x-system.html</a></li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Pinto RA, Lima AP, Neto IJF, Anjos LAP. Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal: Indicações e Abordagem Técnica – Parte II. Gastropedia 2026, Vol I. Disponível: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11214" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal-indicacoes-e-abordagem-tecnica-parte-2/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal: Indicações e Abordagem Técnica &#8211; Parte I</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rodrigo Ambar Pinto,&#160;Amanda Pereira Lima,&#160;Isaac José Felippe Corrêa Neto&#160;e&#160;Lucas Ambar Pinto Anjos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 10:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Colorretal]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[Intestino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Introdução A incontinência fecal (IF) é uma condição que afeta milhões de pessoas globalmente, com prevalência média de 5-7% da população adulta e aumento significativo com a idade.(1) De acordo&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao"><br><strong>Introdução</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>incontinência fecal (IF)</strong> é uma condição que afeta milhões de pessoas globalmente, com prevalência média de 5-7% da população adulta e aumento significativo com a idade.<sup>(1)</sup> De acordo com os <strong>critérios de Roma V</strong>, a incontinência fecal é definida pela <strong>perda involuntária recorrente de material fecal em indivíduos com idade superior a 4 anos</strong>, caracterizada pela <strong>ocorrência de pelo menos dois episódios de escape fecal e por, no mínimo, um episódio mensal documentado em diário evacuatório de quatro semanas</strong>. Os critérios <strong>devem estar presentes nos últimos 3 meses</strong>, com início dos sintomas há pelo menos 6 meses.<sup>(2,3)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora tratamentos conservadores como modificações dietéticas, agentes antidiarreicos, fisioterapia pélvica e biofeedback sejam a primeira linha de abordagem, uma parcela considerável de pacientes permanece refratária a essas intervenções. Nesses casos, a <strong>neuromodulação sacral (NMS)</strong> a partir do final do século passado (1995) emergiu como uma <strong>opção terapêutica eficaz e minimamente invasiva</strong>, oferecendo melhora significativa nos sintomas e na qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante da falha do tratamento conservador, a esfincteroplastia anal, por alguns anos, foi o único tratamento disponível. Na presença de defeitos esfincterianos envolvendo entre 90° e 180° da circunferência, há indicação do reparo sobreposto do esfíncter. Embora simples em conceito, a técnica cirúrgica não é padronizada e está sujeita a muitas variações, sendo mais complexa tecnicamente em relação à NMS, com risco significativo de infecção local e resultados dependentes em grande parte da experiência do cirurgião. Além disso, a recorrência da IF a longo prazo é frequente.<sup>(4)</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo tem como objetivo fornecer aos médicos gastroenterologistas e cirurgiões uma visão detalhada das indicações, mecanismo de ação e descrição da técnica de implante do NMS, com ênfase na padronização do posicionamento do eletrodo, essencial para otimizar os resultados no tratamento da IF.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mecanismo-de-acao"><br><strong>Mecanismo de Ação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Neuromodulação Sacral atua através da estimulação elétrica dos nervos pudendos</strong>, mais comumente localizados na raiz sacral de S3, mas tendo fibras que podem ser localizadas desde S2 até S4. O mecanismo exato de ação não é completamente elucidado, mas acredita-se que envolva a modulação de vias aferentes e eferentes. O nervo espinhal sacral estimulado contém fibras somatomotoras e somatossensoriais, bem como fibras autonômicas dos nervos pélvicos. O efeito da NMS também não se limita à inervação periférica, mas envolve o sistema nervoso central<sup>(5,6)</sup>, resultando em:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Melhora da Função Esfincteriana:</strong> A estimulação dos nervos sacrais pode levar ao aumento do tônus do esfíncter anal interno (EAI) e à melhora da força e resistência do esfíncter anal externo (EAE) e dos músculos do assoalho pélvico.</li>



<li><strong>Restauração da Sensibilidade Retal: </strong>Muitos pacientes com IF apresentam diminuição da sensibilidade retal, levando à falha em reconhecer a presença das fezes. A NMS pode melhorar a percepção retal, permitindo ao paciente reagir apropriadamente ao conteúdo que atinge o reto distal, chegando ao topo do canal anal.</li>



<li><strong>Modulação da Motilidade Colorretal:</strong> A estimulação sacral pode influenciar a motilidade do cólon e do reto, contribuindo para um padrão de evacuação mais controlado.</li>



<li><strong>Influência Central:</strong> Acredita-se que a NMS modifique a atividade neuronal no córtex cerebral, afetando o processamento central das informações sensoriais e motoras relacionadas à função anorretal. Essa hipótese é sustentada por estudos de atividade neuronal no córtex cerebral, sem e com a atuação da NMS.<sup>(7)</sup></li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-indicacoes-para-neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal"><br><strong>Indicações para Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>principal indicação para NMS é a IF refratária</strong> a outras modalidades de tratamento conservador otimizado, sendo que o paciente deve ter sido submetido e falhado a um curso adequado de terapias conservadoras (dieta, medicamentos e fisioterapia pélvica com biofeedback por pelo menos 3 meses.<sup>(8,9)</sup></p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-indicacoes-para-neuromodulacao-sacral-10"><br><strong>Indicações para Neuromodulação Sacral<sup>(10)</sup></strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>IF sem resposta ao tratamento conservador, com ou sem lesão esfincteriana.</li>



<li>Incontinência Fecal Pós-Parto: Em pacientes que não obtiveram sucesso com reparo esfincteriano ou após falha de reparos anteriores.</li>



<li>Incontinência Fecal com Lesões Esfincterianas Parciais.</li>



<li>Incontinência Fecal Associada a Doenças Neurológicas Estáveis: Pacientes com lesões medulares incompletas ou outras neuropatias.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-contraindicacoes"><br><strong>Contraindicações</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A avaliação cuidadosa das contraindicações é tão importante quanto a das indicações para garantir a segurança e a eficácia do tratamento:</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-contraindicacoes-absolutas-6"><br><strong>Contraindicações Absolutas<sup>(6)</sup></strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Distúrbios de coagulação não controlados.</li>



<li>Infecção sistêmica ativa ou no local do implante.</li>



<li>Incapacidade de operar o dispositivo de programação (por limitações cognitivas ou físicas), comprometendo a adesão do paciente ao tratamento.</li>



<li>Grandes defeitos anatômicos corrigíveis (ex: prolapso retal total, grandes lesões esfincterianas que demandam reparo primário).</li>



<li>Trabalhadores em ambientes muito quentes, como operadores de caldeiras ou metalúrgicos.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-contraindicacoes-relativas-6"><br><strong>Contraindicações Relativas<sup>(6)</sup></strong></h3>



<ul class="wp-block-list">
<li>Gravidez<sup>(11)</sup></li>



<li>Distúrbios psiquiátricos graves não controlados, que podem afetar a compreensão do paciente e sua capacidade de gerenciar o dispositivo.</li>



<li>Uso crônico de anticoagulantes, que requer uma avaliação cuidadosa de risco/benefício devido ao risco de sangramento.</li>



<li>Deformidades anatômicas na coluna que prejudiquem o implante do eletrodo.</li>



<li>Expectativa de vida limitada, devendo-se ponderar o benefício da intervenção em relação à longevidade do paciente.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-avaliacao-pre-operatoria-do-paciente"><br><strong>Avaliação Pré-operatória do Paciente</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><br><strong>Anamnese</strong>: Investigar a frequência, gravidade <em>[</em>escore de Cleveland Clinic Florida<sup>(12)</sup> <em>– Q</em>uadro 1<em>]</em>, impacto da IF na qualidade de vida (utilizando questionários validados como o FIQL &#8211; <em>Fecal Incontinence Quality of Life</em><sup>(13)</sup> e escala de Bristol<sup>(14)</sup> (Figura 1). É fundamental documentar a falha de tratamentos conservadores otimizados.</p>



<figure class="wp-block-table"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-pale-ocean-gradient-background has-background has-fixed-layout"><tbody><tr><td><em><strong>Tipo de Incontinência</strong></em></td><td><em><strong>Frequência</strong></em></td><td></td><td></td><td></td><td></td></tr><tr><td></td><td><em><strong>Nunca</strong></em></td><td><em><strong>Raramente</strong></em></td><td><em><strong>Às vezes</strong></em></td><td><em><strong>Usualmente</strong></em></td><td><strong>Sempre</strong></td></tr><tr><td><em><strong>Sólida</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Líquida</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Gases</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Uso de Protetores</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr><tr><td><em><strong>Mudança no estilo de vida</strong></em></td><td>0</td><td>1</td><td>2</td><td>3</td><td>4</td></tr></tbody></table></div><figcaption class="wp-element-caption">Quadro 1 – Escore de continência de Cleveland Clinic Florida<br>Pontos: 0 = perfeito 20 = incontinência completa.<br>Nunca = 0 (nunca). Raramente = &lt;1/mês. Às vezes = &lt;1/semana, >1/mês.<br>Frequentemente = &lt;1/dia, >1/semana. Sempre = >1/dia. O escore de continência é determinado somando-se os pontos da tabela acima, que leva em consideração o tipo e a frequência da incontinência, bem como o grau em que ela altera a vida do paciente.<br><em>Adaptado de Jorge et al., 1993<sup>(12)</sup></em></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=11206"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="820" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-1024x820.png" alt="" class="wp-image-11206" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-1024x820.png 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-300x240.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-768x615.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES-585x469.png 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2026/05/ESCALA-DE-FEZES.png 1026w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><em><strong>Figura 1 &#8211; Escala de Fezes de Bristol</strong></em><br><em>Modificado de:</em> Lewis SJ, Heaton KW. Stool form scale as a useful guide to intestinal transit time. Scand J Gastroenterol. 1997;32:920–924.<sup>(14)</sup><br></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Exame Físico Completo</strong>: Incluindo exame proctológico para avaliar o tônus esfincteriano, reflexos e integridade do assoalho pélvico. A observação da resposta anal durante o exame pode ser um indicativo precoce da capacidade de resposta à estimulação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Diário de Hábitos Intestinais</strong>: Um registro detalhado de pelo menos 2 semanas é essencial para quantificar a frequência dos episódios de incontinência, sua gravidade e avaliar a resposta às terapias anteriores.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Exames Complementares: </strong>para a indicação de neuroestimulação sacral têm papel secundário, permanecendo como métodos de propedêutica mais relacionados à prognóstico. No entanto, a manometria anorretal e o ultrassom endoanal são rotineiramente indicados com intuito de verificar os níveis pressóricos do canal anal e identificação de eventuais falhas esfincterianas, antes da indicação da NMS.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Manometria Anorretal: </strong>avalia a pressão de repouso e de contração dos esfíncteres do ânus, a sensibilidade retal e os reflexos anorretais.</li>



<li><strong>Ultrassonografia Endoanal: </strong>Identifica possíveis lesões anatômicas do esfíncter anal interno e externo.</li>



<li><strong>Ressonância Magnética Pélvica ou Defecografia: </strong>Podem ser úteis para descartar prolapsos, intussuscepções ou outras anormalidades anatômicas que possam requerer correção cirúrgica antes da NMS.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Exclusão de outras causas</strong>: É imperativo descartar causas secundárias de IF como doença inflamatória intestinal ativa, tumores colorretais ou diarreia crônica intratável, que exigem tratamentos específicos. Nesse sentido, a indicação de <strong>exame endoscópico (colonoscopia) é recomendada antes da realização de qualquer tratamento invasivo para a IF</strong>.</p>



<p class="has-text-align-center has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Na parte 2 deste artigo, serão discutidos os detalhes técnicos da neuromodulação sacral, desde o teste de avaliação até o implante definitivo do sistema.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Dawoud C, Reissig L, Müller C, Jahl M, Harpain F, Capek B, et al. Comparison of surgical techniques for optimal lead placement in sacral neuromodulation: a cadaver study. Tech Coloproctol. 2022;26(9):707-712. doi:10.1007/s10151-022-02632-x.</li>



<li>Rome Foundation. Rome V criteria [Internet]. Raleigh (NC): Rome Foundation; [cited 2026 Mar 8]. Available from: <a href="https://theromefoundation.org/rome-iv/rome-v-disorders-of-gut-brain-interaction-5th-edition/">https://theromefoundation.org/rome-iv/rome-v-disorders-of-gut-brain-interaction-5th-edition/</a></li>



<li>Rao SSC, Bharucha AE, Carrington EV, et al. Anorectal disorders. Gastroenterology. 2026;170(6):1318-1346.</li>



<li>Lehur PA, Christoforidis D. Is anal sphincteroplasty out-dated in the era of sacral neuromodulation? J Visc Surg. 2020;157(1):1-2. doi:10.1016/j.jviscsurg.2019.12.005.</li>



<li>Matzel KE, Chartier-Kastler E, Knowles CH, Lehur PA, Muñoz-Duyos A, Ratto C, et al. Sacral neuromodulation: standardized electrode placement technique. Neuromodulation. 2017;20(8):816-824. doi:10.1111/ner.12695.</li>



<li>Bittorf B, Matzel KE. Management of fecal incontinence: surgical treatment options. Visc Med. 2024;40(6):318-324. doi:10.1159/000541355.</li>



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<li>Lewis SJ, Heaton KW. Stool form scale as a useful guide to intestinal transit time. Scand J Gastroenterol. 1997;32(9):920-924. doi:10.3109/00365529709011203.</li>



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<li>Medtronic. InterStim X system [Internet]. Minneapolis (MN): Medtronic; [cited 2026 Mar 8]. Available from: <a href="https://www.medtronic.com/en-us/healthcare-professionals/products/bladder-bowel/sacral-neuromodulation/neurostimulators/interstim-x-system.html">https://www.medtronic.com/en-us/healthcare-professionals/products/bladder-bowel/sacral-neuromodulation/neurostimulators/interstim-x-system.html</a></li>
</ol>



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<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph">Pinto RA, Lima AP, Neto IJF, Anjos LAP. Neuromodulação Sacral na Incontinência Fecal: Indicações e Abordagem Técnica &#8211; Parte I. Gastropedia 2026, Vol I. Disponível: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11205" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/neuromodulacao-sacral-na-incontinencia-fecal-indicacoes-e-abordagem-tecnica-parte-i/</a></p>



<p class="wp-block-paragraph" id="h-contraindicacoes-absolutas-6"><br></p>
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