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	<title>Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos, Autor em Gastropedia</title>
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	<description>Atualização médica de forma descomplicada para profissionais que trabalham com saúde do aparelho digestivo.</description>
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	<title>Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos, Autor em Gastropedia</title>
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		<title>Mais experiência, melhores resultados? Quando buscar Hospitais ou Cirurgiões de alto volume cirúrgico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 09:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Miscelânea]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Você operaria com alguém que realiza determinada cirurgia complexa apenas ocasionalmente?</strong> A maioria dos pacientes não faz essa pergunta, mas talvez devesse. O conceito de centralização do tratamento cirúrgico do câncer em centros de alto volume ganhou grande relevância a partir do estudo clássico de John D. Birkmeyer, publicado em 2002 no <em>New England Journal of Medicine</em>. Nesse trabalho, foi demonstrada uma <strong>associação inversa entre o volume hospitalar de cirurgias complexas e a mortalidade operatóri</strong>a, analisando milhões de procedimentos nos Estados Unidos. Os autores evidenciaram que <strong>hospitais com maior volume cirúrgico apresentam melhores desfechos</strong>, <strong>especialmente em cirurgias de grande porte</strong>, incluindo ressecções oncológicas, consolidando o chamado <strong>efeito “volume–desfecho”</strong> como um dos pilares da organização moderna dos sistemas de saúde.</p>



<p>A partir desses achados, <strong>a centralização passou a ser defendida como estratégia para melhorar a qualidade do cuidado oncológico</strong>. Centros de alto volume tendem a concentrar equipes mais experientes, maior especialização profissional e melhor infraestrutura, incluindo suporte intensivo e abordagem multidisciplinar. Esses fatores contribuem para menor mortalidade, menor taxa de complicações e melhor capacidade de resgate de pacientes com intercorrências pós-operatórias. No contexto brasileiro, essa lógica se reflete na organização da rede oncológica em unidades como os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON), que oferecem cuidado integral, e as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON), que possuem estrutura intermediária, mas também desempenham papel fundamental na assistência. <strong>Dados recentes da literatura brasileira</strong>, como o estudo de Ramos <em>et al</em>. publicado em 2025 no <em>Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva</em>, reforçam essa discussão ao demonstrar <strong>melhores desfechos oncológicos para o câncer gástrico em hospitais mais especializados</strong>.</p>



<p>Entretanto, apesar dos benefícios clínicos, a <strong>centralização também impõe desafios importantes</strong>, especialmente em países de dimensões continentais como o Brasil. A necessidade de <strong>deslocamentos longos</strong> para acesso ao tratamento pode gerar <strong>atrasos no diagnóstico e na realização da cirurgia</strong>, além de <strong>impactar negativamente a adesão</strong> ao seguimento e à terapia adjuvante. Em países com alta densidade populacional e maior concentração de serviços especializados, como Coreia do Sul e Holanda, essa barreira é menos relevante. Por outro lado, no Brasil e mesmo nos Estados Unidos, o acesso a centros de referência frequentemente envolve grandes deslocamentos, o que deve ser considerado na interpretação da literatura. Esses fatores afetam principalmente populações mais vulneráveis, ampliando desigualdades regionais no acesso ao cuidado oncológico.</p>



<p>Dessa forma, a decisão de procurar um centro de alto volume deve considerar aspectos individuais e logísticos. É fundamental avaliar a disponibilidade do paciente para deslocamentos frequentes, uma vez que o tratamento envolve não apenas a cirurgia, mas também consultas pré e pós-operatórias e, muitas vezes, terapias complementares. Além disso, o tipo de procedimento é um fator determinante. No âmbito das neoplasias do aparelho digestivo, o benefício da centralização é particularmente evidente em cirurgias de alta complexidade técnica e elevado risco, como esofagectomias, gastrectomias, pancreatectomias, ressecções de tumores de reto e ressecções hepáticas maiores. De forma complementar, mesmo em abordagens menos invasivas, como as ressecções endoscópicas (por exemplo, mucosectomia e dissecção endoscópica da submucosa), há evidências de que os melhores resultados estão associados a centros e profissionais com maior volume e experiência, refletindo a importância da curva de aprendizado nesses procedimentos. Em conjunto, esses tratamentos apresentam melhores desfechos quando realizados em centros especializados, incluindo menor mortalidade perioperatória e melhores resultados oncológicos a longo prazo. <strong>A experiência da equipe, a padronização dos cuidados e o suporte multidisciplinar são fatores determinantes para esses resultados</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Birkmeyer JD, Siewers AE, Finlayson EVA, et al. Hospital volume and surgical mortality in the United States. <em>N Engl J Med</em>. 2002;346:1128–1137.</li>



<li>Ramos MFKP, et al. Treatment of gastric cancer according to hospital complexity in Brazil. <em>Arq Bras Cir Dig</em>. 2025.</li>



<li>Finlayson EVA, Goodney PP, Birkmeyer JD. Hospital volume and operative mortality in cancer surgery: a national study. <em>Arch Surg</em>. 2003;138:721–725.</li>



<li>Gooiker GA, et al. Systematic review and meta-analysis of the volume–outcome relationship in pancreatic surgery. <em>Br J Surg</em>. 2011;98:485–494.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Kodama MF. Mais experiência, melhores resultados? Quando buscar Hospitais ou Cirurgiões de alto volume cirúrgico Gastropedia 2026, Vol I. Disponível em:&nbsp;<a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=11082" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/mais-experiencia-melhores-resultados-quando-buscar-hospitais-ou-cirurgioes-de-alto-volume-cirurgico/</a></p>



<p></p>
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		<title>Ruptura tumoral no GIST: por que esse achado muda o prognóstico?</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/ruptura-tumoral-no-gist-por-que-esse-achado-muda-o-prognostico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Dec 2025 10:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Esôfago-Estômago-Duodeno]]></category>
		<category><![CDATA[Estômago]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Autores: Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos; Fernando Furlan Nunes O tumor estromal gastrointestinal (GIST) é a neoplasia mesenquimal mais frequente do trato digestivo, predominantemente localizada no estômago. Origina-se das células&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background"><strong>Autores: </strong>Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos; Fernando Furlan Nunes</p>



<p>O tumor estromal gastrointestinal (<strong>GIST</strong>) é a<strong> neoplasia mesenquimal mais frequente do trato digestivo,</strong> predominantemente localizada no estômago. Origina-se das células intersticiais de Cajal, situadas na camada muscular, e seu diagnóstico é estabelecido por avaliação histológica associada à imuno-histoquímica — tipicamente <strong>KIT (CD117)</strong> e <strong>DOG1</strong> positivos.</p>



<p>O tratamento de escolha é a <strong>ressecção cirúrgica completa</strong>, com margens negativas, <strong>sem necessidade de linfadenectomia</strong>, já que o acometimento linfonodal é raro. Tradicionalmente, o prognóstico é definido por <strong>tamanho tumoral</strong>, <strong>índice mitótico</strong>, <strong>presença de metástases</strong> e <strong>localização</strong>, que juntos determinam o estadiamento TNM.</p>



<p>Nos últimos anos, outros parâmetros ganharam relevância, especialmente a <strong>ruptura tumoral</strong>, considerada <strong>um dos mais importantes marcadores de alto risco de recorrência peritoneal</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>O que é ruptura tumoral no GIST?</strong></h2>



<p>A definição de ruptura sempre foi motivo de debate até que <strong>Nishida et al. (2019)</strong> propuseram critérios objetivos. Segundo os autores, ruptura tumoral significa qualquer <strong>perda visível ou presumida da integridade do tumor com exposição de células neoplásicas livres na cavidade abdominal</strong>, seja o evento espontâneo ou causado durante o ato cirúrgico.</p>



<p>Situações que <strong>configuram ruptura tumoral</strong> incluem:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>fratura tumoral;</li>



<li>ascite hemorrágica com possível disseminação celular;</li>



<li>perfuração do trato gastrointestinal por aumento de pressão, necrose ou fragilidade;</li>



<li>invasão microscópica de órgãos adjacentes com exposição livre de células tumorais;</li>



<li>ressecção fragmentada ou dissecção intratumoral;</li>



<li>biópsias incisionais, que embora raras, podem levar à disseminação tumoral.</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=10945"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/12/figura-gist-1024x768.png" alt="" class="wp-image-10945" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/12/figura-gist-1024x768.png 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/12/figura-gist-300x225.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/12/figura-gist-768x576.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/12/figura-gist-1170x878.png 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/12/figura-gist-585x439.png 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/12/figura-gist-1080x810.png 1080w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/12/figura-gist.png 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br>Figura 1. Tipos de ruptura tumoral conforme proposto por Nishida et al.</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Impacto prognóstico: por que a ruptura importa?</strong></h2>



<p>A <strong>ruptura tumoral é um fator independente de alto risco</strong>, <strong>independentemente</strong> do tamanho do tumor ou da taxa mitótica. Dessa forma, todo paciente com <strong>GIST rompido</strong> deve ser tratado como portador de doença de alto risco — com <strong>indicação de terapia adjuvante com imatinibe por 36 meses</strong>, conforme diretrizes atuais.</p>



<p>Como a ruptura muitas vezes só é reconhecida durante a operação, é essencial que o cirurgião saiba identificar e <strong>registrar adequadamente o achado no intraoperatório</strong>.</p>



<p>Outro ponto relevante: <strong>cerca de metade das rupturas é iatrogênica</strong>, reforçando a necessidade de <strong>técnica cirúrgica delicada</strong>, evitando manipulação excessiva ou ressecções inadequadas que possam comprometer a cápsula tumoral.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>O que&nbsp;não&nbsp;é ruptura tumoral?</strong></h2>



<p>Alguns defeitos estruturais podem ocorrer, mas <strong>não se enquadram</strong> na definição de ruptura e <strong>não justificam imatinibe adjuvante</strong>. Entre eles:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>defeitos mucosos voltados para o lúmen, mesmo com sangramento;</li>



<li>invasão microscópica peritoneal sem extravasamento tumoral;</li>



<li>biópsias por PAAF sem complicações;</li>



<li>ressecções com margens microscópicas positivas (R1).</li>
</ul>



<p>Esses achados não resultam em liberação de células tumorais para a cavidade abdominal e, portanto, não cumprem os critérios propostos por Nishida et al. (2019).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><br><strong>Referência</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Nishida T, Hølmebakk T, Raut CP, Rutkowski P. <strong>Defining Tumor Rupture in Gastrointestinal Stromal Tumor.</strong> <em>Ann Surg Oncol.</em> 2019;26(6):1669–1675.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Kodama MF, Nunes FF. Ruptura tumoral no GIST: por que esse achado muda o prognóstico? Gastropedia 2025, Vol II. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=10944" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/ruptura-tumoral-no-gist-por-que-esse-achado-muda-o-prognostico/</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Doutor, qual o risco de complicações da minha cirurgia?</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/doutor-qual-o-risco-de-complicacoes-da-minha-cirurgia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2025 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Autores: Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos, Lucas Sousa Maia Ferros Atualmente, a decisão compartilhada com o paciente em relação à conduta cirúrgica é cada vez mais valorizada. Um dos questionamentos&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background"><strong>Autores:</strong> Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos, Lucas Sousa Maia Ferros</p>



<p>Atualmente, a decisão compartilhada com o paciente em relação à conduta cirúrgica é cada vez mais valorizada. Um dos questionamentos mais frequentes por parte dos pacientes refere-se ao <strong>risco de complicações decorrentes do procedimento proposto</strong>. Diante dessa demanda crescente por estimativas individualizadas e específicas de risco em praticamente todas as áreas cirúrgicas, o Programa Nacional de Melhoria da Qualidade Cirúrgica do <em>American College of Surgeons</em> (ACS NSQIP) desenvolveu a <strong>Calculadora de Risco Cirúrgico ACS NSQIP (SRC)</strong> (<a href="http://riskcalculator.facs.org/">http://riskcalculator.facs.org</a>).</p>



<p>Essa ferramenta universal, gratuita e amplamente utilizada na prática clínica, <strong>auxilia</strong> o processo de tomada de decisão ao <strong>fornecer previsões personalizadas de risco para diferentes desfechos cirúrgicos</strong>, considerando múltiplos tipos de operações. Seu modelo é baseado em dados robustos, coletados em mais de 5 milhões de cirurgias realizadas entre 2015 e 2019, em 855 hospitais dos Estados Unidos participantes do NSQIP.</p>



<p>O <strong>cálculo do risco é realizado a partir de informações pré-operatórias, demográficas e clínicas</strong>, incluindo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Idade</li>



<li>Sexo</li>



<li>Índice de Massa Corporal (IMC)</li>



<li>Estado funcional (independente, parcialmente dependente ou dependente)</li>



<li>Caráter de emergência da cirurgia</li>



<li>Classe ASA</li>



<li>Uso crônico de esteroides</li>



<li>Presença de ascite nos últimos 30 dias</li>



<li>Sepse sistêmica pré-operatória</li>



<li>Dependência de ventilador</li>



<li>Câncer disseminado</li>



<li>Diabetes (não, oral ou insulina)</li>



<li>Hipertensão arterial em uso de medicação</li>



<li>Insuficiência cardíaca congestiva</li>



<li>Necessidade de suporte de oxigênio</li>



<li>Tabagismo no último ano</li>



<li>Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) grave</li>



<li>Insuficiência renal aguda</li>



<li>Diálise</li>
</ul>



<p>Após o preenchimento desses parâmetros, <strong>a calculadora fornece a estimativa individual do risco de complicações, além da média de risco populacional para cada desfecho</strong>. Os eventos avaliados incluem:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Complicações graves ou qualquer complicação</li>



<li>Complicações cardíacas e tromboembolismo venoso</li>



<li>Pneumonia, sepse, infecção do trato urinário</li>



<li>Insuficiência renal, necessidade de reoperação ou readmissão hospitalar</li>



<li>Tempo estimado de internação</li>



<li>Óbito ou necessidade de institucionalização pós-operatória</li>
</ul>



<p>Embora determinados desfechos tenham maior relevância em cirurgias específicas — por exemplo, pneumonia em procedimentos torácicos ou infecção urinária em cirurgias urológicas —, todos são considerados indicadores fundamentais em programas de qualidade cirúrgica em nível mundial.</p>



<p>O uso de ferramentas como a ACS-SRC amplia a precisão na previsão de complicações cirúrgicas individuais e favorece uma comunicação mais clara entre cirurgião e paciente. Além disso, uma característica essencial dessas calculadoras é a capacidade de manter acurácia preditiva em populações distintas daquelas utilizadas no desenvolvimento dos modelos, o que reforça sua aplicabilidade em diferentes contextos clínicos. Dessa forma, a <strong>ACS-SRC constitui um recurso valioso para orientar a decisão compartilhada, oferecendo previsões realistas sobre riscos e potenciais complicações relacionados ao ato cirúrgico</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>American College of Surgeons. ACS NSQIP Surgical Risk Calculator. Version 4.0.2 [Internet]. Abril de 2025 [citado em 11 set 2025]. Disponível em: <a href="https://riskcalculator.facs.org/RiskCalculator/?utm_source=chatgpt.com">https://riskcalculator.facs.org/RiskCalculator/</a></li>



<li>Bilimoria KY, Liu Y, Paruch JL, et al. Development and evaluation of the universal ACS NSQIP surgical risk calculator: A decision aid and informed consent tool for patients and surgeons. J Am Coll Surg. 2013;217(5). doi:10.1016/j.jamcollsurg.2013.07.385</li>



<li>Cohen ME, Liu Y, Ko CY, Hall BL. An Examination of American College of Surgeons NSQIP Surgical Risk Calculator Accuracy. Journal of the American College of Surgeons. 2017;224(5):787-795.e1. doi:10.1016/J.JAMCOLLSURG.2016.12.057</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Ramos MFKP, Ferros LSM. Doutor, qual o risco de complicações da minha cirurgia? Gastropedia 2025 Vol II. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=10465" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/doutor-qual-o-risco-de-complicacoes-da-minha-cirurgia/</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>ESOPEC e MATTERHORN: dois estudos que devem transformar a prática clínica no tratamento dos tumores esofagogástricos</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/esopec-e-matterhorn-dois-estudos-que-devem-transformar-a-pratica-clinica-no-tratamento-dos-tumores-esofagogastricos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Jul 2025 09:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Esôfago]]></category>
		<category><![CDATA[Estômago]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Recentemente, foram divulgados os resultados de dois grandes estudos com potencial para transformar o paradigma do tratamento dos adenocarcinomas da transição esofagogástrica (TEG) e do estômago. Nesta postagem, discutimos os&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Recentemente, foram divulgados os resultados de <strong>dois grandes estudos com potencial para transformar o paradigma do tratamento dos adenocarcinomas da transição esofagogástrica (TEG) e do estômago</strong>. Nesta postagem, discutimos os principais achados dos estudos <strong>ESOPEC</strong> e <strong>MATTERHORN</strong> e suas implicações futuras.</p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background"><em><strong>Nota:</strong></em> <em>se quiser saber sobre o panorama do tratamento quimioterápico dos tumores esofagogástricos e um resumo dos principais estudos que moldaram essa evolução, confira esse artigo: <a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/tratamento-quimioterapico-dos-tumores-esofagogastricos-do-ecf-ao-flot-e-a-imunoterapia/">Tratamento Quimioterápico dos Tumores Esofagogástricos: do ECF ao FLOT e à Imunoterapia</a></em></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-1-esopec"><strong>1. ESOPEC</strong></h2>



<p>O ESOPEC foi desenhado para <strong>comparar duas estratégias consagradas</strong> no tratamento dos tumores da TEG e do esôfago distal:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>CROSS trial</strong>: demonstrou <strong>benefício da quimiorradioterapia neoadjuvante</strong> (carboplatina, paclitaxel e radioterapia 41,4 Gy) seguida de cirurgia, com foco em controle loco-regional. (1)</li>



<li><strong>FLOT4 trial</strong>: mostrou que o esquema de <strong>quimioterapia perioperatória FLOT era superior ao ECF</strong> (Epirrubicina, cisplatina, 5-FU), especialmente em adenocarcinomas gástricos e da TEG, visando o controle sistêmico de micrometástases. (2)</li>
</ul>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background"><em><strong>Nota</strong>: ECF Foi o esquema usado no <strong>MAGIC trial</strong> (NEJM, 2006), que demonstrou benefício da quimioterapia perioperatória com ECF em comparação à cirurgia isolada para câncer gástrico e da junção esofagogástrica.</em></p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background"><strong>Nota:</strong> FLOT: 4 ciclos antes e 4 ciclos após a cirurgia. 5-Fluorouracil (5-FU), Leucovorin, Oxaliplatina, Docetaxel. Ciclo a cada 2 semanas (14 dias).</p>



<p><br><strong>Com os bons resultados demonstrados no estudo FLOT que foi publicado posteriormente ao CROSS, surgiu a dúvida: ainda é necessário adicionar radioterapia à quimioterapia moderna? </strong>Essa questão é ainda mais relevante em tumores<em> Siewert</em> II e III, tratados frequentemente com gastrectomia total, onde a realização da anastomose em campo previamente irradiado pode gerar receios técnicos aos cirurgiões.(3)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-1-1-desenho-e-resultados-do-esopec"><br><strong>1.1 Desenho e resultados do ESOPEC</strong></h2>



<p>Estudo de fase III, multicêntrico, com 438 pacientes com adenocarcinoma localmente avançado da TEG <em>(Siewert</em> I–III) ou esôfago distal, randomizados para:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Grupo A (FLOT):</strong> 4 ciclos de quimioterapia antes e após a cirurgia.</li>



<li><strong>Grupo B (CROSS):</strong> quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia.</li>
</ul>



<p>Os resultados foram publicados em janeiro de 2025 no <em>New England Journal of Medicin</em>e.(4)</p>



<p>Com mediana de seguimento de 55 meses, a sobrevida global em 3 anos foi de 57,4% no grupo FLOT vs. 50,7% no grupo CROSS (HR = 0,70; IC95%: 0,53–0,92; <em>p</em>= 0,01),<strong> favorecendo o FLOT</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-1-2-reflexoes-apos-o-esopec"><br><strong>1.2 Reflexões após o ESOPEC</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>O <strong>CROSS utiliza doses menos intensas de quimioterapia</strong> e, em geral, é <strong>mais bem tolerado</strong>, podendo ser <strong>preferível em pacientes idosos ou frágeis</strong>. A tolerância ao FLOT na prática clínica, em pacientes que não são tão bem selecionados quanto os de um estudo clínico, ainda é um desafio.</li>



<li>O CROSS mostrou melhor controle loco-regional, o que pode ser relevante em tumores volumosos — realidade frequente em países como o Brasil.</li>



<li>O estudo <strong>TOPGEAR (FLOT/ECF com ou sem radioterapia) não demonstrou ganho significativo de sobrevida com a radioterapia</strong>, mas evidenciou aumento na resposta patológica completa e melhor controle local — sugerindo <strong>benefício em subgrupos específicos</strong>.(5)</li>



<li>O ESOPEC <strong>não avaliou o uso de imunoterapia adjuvante</strong> (como nivolumabe, aprovado no pós-operatório após CROSS no estudo <em>CheckMate</em> -577). Isso levanta a hipótese: CROSS + imunoterapia poderia superar o FLOT?(6)</li>
</ul>



<p>Essa dúvida começou a ser respondida com os resultados do MATTERHORN.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-2-matterhorn"><strong>2. MATTERHORN</strong></h2>



<p>O caminho da imunoterapia no câncer gástrico seguiu a progressão clássica: da doença metastática para cenários adjuvantes e, finalmente, perioperatórios.</p>



<p>Vale destacar que o primeiro grande estudo a avaliar o uso de imunoterapia no cenário perioperatório foi o <strong>KEYNOTE-585</strong>, que investigou o uso de pembrolizumabe associado à quimioterapia baseada em cisplatina (e não ao esquema FLOT) em pacientes com câncer gástrico ou da junção esofagogástrica ressecável. Esse estudo demonstrou <strong>melhor taxa de resposta patológica completa com a adição de pembrolizumabe</strong> em comparação ao placebo. No entanto, <strong>não houve benefício significativo em sobrevida livre de eventos</strong>, o que limitou sua adoção imediata.(7)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-2-1-desenho-e-resultados-do-matterhorn"><br><strong>2.1 Desenho e resultados do MATTERHORN</strong></h2>



<p>O MATTERHORN, estudo de fase III, multinacional e randomizado, testou a adição de <strong>durvalumabe ao esquema FLOT</strong> no cenário <strong>perioperatório</strong> e teve seus resultados publicados em maio de 2025 no <em>New England Journal of Medicine</em>.(8)</p>



<p>Desenho do estudo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Pacientes com adenocarcinoma ressecável de estômago ou TEG.</li>



<li>Randomização 1:1 para:</li>



<li>FLOT + durvalumabe</li>



<li>FLOT + placebo</li>
</ul>



<p>Resultados:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Resposta patológica completa:</strong> 19,2% no grupo durvalumabe vs. 7,2% no grupo placebo (RR = 2,69; IC95%: 1,86–3,90).</li>



<li><strong>Sobrevida livre de eventos em 2 anos:</strong> 67,4% com durvalumabe vs. 58,5% com placebo (HR = 0,71; IC95%: 0,58–0,86; <em>p</em>&lt;0,001).</li>



<li>A taxa de eventos adversos de grau 3–4 foi semelhante entre os grupos. Eventos imuno-mediados foram mais frequentes com durvalumabe, mas sem impacto na realização da cirurgia ou tratamento adjuvante.</li>
</ul>



<p>Um dos pontos fortes do MATTERHORN foi sua abrangência global, incluindo centros na Europa, Américas e Ásia. No Brasil, 8 centros participaram do estudo, o que fortalece sua aplicabilidade na nossa realidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-consideracoes-finais"><strong>Considerações finais</strong></h2>



<p>A incorporação da imunoterapia com durvalumabe no cenário perioperatório representa um <strong>avanço relevante</strong>. </p>



<p>Os resultados do MATTERHORN consolidam a tendência de integração entre <strong>quimioterapia e imunoterapia</strong>, buscando melhores desfechos oncológicos.</p>



<p>Entretanto, <strong>o custo</strong> ainda representa um desafio à incorporação dessa estratégia no Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>van Hagen P, Hulshof MC, van Lanschot JJ, Steyerberg EW, van Berge Henegouwen MI, Wijnhoven BP, et al. Preoperative chemoradiotherapy for esophageal or junctional cancer. N Engl J Med. 2012;366(22):2074-84.</li>



<li>Al-Batran SE, Homann N, Pauligk C, Goetze TO, Meiler J, Kasper S, et al. Perioperative chemotherapy with fluorouracil plus leucovorin, oxaliplatin, and docetaxel versus fluorouracil or capecitabine plus cisplatin and epirubicin for locally advanced, resectable gastric or gastro-oesophageal junction adenocarcinoma (FLOT4): a randomised, phase 2/3 trial. Lancet. 2019;393(10184):1948-57.</li>



<li>Barchi LC, Ramos MFKP, Pereira MA, Dias AR, Ribeiro-Júnior U, Zilberstein B, et al.<br>Esophagojejunal anastomotic fistula: a major issue after radical total gastrectomy. Updates Surg. 2019;71(3):429-38.</li>



<li>Hoeppner J, Brunner T, Schmoor C, Bronsert P, Kulemann B, Claus R, et al. Perioperative Chemotherapy or Preoperative Chemoradiotherapy in Esophageal Cancer. N Engl J Med. 2025;392(4):323-35.</li>



<li>Leong T, Smithers BM, Michael M, Haustermans K, Wong R, Gebski V, et al. Preoperative Chemoradiotherapy for Resectable Gastric Cancer. N Engl J Med. 2024;391(19):1810-21.</li>



<li>Kelly RJ, Ajani JA, Kuzdzal J, Zander T, Van Cutsem E, Piessen G, et al. Adjuvant Nivolumab in Resected Esophageal or Gastroesophageal Junction Cancer. N Engl J Med. 2021;384(13):1191-203.</li>



<li>Shitara K, Rha SY, Wyrwicz LS, Oshima T, Karaseva N, Osipov M, et al. Neoadjuvant and adjuvant pembrolizumab plus chemotherapy in locally advanced gastric or gastro-oesophageal cancer (KEYNOTE-585): an interim analysis of the multicentre, double-blind, randomised phase 3 study. Lancet Oncol. 2024;25(2):212-24.</li>



<li>Janjigian YY, Al-Batran SE, Wainberg ZA, Muro K, Molena D, Van Cutsem E, et al. Perioperative Durvalumab in Gastric and Gastroesophageal Junction Cancer. N Engl J Med. 2025.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-background" style="background-color:#cac6dd">Ramos MFKP, ESOPEC e MATTERHORN: dois estudos que devem transformar a prática clínica no tratamento dos tumores esofagogástricos Gastropedia 2025 Vol II. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=10125" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/esopec-e-matterhorn-dois-estudos-que-devem-transformar-a-pratica-clinica-no-tratamento-dos-tumores-esofagogastricos/</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Laparoscopia diagnóstica e PET-CT para o estadiamento do Câncer Gástrico</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/laparoscopia-diagnostica-e-pet-ct-para-o-estadiamento-do-cancer-gastrico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Feb 2025 23:48:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estômago]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
		<category><![CDATA[câncer gástrico]]></category>
		<category><![CDATA[estadiamento]]></category>
		<category><![CDATA[PET-CT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O adequado estadiamento de um tumor é fundamental para definição da conduta terapêutica e projeção do prognóstico do paciente. Com relação ao câncer gástrico (CG), a endoscopia com biópsia é&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O adequado estadiamento de um tumor é fundamental para definição da conduta terapêutica e projeção do prognóstico do paciente. Com relação ao câncer gástrico (CG), a endoscopia com biópsia é o principal exame para o diagnóstico e a tomografia computadorizada (TC) de tórax, abdome e pelve o principal exame para o estadiamento. Um bom exame de tomografia com utilização de contraste IV para fases arterial e portal com adequada distensão da câmara gástrica após ingestão de água VO tem uma boa acurácia para o estadiamento da lesão primária, linfonodos e lesões a distância.</p>



<p>Entretanto, o estadiamento do peritônio sempre foi o “Calcanhar de Aquiles” da tomografia. O CG tem a peculiaridade de frequentemente evoluir com implantes peritoneais que dificilmente são visualizados na TC.</p>



<p>Nesse contexto, a Laparoscopia diagnóstica passou a ser empregado com complementação diagnóstica para os tumores gástricos avançados principalmente quando acometem a serosa. <strong>A Literatura sugere que a taxa de identificação de carcinomatose peritoneal oculta com a laparoscopia pode chegar a 20%</strong>. Esse valor é bem variável entre os estudos pelo fato de alguns centros realizarem a Laparoscopia de maneira seletiva e outros centros em todos os pacientes com CG. Em recente revisão dos dados do HC-FMUSP, Sakamoto et al. (2022) verificaram que houve até 30% de mudança de conduta com emprego da Laparoscopia seletiva (figura 1).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=9548"><img decoding="async" width="1024" height="795" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/01/FIGURA-1-1024x795.png" alt="" class="wp-image-9548" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/01/FIGURA-1-1024x795.png 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/01/FIGURA-1-300x233.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/01/FIGURA-1-768x596.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/01/FIGURA-1-1170x908.png 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/01/FIGURA-1-585x454.png 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/01/FIGURA-1.png 1181w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 1</strong><br>– Avaliação da mudança de conduta terapêutica com o emprego da laparoscopia diagnóstica em casos selecionados no HC-FMUSP (Sakamoto et. al.,2022). TC= tomografia computadorizada; LD= laparoscopia diagnóstica</figcaption></figure>



<p><br>Achado importante do estudo foi a identificação dos fatores de risco que foram associados com a identificação de carcinomatose oculta:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Lesão circunferencial</li>



<li>Lesão com aspecto macroscópico de<em> Linitis plastica</em></li>



<li>Presença de ascite na TC</li>



<li>Presença de nódulos peritoniais da TC</li>



<li>Tipo histológico difuso</li>
</ol>



<p><br>Além da Laparoscopia diagnóstica, outro exame que recentemente passou a ser utilizado para o estadiamento do CG é o<br><strong>PET-CT</strong> com glicose marcada. O racional desse exame é que os tumores apresentam maior metabolismo que o tecido normal e por isso captariam a glicose marcada “acendendo” durante a realização do PET. Infelizmente esse raciocínio funcionou bem para alguns tipos de tumores, mas apresentou resultados limitados para o CG. <strong>Tumores com células pouco coesas em anel de sinete demonstraram baixa captação da glicose marcada em estudos prévios</strong>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=9570"><img decoding="async" width="226" height="352" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/02/PET-CT.jpg" alt="" class="wp-image-9570" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/02/PET-CT.jpg?v=1738689762 226w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/02/PET-CT-193x300.jpg?v=1738689762 193w" sizes="(max-width: 226px) 100vw, 226px" /></a></figure>
</div>


<p>Esse breve histórico, introduz o artigo escolhido para apresentação nesse post realizado por Gertsen et al (2021) intitulado<br><em>“</em><sup><em>18</em></sup><em>F-Fluodeoxyglucose-Positron Emission Tomography/Computed Tomography and Laparoscopy for Staging of Locally Advanced Gastric Cancer”</em>. Esse estudo multicêntrico Holandês incluiu 394 pacientes para avaliar a frequência de mudança do tratamento com baseado na adição do PET-CT e Laparoscopia no estadiamento.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A intenção do tratamento mudou de curativa para paliativa em 65 pacientes (16%) com base nos achados adicionais do PET/CT e Laparoscopia.</li>



<li>O PET-CT detectou metástases distantes em 12 pacientes (3%) e a Laparoscopia detectou doença peritoneal ou localmente não ressecável em 73 pacientes (19%), com uma sobreposição de ambos os exames alterados em 7 pacientes (2%).</li>



<li>Outros achados foram encontrados no PET-CT em 83 de 382 pacientes (22%), o que levou a exames adicionais em 65 pacientes (16%).</li>



<li>Como conclusão, os autores sugerem como sendo válido a inclusão da Laparoscopia diagnóstica no estadiamento de tumores gástricos avançados, mas não o PET-CT.</li>
</ul>



<p><br>Entretanto, na prática observa-se um emprego cada vez mais frequente do PET-CT em relação a Laparoscopia. A principal justificativa é a facilidade para realização do PET-CT em relação a Laparoscopia que por ser um procedimento cirúrgico com necessidade de anestesia geral muitas vezes demora para ser agendado. De fato, no estudo, a realização da Laparoscopia atrasou em média 18 dias a definição da conduta.</p>



<p>Por outro lado, a realização do PET-CT de maneira indiscriminada também pode atrasar de maneira semelhante o tratamento visto que os pacientes que tiveram achados adicionais no PET-CT tiveram um atraso de 17 dias para início do tratamento pois tiveram que realizar outros exames diagnósticos. Dessa forma indicação individualizada para realização do PET-CT e Laparoscopia persistem sendo a melhor opção na conduta dos casos de CG.</p>



<p>Como perspectiva futura para melhor acurácia dos exames de medicina nuclear surge o PET-FAPI que que é baseado no direcionamento molecular proteína de ativação de fibroblastos (FAP) que é conhecido por ser altamente expresso na principal população de células no estroma tumoral, denominada fibroblastos associados ao câncer principalmente no contexto de tumores com células em anel de sinete.</p>



<div style="position:relative;padding-top:66.66666666666666%;"><iframe id="panda-04572b0f-7b25-49e2-bb47-4693eb2541dd" src="https://player-vz-a75e9d45-986.tv.pandavideo.com.br/embed/?v=04572b0f-7b25-49e2-bb47-4693eb2541dd" style="border:none;position:absolute;top:0;left:0;" allow="accelerometer;gyroscope;autoplay;encrypted-media;picture-in-picture" allowfullscreen=true width="100%" height="100%" fetchpriority="high"></iframe></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>TOOL FOR OPTIMAL GASTRIC CANCER MANAGEMENT. Arq Bras Cir Dig. 2023 Jan 9;35:e1700. doi: 10.1590/0102-672020220002e1700. PMID: 36629683; PMCID: PMC9830676.</li>



<li>Gertsen EC, Brenkman HJF, van Hillegersberg R, et al.PLASTIC Study Group. 18F-Fludeoxyglucose-Positron Emission Tomography/Computed Tomography and Laparoscopy for Staging of Locally Advanced Gastric Cancer: A Multicenter Prospective Dutch Cohort Study (PLASTIC). JAMA Surg. 2021 Dec 1;156(12):e215340. doi: 10.1001/jamasurg.2021.5340. Epub 2021 Dec 8. PMID: 34705049; PMCID: PMC8552113.</li>



<li>Mori Y, Dendl K, Cardinale J, Kratochwil C, Giesel FL, Haberkorn U. FAPI PET: Fibroblast Activation Protein Inhibitor Use in Oncologic and Nononcologic Disease. Radiology. 2023 Feb;306(2):e220749. doi: 10.1148/radiol.220749. Epub 2023 Jan 3. PMID: 36594838.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Ramos MFKP, Laparoscopia diagnóstica e PET-CT para o estadiamento do Câncer Gástrico Gastropedia 2025 Vol 1. Disponível em:</p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Situações especiais da linfadectomia para o tratamento do câncer gástrico</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/situacoes-especiais-da-linfadectomia-para-o-tratamento-do-cancer-gastrico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Feb 2024 09:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Esôfago-Estômago-Duodeno]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O princípio da gastrectomia é a ressecção do tumor com margens adequadas e remoção dos linfonodos regionais com potencial de acometimento metastático. (Um fluxograma completo de tratamento do câncer gástrico&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O princípio da gastrectomia é a ressecção do tumor com margens adequadas e remoção dos linfonodos regionais com potencial de acometimento metastático. (Um fluxograma completo de tratamento do câncer gástrico pode ser acessado neste outro artigo: <a href="https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/fluxograma-de-tratamento-do-cancer-gastrico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Fluxograma de tratamento do câncer gástrico</a>).</p>



<p>As cadeias, ou estações, linfonodais que drenam o estômago são numeradas e definidas de acordo com o vaso que estão acompanhando. Os níveis de linfadenectomias D1 ou D2 foram definidos baseado nos dados do registro japonês, que realizou uma divisão dos linfonodos abdominais em cadeias, apresentando um mapeamento de probabilidade de metástases em cada uma das cadeias, de acordo com a localização do tumor primário.(1)</p>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Você pode conferir as estações linfonodais perigástricas na figura 6 e 7 desse artigo: <a href="https://link.springer.com/content/pdf/10.1007/s10120-011-0041-5.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Japanese classification of gastric carcinoma: 3rd English edition</a></p>



<p>Assim, na linfadenectomia D1, tanto os linfonodos perigástricos quanto ao longo da artéria gástrica esquerda são removidos. Na linfadenectomia D2, por sua vez, além da remoção dos linfonodos D1, também são removidos os linfonodos ao longo das artérias hepática comum, hepática própria e esplênica, bem como aqueles ao longo do tronco celíaco. (Tabela 1)</p>



<figure class="wp-block-table is-style-stripes has-small-font-size"><div class="pcrstb-wrap"><table><tbody><tr><td><br><strong>Tabela 1</strong>. Cadeias linfonodais ressecadas de acordo com extensão da ressecção e linfadenectomia.</td><td></td></tr><tr><td><br><strong>Gastrectomia Subtotal</strong></td><td></td></tr><tr><td><br>D1</td><td><br>1, 3, 4sb, 4d, 5, 6, 7</td></tr><tr><td><br>D2</td><td><br><br>cadeias da D1 + 9, 11p, 12a</td></tr><tr><td><br><strong>Gastrectomia Total</strong></td><td></td></tr><tr><td><br>D1</td><td><br><br>1 a 7</td></tr><tr><td><br>D2</td><td><br>cadeias da D1 + 8a, 9, 11p, 11d, 12a</td></tr></tbody></table></div></figure>



<p>Entretanto, existem algumas situações em que a linfadenectomia pode englobar outras cadeias linfonodais além das previamente citadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-tumores-da-transicao-esofagogastrica"><strong>Tumores da transição esofagogástrica</strong></h2>



<p>Nos casos de tumores com invasão do esôfago distal inferior a 2 cm a gastrectomia total pode ser indicada e as cadeias 19, 20 e 110 devem ser removidas (Figura 1). Tumores com invasão entre 2 e 4 cm podem ser tratados tanto com esofagectomia quanto com gastrectomia. Nos casos com mais de 4 cm de invasão do esôfago, a esofagectomia com linfadenectomia das cadeias mediastinais é obrigatória.(2, 3)</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/Cadeias-linfonodais.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="290" height="293" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/Cadeias-linfonodais.jpg" alt="" class="wp-image-7905" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/Cadeias-linfonodais.jpg?v=1706013437 290w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/Cadeias-linfonodais-70x70.jpg?v=1706013437 70w" sizes="(max-width: 290px) 100vw, 290px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura</strong> <strong>1</strong> .Cadeias linfonodais da região da transição esofagogástrica. Fonte: Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da USP.</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading" id="h-linfadenectomia-da-cadeia-10"><strong>Linfadenectomia da cadeia 10</strong></h2>



<p>A cadeia 10 do hilo esplênico deve ser removida durante a linfadenectomia D2 nos casos de tumores proximais com invasão da grande curvatura submetidos a gastrectomia total. A linfadenectomia pode ser associada ou não a realização de esplenectomia. Durante muitos anos debateu-se a necessidade de esplenectomia de rotina nos pacientes submetidos a gastrectomia total. Em 2007 foram publicados os resultados do estudo clínico randomizado (RCT) JCOG0110 que incluiu 505 pacientes em 36 instituições japonesas sem demonstrar benefício na realização da esplenectomia de rotina.(4)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-linfadenectomia-cadeia-14v"><strong>Linfadenectomia cadeia 14v</strong></h2>



<p>Nos casos em que há metástases na cadeia 6 infrapilórica está indicada a remoção da cadeia 14v localizada na veia mesentérica superior próxima a borda inferior do pâncreas (Figura 2).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/veia-mesenterica-superior.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="535" height="313" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/veia-mesenterica-superior.jpg" alt="" class="wp-image-7906" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/veia-mesenterica-superior.jpg?v=1706014037 535w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/veia-mesenterica-superior-300x176.jpg?v=1706014037 300w" sizes="(max-width: 535px) 100vw, 535px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura</strong> <strong>2</strong>. Foto do campo cirúrgico após linfadenectomia D2. Local onde estavam a cadeias 6 (área azul) e 14v (área verde) é demonstrado. Fonte: próprio autor.</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading" id="h-linfadenecomia-cadeia-13"><strong>Linfadenecomia cadeia 13</strong></h2>



<p>Os linfonodos da cadeia 13 localizados na região posterior da cabeça pancreática podem ser removidos nos casos de tumores gástricos invadindo o duodeno como parte da linfadenectomia D2 sem serem considerados metastáticos. Nos casos de acometimento da cadeia 13 em tumores sem invasão duodenal, essa disseminação já é considerada como metastática (M1).</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-linfadenectomia-para-aortica"><strong>Linfadenectomia para-aórtica</strong></h2>



<p>A linfadenectomia para-aórtica (PAND) anteriormente era considerada como a linfadenectomia D3. Gastrectomia com linfadenectomia D2 associada a PAND profilática sem evidências de acometimento das cadeias para-aórticas não está mais indicada.(5) Entretanto, nos casos em que havia acometimento das cadeias para-aórticas e o paciente apresentou resposta clínica com emprego de quimioterapia de conversão a gastrectomia com linfadenectomia D2 + PAND pode ser realizada.(6)</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/Desenho-das-cadeias-linfonodais.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="538" height="861" data-id="7908" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/Desenho-das-cadeias-linfonodais.png" alt="" class="wp-image-7908" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/Desenho-das-cadeias-linfonodais.png?v=1706014643 538w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/Desenho-das-cadeias-linfonodais-187x300.png?v=1706014643 187w" sizes="(max-width: 538px) 100vw, 538px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 3. Desenho das cadeias linfonodais para-aórticas e foto do campo cirúrgico após linfadenectomia D2 + PAND. Fonte: Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da USP e próprio autor.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/campo-cirurgico-apos-linfadenectomia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="250" height="340" data-id="7907" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/campo-cirurgico-apos-linfadenectomia.jpg" alt="" class="wp-image-7907" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/campo-cirurgico-apos-linfadenectomia.jpg?v=1706014620 250w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2024/01/campo-cirurgico-apos-linfadenectomia-221x300.jpg?v=1706014620 221w" sizes="(max-width: 250px) 100vw, 250px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 3. Desenho das cadeias linfonodais para-aórticas e foto do campo cirúrgico após linfadenectomia D2 + PAND. Fonte: Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da USP e próprio autor.</figcaption></figure>
</figure>



<div style="height:55px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-omentectomia"><strong>Omentectomia</strong></h2>



<p>Para tumores T1 e T2 a remoção de apenas 3 cm de omento além da arcada gastroepiplóica já é suficiente. Para tumores T3 e T4 a omentectomia ainda faz parte da gastrectomia padrão, mas sua realização foi pouco recomendada no último consenso japonês com nível de evidência C. (7)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-bursectomia"><strong>Bursectomia</strong></h2>



<p>A bursectomia peritoneal é o procedimento de dissecção do revestimento peritoneal que cobre o pâncreas e o folheto anterior do mesocólon transverso. Desde a década de 1960, no Japão, a bursectomia tem sido recomendada como parte da gastrectomia radical para o CG avançado, especialmente para tumores que invadem a serosa da parede gástrica posterior. Teoricamente, a bursectomia pode promover a dissecção completa dos linfonodos infrapilóricos da cadeia 6 e a inclusão de potenciais micrometástases da retrocavidade (bolsa omental menor) na ressecção. No entanto, o benefício da realização da bursectomia na sobrevida não foi confirmado RCT em grande escala (JCOG1001), inclusive para o subgrupo de pacientes com tumores T4a e localizados na parede posterior do estômago.(8)</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Japanese Gastric Cancer Treatment Guidelines 2021 (6th edition). Gastric Cancer. 2023;26(1):1-25.</li>



<li>Takeda FR, Ramos M, Pereira MA, Sallum RAA, Ribeiro Junior U, Nahas SC, et al. Tumor size predicts worse prognosis in esophagogastric junction adenocarcinoma. Updates Surg. 2022;74(6):1871-9.</li>



<li>Kurokawa Y, Takeuchi H, Doki Y, Mine S, Terashima M, Yasuda T, et al. Mapping of Lymph Node Metastasis From Esophagogastric Junction Tumors: A Prospective Nationwide Multicenter Study. Ann Surg. 2021;274(1):120-7.</li>



<li>Sano T, Sasako M, Mizusawa J, Yamamoto S, Katai H, Yoshikawa T, et al. Randomized Controlled Trial to Evaluate Splenectomy in Total Gastrectomy for Proximal Gastric Carcinoma. Ann Surg. 2017;265(2):277-83</li>



<li>Sano T, Sasako M, Yamamoto S, Nashimoto A, Kurita A, Hiratsuka M, et al. Gastric cancer surgery: morbidity and mortality results from a prospective randomized controlled trial comparing D2 and extended para-aortic lymphadenectomy&#8211;Japan Clinical Oncology Group study 9501. J Clin Oncol. 2004;22(14):2767-73.</li>



<li>Ramos MFKP, Pereira MA, Charruf AZ, Dias AR, Castria TB, Barchi LC, et al. CONVERSION THERAPY FOR GASTRIC CANCER: EXPANDING THE TREATMENT POSSIBILITIES. Arq Bras Cir Dig. 2019;32(2):e1435.</li>



<li>Barchi LC, Ramos MFKP, Dias AR, Yagi OK, Ribeiro-Júnior U, Zilberstein B, et al. TOTAL OMENTECTOMY IN GASTRIC CANCER SURGERY: IS IT ALWAYS NECESSARY? Arq Bras Cir Dig. 2019;32(1):e1425</li>



<li>Kurokawa Y, Doki Y, Mizusawa J, Yoshikawa T, Yamada T, Kimura Y, et al. Five-year follow-up of a randomized clinical trial comparing bursectomy and omentectomy alone for resectable gastric cancer (JCOG1001). Br J Surg. 2022;110(1):50-6.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Ramos MFKP, Situações especiais da linfadectomia para o tratamento do câncer gástrico Gastropedia 2024 Vol 1. Disponível em: gastropedia.pub/pt/cirurgia/situacoes-especiais-da-linfadectomia-para-o-tratamento-do-cancer-gastrico/</p>
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		<title>Fluxograma de tratamento do câncer gástrico</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/fluxograma-de-tratamento-do-cancer-gastrico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Oct 2023 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Esôfago-Estômago-Duodeno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A associação japonesa de câncer gástrico (JGCA) publica periodicamente suas diretrizes para o tratamento do câncer gástrico (CG). A sexta e última edição foi publicada em inglês no periódico Gastric&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A associação japonesa de câncer gástrico (JGCA) publica periodicamente suas diretrizes para o tratamento do câncer gástrico (CG). A sexta e última edição foi publicada em inglês no periódico <em>Gastric C</em>ancer em 2022.(1) A figura abaixo demonstra essas diretrizes de forma adaptada incorporando algumas diretrizes ocidentais.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/09/FLUXOGRAMACANCERGASTRICO.png"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="710" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/09/FLUXOGRAMACANCERGASTRICO-1024x710.png" alt="" class="wp-image-7598" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/09/FLUXOGRAMACANCERGASTRICO-1024x710.png 1024w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/09/FLUXOGRAMACANCERGASTRICO-300x208.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/09/FLUXOGRAMACANCERGASTRICO-768x533.png 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/09/FLUXOGRAMACANCERGASTRICO-1170x812.png 1170w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/09/FLUXOGRAMACANCERGASTRICO-585x406.png 585w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/09/FLUXOGRAMACANCERGASTRICO.png 1303w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-alguns-pontos-merecem-destaque"><strong>Alguns pontos merecem destaque:</strong></h2>



<p>Não houve mudança dos critérios de indicação para tratamento endoscópico e os critérios de cura endoscópica (eCURA) incorporados na 5ª edição continuam presentes. Maiores detalhes sobre os critérios eCURA podem ser consultados no post de nossa colega Renata Nobre &#8211; <a href="https://endoscopiaterapeutica.com.br/assuntosgerais/criterios-esd-gastrico-ecura/"><strong>Critérios de indicação e cura do ESD gástrico (eCura)</strong></a> (2)</p>



<p>Outro ponto interessante foi a possibilidade da quimioterapia de conversão para doença oligometastática. A definição de doença oligometastática ainda é controversa. Na diretriz japonesa foi considerado a possibilidade de conversão para acometimento dos linfonodos cadeias 16a2 e 16b1, metástase hepática ressecável, citologia oncótica peritoneal positiva e carcinomatose peritoneal restrita (p1). Recentemente um grupo de trabalho Europeu definiu o CG oligometastático quando restrito à um órgão com ≤ 3 metástases ou 1 sítio de metástase linfonodal a distância.(3) O real benefício da cirurgia de conversão para esses pacientes provavelmente será esclarecido pelo estudo alemão prospectivo randomizado FLOT5 que ainda está em andamento. Esse estudo compara um grupo submetido a tratamento quimioterápico exclusivo com um grupo submetido a quimioterapia de conversão seguida por gastrectomia.(4) <a href="https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/terapia-de-conversao-no-cancer-gastrico/">Saiba mais sobre terapia de conversão no CG nesse outro artigo (clique aqui).</a> </p>



<p>Por fim, vale destacar a quimioterapia neoadjuvante para tumores avançados e/ou com metástases linfonodais. Nas diretrizes japonesas a indicação de quimioterapia neoadjuvante ocorre apenas na presença de “<em>bulky</em>” linfonodal. Entretanto, no ocidente é cada vez mais comum e indicação de neoadjuvancia/pré-operatória mesmo nos casos sem <em>bulky </em>linfonodal.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias">Referências</h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Japanese Gastric Cancer Treatment Guidelines 2021 (6th edition). Gastric Cancer. 2023;26(1):1-25.</li>



<li>Moura RN. Você sabe quais os critérios de indicação e cura do ESD gástrico (eCura)? Endoscopia Terapêutica; 2022.&nbsp; Disponível em: endoscopiaterapeutica.com.br/assuntosgerais/criterios-esd-gastrico-ecura</li>



<li>Kroese TE, van Laarhoven HWM, Schoppman SF, Deseyne P, van Cutsem E, Haustermans K, et al. Definition, diagnosis and treatment of oligometastatic oesophagogastric cancer: A Delphi consensus study in Europe. Eur J Cancer. 2023;185:28-39.</li>



<li>Al-Batran SE, Goetze TO, Mueller DW, Vogel A, Winkler M, Lorenzen S, et al. The RENAISSANCE (AIO-FLOT5) trial: effect of chemotherapy alone vs. chemotherapy followed by surgical resection on survival and quality of life in patients with limited-metastatic adenocarcinoma of the stomach or esophagogastric junction &#8211; a phase III trial of the German AIO/CAO-V/CAOGI. BMC Cancer. 2017;17(1):893.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo">Como citar este artigo</h2>



<p class="has-background" style="background-color:#c6cad3">Ramos MFKP, Fluxograma de tratamento do câncer gástrico Gastropedia 2023 Vol 2. Disponível em: <br>gastropedia.pub/pt/cirurgia/fluxograma-de-tratamento-do-cancer-gastrico/</p>



<p></p>
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		<title>Terapia de conversão no câncer gástrico</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/terapia-de-conversao-no-cancer-gastrico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Aug 2023 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Esôfago-Estômago-Duodeno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Recentemente, a terapia de conversão surgiu como uma nova possibilidade de tratamento para pacientes com câncer gástrico (CG). Ela consiste na administração de quimioterapia (QT) seguida de cirurgia, ainda com&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Recentemente, a terapia de conversão surgiu como uma nova possibilidade de tratamento para pacientes com câncer gástrico (CG). <strong>Ela consiste na administração de quimioterapia (QT) seguida de cirurgia, ainda com intenção curativa, em pacientes com CG estádio clínico (EC) IV. É também descrita como a combinação de QT de indução e cirurgia &#8220;adjuvante&#8221;.</strong> Pode ser indicada para tratar lesões irressecáveis ​​ou marginalmente ressecáveis, pacientes com metástases linfonodais (LN) à distância ou mesmo aqueles com doença metastática ou disseminação peritoneal.&nbsp;</p>



<p>A terapia de conversão tem se destacado nos últimos anos, visto que o desenvolvimento e aprimoramento de esquemas quimioterápicos e a terapia-alvo baseada em marcadores moleculares têm melhorado dramaticamente as taxas de resposta. Assim, tornou-se cada vez mais comum para os cirurgiões reavaliarem pacientes inicialmente rotulados como não candidatos à ressecção curativa que apresentam uma doença completamente diferente após a QT paliativa/conversão inicial. Esse novo cenário deu à terapia de conversão grande destaque nas discussões atuais sobre o tratamento do CG.</p>



<p>A definição da terapia de conversão passa pela presença de um tumor irressecável. Entretanto, é extremamente difícil definir o que é um tumor marginalmente ressecável ou até mesmo irressecável e isso varia muito, mesmo entre os cirurgiões. Outra situação que pode ser englobada na terapia de conversão é a presença de LN acometidos fora do território de dissecção da linfadenectomia D2 habitual. Tecnicamente, as metástases linfonodais para-aórticas não são irressecáveis, mas também podem ser incluídos no grupo de conversão por serem considerados marginais do ponto de vista de cura.</p>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Essas dificuldades foram em parte superadas com a proposta de Yoshida <em>et al</em>. para classificar os pacientes ECIV em 4 categorias. A divisão é baseada na presença de doença peritoneal, metástase sistêmica, metástase linfonodal e ressecabilidade do tumor (Figura 1).</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/08/WhatsApp-Image-2023-08-03-at-07.17.41.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="939" height="566" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/08/WhatsApp-Image-2023-08-03-at-07.17.41.jpeg" alt="" class="wp-image-6993" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/08/WhatsApp-Image-2023-08-03-at-07.17.41.jpeg?v=1691057894 939w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/08/WhatsApp-Image-2023-08-03-at-07.17.41-300x181.jpeg?v=1691057894 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/08/WhatsApp-Image-2023-08-03-at-07.17.41-768x463.jpeg?v=1691057894 768w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/08/WhatsApp-Image-2023-08-03-at-07.17.41-585x353.jpeg?v=1691057894 585w" sizes="(max-width: 939px) 100vw, 939px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><strong>Figura 1</strong>. Categorias de câncer gástrico ECIV propostas por Yoshida <em>et al</em><br>.<br></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-categorias-de-cancer-gastrico-estadio-iv-proposta-por-yoshida"><strong>Categorias de Câncer Gástrico estádio IV proposta por Yoshida</strong></h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-categoria-1"><strong>Categoria 1 </strong></h3>



<p><strong>Metástases potencialmente ressecáveis </strong>&#8211; inclui pacientes com metástase hepática única, citologia oncótica positiva (CY1) ou metástases para os LN para-aórticos nos níveis 16a2 e/ou 16b1. São definidos oncologicamente como tumores ECIV, mas com metástases tecnicamente ressecáveis ​​sem a necessidade de qualquer regime de QT para a citorredução do tumor e sua metástase. Nesse grupo, os pacientes têm lesões que podem ser ressecáveis mesmo antes da administração de QT.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-categoria-2"><strong>Categoria 2</strong></h3>



<p><strong>Metástases marginalmente ressecáveis</strong> &#8211; inclui pacientes com mais de duas metástases hepáticas, metástase hepática maior que 5 cm localizada próxima à veia porta e/ou artéria hepática e metástases para LN em sítios distantes como estações para-aórticas 16a1 e/ou 16b2, cadeia mediastinal, fossas supraclavicular ou axilar. Metástases para outros órgãos distantes também podem ser incluídos nessa categoria (como exemplo, pulmão).&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-categoria-3"><strong>Categoria 3</strong></h3>



<p>Essa categoria inclui pacientes com doença peritoneal detectada em exames de estadiamento, laparoscopia diagnóstica ou durante a laparotomia. Não há metástases em outros órgãos. Quando os implantes peritoneais apresentam boa resposta à QT de conversão, o tumor primário e os implantes podem ser removidos totalmente. Nesses casos, a cirurgia é considerada por alguns autores como citorredutora pois a maioria dos pacientes irá recidivar no peritônio visto que a remoção completa da doença peritoneal é improvável.&nbsp;&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-categoria-4"><strong>Categoria 4</strong></h3>



<p>Pacientes com doença peritoneal macroscópica e metástases em outros órgãos. Dificilmente algum paciente desse grupo será candidato à terapia de conversão sendo a QT paliativa a modalidade de escolha na grande maioria dos casos. (Confira: <a href="https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/esofago-estomago-duodeno/particao-gastrica-para-tratamento-de-tumores-gastricos-distais-obstrutivos-nao-ressecaveis/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Partição gástrica para tratamento de tumores gástricos distais obstrutivos não ressecáveis</a>)</p>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>O conhecimento de fatores prognósticos relacionados com o resultado é importante para seleção adequada dos pacientes que serão submetidos à terapia de conversão sem prejudicar o tratamento. A taxa de pacientes que completaram com sucesso a QT de conversão, e são operados, varia entre 26 e 32,4%. Entretanto, como a maioria dos estudos são retrospectivos existe um grande viés de seleção dessas populações.</p>



<p>Dentre os fatores, o de mais fácil avaliação e maior impacto na resposta à terapia e na sobrevida seria a presença de mais de um fator de incurabilidade: a presença de doença metastática em dois ou mais sítios. O estado geral do paciente (<em>performance status</em>) e à resposta à QT inicial são outros importantes fatores que impactam a sobrevida. O esquema de QT aplicado, incluída aí a via de administração (sistêmica e/ou intraperitoneal) também influencia os resultados.</p>



<div style="height:34px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-doenca-localmente-avancada-yoshida-categorias-1-e-2"><strong>Doença localmente avançada – Yoshida categorias 1 e 2</strong></h2>



<p>Os tumores das categorias 1 e 2 ​​são provavelmente a indicação mais favorável para a terapia de conversão. </p>



<p>O estudo multicêntrico de fase II alemão FLOT 3 comparou três grupos de pacientes que foram inicialmente submetidos a quatro ciclos de QT (fluorouracil, leucovorin, oxaliplatina e docetaxel). </p>



<ul class="wp-block-list">
<li>grupo A (n=51 pacientes) incluiu pacientes ressecáveis (QT neoadjuvante); </li>



<li>grupo B (n=60) envolveu pacientes com doença oligometastática em sítio único (linfonodos retroperitoneais, fígado, pulmão, doença peritoneal localizada ou outros sítios); </li>



<li>grupo C (n=127) contava com pacientes com doença metastática extensa. </li>
</ul>



<p>A maior parte do grupo B incluiu a doença nodal retroperitoneal (27 dos 60 pacientes). Após a QT inicial, 96,1% dos pacientes do grupo A, 60% do grupo B e 11,8% do grupo C foram submetidos à ressecção cirúrgica. No grupo B, que representou a terapia de conversão, a cirurgia foi possível em 18 dos 27 pacientes com doença nodal extensa (66,7%), em seis dos 11 com metástase hepática (54,5%), em seis dos 10 com metástase pulmonar (60%) e em quatro de oito com outras metástases (50%). Nesse grupo, a sobrevida mediana global foi de 31,3 meses dentre os pacientes que foram submetidos à cirurgia vs. 15,9 meses nos não ressecados. Segundo o relato dos autores, os pacientes com doença nodal extensa obtiveram o melhor prognóstico.</p>



<p>Além dos tumores localmente avançados, vale destacar que os casos com citologia peritoneal positiva também são considerados na categoria 1. Kim <em>et al.</em> avaliaram o efeito da QT de conversão nesse grupo de pacientes com câncer gástrico e citologia positiva num estudo retrospectivo. De 43 pacientes, 18 foram submetidos à cirurgia (10 procedimentos curativos) após QT de conversão e os outros 25 seguiram com a QT exclusiva. A sobrevida em 3 anos no primeiro grupo foi de 16,3%. Nenhum paciente sobreviveu 3 anos no grupo da QT exclusiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-doenca-peritoneal-yoshida-categorias-3-e-4"><strong>Doença peritoneal &#8211; Yoshida categorias 3 e 4</strong></h2>



<p>As metástases peritoneais sincrônicas são as mais comuns no câncer gástrico ECIV e têm prognóstico reservado. Recentemente, o uso de <strong>QT intraperitoneal (IP) normotérmica, HIPEC e PIPAC</strong> tem sido empregado na tentativa de melhorar os resultados nessa população.</p>



<p>O uso do <strong>taxano</strong> por via IP e sistêmica mostrou ser um esquema terapêutico viável e bastante efetivo para pacientes com doença peritoneal, quer seja ascite, citologia positiva ou implante neoplásico, sendo observada a redução e, eventualmente, o desaparecimento da expressão peritoneal, o que permite ser realizada a gastrectomia de conversão em um número relevante de casos.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>&nbsp;Um recente estudo analisou a QT IP repetida em 222 pacientes portadores de doença peritoneal tratados em 20 instituições japonesas. Foi possível realizar a ressecção em 99 pacientes e a sobrevida global foi de 26 meses comparada com 12 meses para os pacientes não operados (Ishigami <em>et al</em>.).</li>
</ul>



<p>Infelizmente, até o momento, não há evidências definitivas da efetividade da QT IP empregando HIPEC e PIPAC. Definição do melhor esquema de drogas, duração da terapia e perfil dos pacientes ainda são necessárias. Diversos estudos estão em andamento nesse sentido e seus resultados podem aumentar a indicação e o número de casos candidatos à terapia de conversão no cenário da carcinomatose peritoneal.</p>



<p class="has-pale-ocean-gradient-background has-background">Concluindo, a terapia de conversão pode oferecer a possibilidade de ressecção cirúrgica com sobrevida em longo prazo para um grupo de pacientes considerados inicialmente fora das possibilidades terapêuticas. Os avanços do tratamento sistêmico e das terapias IP ampliarão essa possibilidade. O cirurgião que atua na área do CG deve estar atento a essas possibilidades sempre levando em consideração o balanço entre o risco e benefício do tratamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Al-Batran SE,Homann N,Pauligk C<em> et al.</em> Effect of Neoadjuvant Chemotherapy Followed by Surgical Resection on Survival in Patients With Limited Metastatic Gastric or Gastroesophageal Junction Cancer: The AIO-FLOT3 Trial. JAMA Oncol, 3, n. 9, p. 1237-1244, Sep 1 2017.</li>



<li>Ishigami H,Fujiwara Y,Fukushima R<em> et al.</em> Phase III Trial Comparing Intraperitoneal and Intravenous Paclitaxel Plus S-1 Versus Cisplatin Plus S-1 in Patients With Gastric Cancer With Peritoneal Metastasis: PHOENIX-GC Trial. J Clin Oncol, 36, n. 19, p. 1922-1929, Jul 1 2018.</li>



<li>Kim SW. The result of conversion surgery in gastric cancer patients with peritoneal seeding. J Gastric Cancer, 14, n. 4, p. 266-270, Dec 2014.</li>



<li>Morgagni P,Solaini L,Framarini M<em> et al.</em> Conversion surgery for gastric cancer: A cohort study from a western center. <em>In</em>: Int J Surg. England: © 2018. Published by Elsevier Ltd., 2018. v. 53, p. 360-365.</li>



<li>Ramos MFKP,Pereira MA,Charruf AZ<em> et al.</em> Conversion Therapy For Gastric Cancer: Expanding The Treatment Possibilities. Arq Bras Cir Dig, 32, n. 2, p. e1435, 2019.</li>
</ol>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-background" style="background-color:#c7d5e7">Ramos MFKP, Terapia de conversão no câncer gástrico Gastropedia 2023 Vol 2. Disponível em: gastropedia.pub/pt/cirurgia/terapia-de-conversao-no-cancer-gastrico/</p>
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		<title>Partição gástrica para tratamento de tumores gástricos distais obstrutivos não ressecáveis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jun 2023 11:30:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Esôfago-Estômago-Duodeno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Infelizmente, muitos pacientes no momento do diagnóstico já apresentam tumores gástricos localmente avançados, que não podem ser removidos por meio de procedimento cirúrgico, ou sinais de doença sistêmica. No Brasil,&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>



<p>Infelizmente, muitos pacientes no momento do diagnóstico já apresentam tumores gástricos localmente avançados, que não podem ser removidos por meio de procedimento cirúrgico, ou sinais de doença sistêmica. No Brasil, esse número pode representar mais de 25% dos casos. A obstrução gástrica distal (<em>gastric outlet obstruction</em>) ocorre em cerca de 30% dos tumores gástricos distais. Nessas situações, a principal modalidade terapêutica não curativa para o tratamento do CG persiste sendo a ressecção do tumor, mas sem a necessidade de linfadenectomia associada.</p>



<p>No entanto, alguns pacientes apresentam tumores localmente avançados que não podem ser ressecados. A incidência destes varia na literatura de 5 a 30% dos casos de CG. Nesses casos, procedimentos de derivação gastrointestinal ou o emprego de <a href="https://endoscopiaterapeutica.com.br/gastroentero-anastomose-ecoguiada-eus-ge-tips-and-tricks/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">próteses endoscópicas</a> podem ser indicados para melhorar a qualidade de vida, aliviar os sintomas de obstrução gástrica, e assim possibilitar a administração de tratamento paliativo.&nbsp;</p>



<p>O emprego de próteses endoscópicas tem ganhado popularidade para a paliação obstruções do trato digestivo, uma vez que apresenta a vantagem de ser uma opção menos invasiva e sem a necessidade de uso do centro cirúrgico com anestesia geral. Entretanto, o estudo randomizado multicêntrico (<em>Sustent Study</em>) relatou pior resultado a longo prazo com uso da prótese comparado com a gastrojejunostomia. Fatores como migração da prótese, crescimento tumoral causando nova obstrução, e erosão da parede gástrica, são complicações em longo prazo que prejudicam os resultados observados. Outro agravante refere-se ao custo e indisponibilidade imediata das próteses pelo sistema público em nosso país. Atualmente, a prótese é indicada principalmente em pacientes com baixa performance clínica pela escala da <em>Eastern Cooperative Oncology Group</em> (ECOG), e com expectativa de vida inferior a 2 meses.</p>



<p>Com relação aos procedimentos cirúrgicos de derivação, o mais utilizado é a <strong>gastrojejunostomia</strong>, também chamada de gastroentero anastomose. A gastrojejunostomia consiste na realização de anastomose com ampla extensão da parede posterior do estômago com a primeira alça jejunal que alcança o estômago sem tensão (<strong>Figura 1</strong>). A anastomose pode ser realizada de maneira manual ou mecânica, com emprego de grampeadores cirúrgicos.</p>



<p><strong>Apesar da simplicidade técnica da execução da gastrojejunostomia, um grande inconveniente observado na prática é a dificuldade de esvaziamento gástrico pela anastomose após a realização do procedimento.</strong> Os dados da literatura referem que de 10 a 26 % dos pacientes apresentam essa complicação, conforme demonstrado na <strong>Figura 1</strong>. Tal ocorrência pode levar ao aumento no tempo de internação e atrasar o início da quimioterapia paliativa, fundamental para prolongar a sobrevida.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.26.42.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="552" height="382" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.26.42.jpeg" alt="" class="wp-image-6355" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.26.42.jpeg?v=1687375651 552w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.26.42-300x208.jpeg?v=1687375651 300w" sizes="(max-width: 552px) 100vw, 552px" /></a><figcaption class="wp-element-caption">Figura 1</figcaption></figure>
</div>


<p>Outro inconveniente deste procedimento é a manutenção do tumor em contato com os alimentos ingeridos pelo paciente, uma vez que a exposição do tumor predispõe a ocorrência de sangramento tumoral. Por fim, existe também o risco de obstrução da gastrojejunostomia pelo crescimento do tumor que se encontra próximo à anastomose, podendo deste modo invadi-la. Esse receio pode levar o cirurgião a realizar a anastomose em uma porção mais proximal do corpo gástrico, o que prejudica ainda mais o esvaziamento gástrico.</p>



<p>Com o objetivo de superar esses inconvenientes, a realização de uma partição parcial do estômago associada a gastrojejunostomia na câmara gástrica proximal tem sido indicada para tumores distais obstrutivos não ressecáveis. O racional da realização da partição envolve a criação de uma câmara gástrica de menores dimensões facilitando o esvaziamento pela gastrojejunostomia e a exclusão do tumor na câmara distal diminuindo o risco de sangramento e impedindo a infiltração da anastomose pelo tumor.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-passos-tecnicos-da-particao-gastrica"><strong>Passos técnicos da partição gástrica</strong></h2>



<p>Após a identificação dos limites proximais da lesão, um ponto localizado de 3 a 5 cm proximal à lesão na grande curvatura é selecionado para iniciar a partição (Figura 2).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.32.16.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="455" height="333" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.32.16.jpeg" alt="" class="wp-image-6356" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.32.16.jpeg?v=1687375981 455w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.32.16-300x220.jpeg?v=1687375981 300w" sizes="(max-width: 455px) 100vw, 455px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 2. </strong>&nbsp;Escolha do local da partição. Tumor está identificado na área rasurada pela caneta de marcação cirúrgica e a linha de partição no estômago definida.</figcaption></figure>
</div>


<p>Sonda de <em>Faucher</em> nº 32 ou nasogástrica calibrosa é passada e mantida ao longo da pequena curvatura gástrica para manutenção da comunicação entre as duas câmaras gástricas criadas pela partição (Figura 3). A partição parcial do estômago é realizada com emprego de grampeador linear cortante.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.35.12.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="451" height="344" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.35.12.jpeg" alt="" class="wp-image-6357" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.35.12.jpeg?v=1687376148 451w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.35.12-300x229.jpeg?v=1687376148 300w" sizes="(max-width: 451px) 100vw, 451px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 3.</strong> Posicionamento do grampeador. Sonda de <em>Faucher</em> posicionada ao longo da pequena curvatura evitando a secção completa do estômago.</figcaption></figure>
</div>


<p>Posteriormente, a gastrojejunostomia é realizada em posição anterior ao cólon, isoperistáltica na parede posterior do estômago com no mínimo 5 cm de extensão, utilizando a primeira alça jejunal a cerca de 30-40 cm do ângulo de <em>Treitz</em> (Figura 4).&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.39.41.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="448" height="342" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.39.41.jpeg" alt="" class="wp-image-6358" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.39.41.jpeg?v=1687376427 448w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.39.41-300x229.jpeg?v=1687376427 300w" sizes="(max-width: 448px) 100vw, 448px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 4.</strong> Aspecto final após a partição gástrica. Anastomose mecânica realizada ao longo da grande curvatura na parede gástrica posterior.</figcaption></figure>
</div>


<p>A anastomose pode ser realizada da maneira manual ou com o emprego de grampeador linear cortante. A via de acesso pode ser convencional ou laparoscópica, de acordo com a preferência do cirurgião.&nbsp;</p>



<p>Importante ressaltar que nos casos de tumores proximais ou com envolvimento da pequena curvatura proximal a <em>incisura angularis </em>a partição deve ser evitada pelo risco de obstrução da comunicação entre as câmaras gástricas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.42.45.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" width="457" height="351" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.42.45.jpeg" alt="" class="wp-image-6359" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.42.45.jpeg?v=1687376615 457w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-21-at-16.42.45-300x230.jpeg?v=1687376615 300w" sizes="(max-width: 457px) 100vw, 457px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 5.</strong> Critério de exclusão. Tumor proximal à <em>incisura angularis</em> na pequena curvatura gástrica.<br></figcaption></figure>
</div>


<details class="wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow"><summary>Sugestão de leitura:</summary>
<p><a href="https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/terapia-de-conversao-no-cancer-gastrico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Terapia de conversão no câncer gástrico</a></p>
</details>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-background" style="background-color:#e1e6e9">Ramos MFKP, Partição gástrica para tratamento de tumores gástricos distais obstrutivos não ressecáveis. Gastropedia 2023 Vol 1. Disponível em: gastropedia.pub/pt/sem-categoria/particao-gastrica-para-tratamento-de-tumores-gastricos-distais-obstrutivos-nao-ressecaveis/</p>
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		<title>Tumores do remanescente gástrico</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/esofago-estomago-duodeno/tumores-do-remanescente-gastrico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcus Fernando Kodama Pertille Ramos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 May 2023 09:30:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cirurgia]]></category>
		<category><![CDATA[Esôfago-Estômago-Duodeno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O câncer gástrico (CG) é o quinto câncer mais comum no mundo. Estima-se que mais de um milhão de novos casos de CG ocorram anualmente. O câncer do remanescente gástrico,&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O câncer gástrico (CG) é o quinto câncer mais comum no mundo. Estima-se que mais de um milhão de novos casos de CG ocorram anualmente. </p>



<p>O câncer do remanescente gástrico, ou do coto gástrico, foi definido como um tumor que se desenvolve no remanescente gástrico mais de 5 anos após gastrectomia prévia. </p>



<p>Sua incidência relatada na literatura varia entre 2 a 6% de todos os pacientes com CG. Pode ocorrer no estômago remanescente seja após ressecção prévia por lesão benigna ou maligna. No entanto, esses tumores parecem ter comportamentos e etiologias diferentes. Devido à sua raridade e diversidade, as características do câncer do remanescente gástrico, os fatores de prognóstico e sobrevida, permanecem incertos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Contexto</strong></h2>



<p>A ressecção gástrica para doença benigna foi comumente realizada até o final da década de 1980 e criou uma grande coorte de pacientes com remanescente gástrico com risco de desenvolvimento de tumores. A introdução de antagonistas dos receptores H2 e inibidores da bomba de prótons na década de 1980 reduziu drasticamente o número de ressecções gástricas devido à doença péptica. No entanto, como o período de desenvolvimento da doença é longo, a ocorrência de tumores do remanescente ainda faz parte da realidade atual devido ao uso passado de ressecção gástrica para tratamento de úlcera péptica. Por outro lado, a melhora nos resultados do tratamento do CG aumentou a sobrevida dos pacientes submetidos à ressecção gástrica, aumentando também a população suscetível ao desenvolvimento de nova neoplasia no remanescente gástrico. Portanto, mudança nesta proporção de benigna/maligna relacionada às indicações anteriores de ressecção gástrica é esperada no futuro.</p>



<p>A vigilância endoscópica a longo prazo é recomendada para detecção precoce de lesões em pacientes submetidos a gastrectomia distal prévia. Mesmo com essas recomendações, há um senso comum de que tumores do remanescente geralmente se apresentam em estágio clínico mais avançado e com pior prognóstico.&nbsp; O maior período de efeito carcinogênico após a ressecção, bem como a percepção dos pacientes de que eram portadores de doença benigna, torna-os menos propensos a continuar acompanhando o remanescente gástrico para detecção precoce.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Carcinogênese</strong></h2>



<p>A carcinogênese do CG é um processo de várias etapas que envolve a interação de vários fatores genéticos, epigenéticos e ambientais. Os fatores de risco comumente associados ao desenvolvimento do CG incluem infecção crônica por <em>H. pylori</em>, baixa ingestão de frutas e vegetais, alta ingestão de sal, tabagismo e consumo de álcool. </p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Após ressecção gástrica prévia por doença maligna</strong>, esse efeito carcinogênico cumulativo na mucosa gástrica é mantido. Por esta razão, pacientes com gastrectomia prévia por câncer desenvolvem tumores no remanescente em um período significativamente <strong>mais curto</strong> do que pacientes com lesões benignas prévias.</li>



<li><strong>Após ressecção gástrica por doença benigna</strong>, mudanças ambientais começam a induzir danos crônicos em uma mucosa gástrica normal anterior do remanescente, iniciando uma via carcinogênica de novo com um período <strong>mais longo</strong> para o desenvolvimento do tumor no remanescente. <strong>O tempo relatado necessário para transformar essa mucosa inflamada remanescente em um epitélio neoplásico é superior a 20 anos</strong>.</li>
</ul>



<p>Outro fator que contribui para a carcinogênese remanescente é a <strong>vagotomia</strong> realizada no procedimento anterior, que causa denervação da mucosa gástrica levando a hipocloridria. Por outro lado, a frequência de infecção por <em>H. pylori</em> diminui na mucosa remanescente, levando a um efeito <strong>protetor</strong>. </p>



<p>Se essas alterações realmente levam a uma maior incidência de CG na mucosa remanescente, ou apenas refletem o risco normal de CG na população em geral, ainda está em discussão. Essa discrepância nos relatórios pode resultar da diferença nas taxas de incidência de CG na população geral de diferentes países. Regiões com baixa incidência de CG tendem a ter uma proporção maior de tumores de remanescentes em comparação com regiões com alta incidência de CG.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tipo de reconstrução e risco de carcinogênese</strong></h2>



<p>A relação entre tipo de reconstrução e risco de RGC permanece incerta. </p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A reconstrução <strong>Billroth I (BI)</strong> mantém o fluxo do alimento ingerido do estômago remanescente para o duodeno, mas devido à ressecção no piloro o refluxo biliar duodeno-gástrico é aumentado. </li>



<li>A reconstrução <strong>Billroth II (BII)</strong> permite o influxo da bile do ramo jejunal aferente para o estômago remanescente. Esse fluxo constante torna a gastrite alcalina mais comum e grave após a BII. Isso leva à inflamação e regeneração da mucosa, que pode estar associada a um maior risco de tumores no remanescente. Apesar de alguns relatos na literatura, essa associação ainda não é um consenso. </li>



<li>Por outro lado, a reconstrução em <strong>Y de Roux</strong> evita o refluxo biliar para o estômago remanescente, mas raramente é realizada para ressecções benignas. </li>
</ul>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background"><a href="https://gastropedia.pub/pt/videoteca-cirurgica/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acesse a videoteca cirúrgica go Gastropedia para ver os tipos de reconstrução </a></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Características e estadiamento</strong></h2>



<p>Na maioria dos casos o tumor do remanescente localiza-se na anastomose prévia (Figura 1). Os pacientes costumam ter idade mais avançada o que reflete o longo período de gastrite inflamatória necessária para induzir a carcinogênese na mucosa gástrica. Embora o sistema TNM seja aplicado a todos os tumores gástricos, o sistema de estadiamento para tumores no remanescente não foi estabelecido. Para um estadiamento patológico final adequado, recomenda-se a recuperação de pelo menos <strong>15 linfonodos</strong> para evitar a migração do estágio por subestimação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Tratamento cirúrgico</strong></h2>



<p>A gastrectomia total completa com linfadenectomia radical é a pedra angular do tratamento dos tumores do remanescente. A adesão a órgãos adjacentes e o deslocamento de estruturas anatômicas são dificuldades comuns durante o procedimento, tornando-o mais longo e mais propenso a combinar reparo ou ressecção de outros órgãos. Normalmente, o procedimento cirúrgico é realizado por abordagem aberta convencional, mas recentemente as abordagens laparoscópicas e robóticas minimamente invasivas estão aumentando (acesse videoteca cirúrgica gastropedia).</p>



<p>Tem sido sugerido que as características da metástase linfonodal nos tumores do remanescente são diferentes devido à interrupção da via linfática no primeiro procedimento. O tipo de reconstrução e a indicação prévia da primeira gastrectomia não parecem influenciar na incidência de metástase linfonodal, mas sim na sua localização. Isso pode levar a um maior envolvimento da artéria esplênica, hilo esplênico, mediastino inferior e mesentério jejunal. No entanto, a extensão padrão da linfadenectomia ainda não está definida. Semelhante ao CG, a linfadenectomia do hilo esplênico é indicada apenas se o tumor invadir a curvatura maior. </p>



<p>A presença de metástase linfonodal no mesentério jejunal tem um prognóstico ruim. Sabe-se que a linfadenectomia estendida na área pode afetar gravemente a qualidade de vida pós-operatória. Portanto, a extensão da linfadenectomia no mesentério deve ser determinada com base na extensão do envolvimento linfonodal, considerando um equilíbrio entre risco e benefício.</p>


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<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/04/marcus.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" width="549" height="224" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/04/marcus.jpg" alt="" class="wp-image-5431" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/04/marcus.jpg?v=1682563936 549w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2023/04/marcus-300x122.jpg?v=1682563936 300w" sizes="(max-width: 549px) 100vw, 549px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Figura 1. Imagens endoscópicas de tumores do remanescente junto à </strong><br><strong>gastrojejunostomia prévia.</strong></figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading"><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Ramos MFKP, Pereira MA, Dias AR, Dantas ACB, Szor DJ, Ribeiro U Jr, Zilberstein B, Cecconello I. Remnant gastric cancer: An ordinary primary adenocarcinoma or a tumor with its own pattern? World J Gastrointest Surg. 2021 Apr 27;13(4):366-378. doi: 10.4240/wjgs.v13.i4.366.</li>



<li>Ramos MFKP, Pereira MCM, Oliveira YS, Pereira MA, Barchi LC, Dias AR, Zilberstein B, Ribeiro Junior U, Cecconello I. Surgical results of remnant gastric cancer treatment. Rev Col Bras Cir. 2020 Nov 30;47:e20202703. doi: 10.1590/0100-6991e-20202703.&nbsp;</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-background" style="background-color:#dadfe3">Ramos MFKP, Tumores do remanescente gástrico. Gastropedia 2023 Vol 1. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=5429" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/cirurgia/tumores-do-remanescente-gastrico/</a></p>
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