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	<title>Kaline Nobre, Autor em Gastropedia</title>
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	<description>Atualização médica de forma descomplicada para profissionais que trabalham com saúde do aparelho digestivo.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 24 Sep 2025 02:51:16 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Kaline Nobre, Autor em Gastropedia</title>
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	<item>
		<title>DRGE Refratária: 10 principais erros no manejo diagnóstico e terapêutico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kaline Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Sep 2025 09:14:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Esôfago]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Introdução O termo “DRGE refratária” é frequentemente usado de forma incorreta. Muitos pacientes rotulados assim, na verdade, têm apenas sintomas persistentes ao uso de IBPs (inibidores de bombas de prótons)&#8230;</p>
<p>O post <a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/drge-refrataria-10-principais-erros-no-manejo-diagnostico-e-terapeutico/">DRGE Refratária: 10 principais erros no manejo diagnóstico e terapêutico</a> apareceu primeiro em <a href="https://gastropedia.pub/pt">Gastropedia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading" id="h-introducao"><br><strong>Introdução</strong></h2>



<p>O termo <strong>“DRGE refratária”</strong> é frequentemente usado de forma incorreta. Muitos pacientes rotulados assim, na verdade, têm apenas <strong>sintomas persistentes ao uso de IBPs</strong> (inibidores de bombas de prótons) sem comprovação de refluxo patológico. Para não cair em armadilhas diagnósticas e terapêuticas, é fundamental conhecer os erros mais comuns no manejo dessa entidade; mas primeiro:</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-o-que-significa-refratario-de-fato"><strong><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f539.png" alt="🔹" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />O que significa “refratário” de fato?</strong></h2>



<p>De acordo com o <a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/esofago/atualizacoes-no-diagnostico-de-drge-consenso-de-lyon-2-0-2023/">Consenso de Lyon 2.0</a>, <strong>DRGE refratária não é simplesmente a persistência de pirose ou regurgitação em uso de IBP</strong>.</p>



<p>O termo deve ser reservado a pacientes que:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>têm <strong>diagnóstico documentado de DRGE</strong> (por endoscopia ou pHmetria/ImpedanciopHmetria esofágica);</li>



<li>permanecem sintomáticos apesar de <strong>uso correto de IBP em dose dobrada</strong>, administrado 30–60 minutos antes das refeições, por <strong>pelo menos 8 semanas</strong>;</li>



<li>após confirmação de <strong>aderência adequada</strong> ao tratamento.</li>
</ul>



<p><br><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Ou seja: só podemos falar em refratariedade quando existe <strong>prova objetiva de DRGE</strong> e <strong>falha terapêutica verdadeira</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-dessa-forma-esses-sao-os-10-principais-erros-cometidos-durante-a-propedeuticas-desses-pacientes"><strong><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f539.png" alt="🔹" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></strong>Dessa forma, <strong>esses são os 10 principais erros cometidos</strong> durante a propedêuticas desses pacientes:</h2>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-1-nao-avaliar-adesao-e-uso-correto-dos-ibps"><strong>1. Não avaliar adesão e uso correto dos IBPs</strong></h3>



<p>Um dos erros mais básicos. O IBP deve ser tomado <strong>em jejum, 30–60 minutos antes da refeição principal</strong>, para coincidir com a ativação máxima das bombas de prótons.</p>



<p>Quando o paciente toma a medicação após a refeição ou de forma irregular, a supressão ácida é muito menor.<br><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Estudos mostram que até <strong>40% das falhas terapêuticas</strong> são explicadas apenas por má adesão ou uso incorreto dos IBPs.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-2-nao-otimizar-a-dose-do-ibp"><strong>2. Não otimizar a dose do IBP</strong></h3>



<p>Antes de concluir que o paciente é “refratário”, é necessário tentar <strong>dobrar a dose padrão (variável para cada IBP)</strong> por 8–12 semanas.</p>



<p>A maior parte dos guidelines recomenda esse passo em pacientes com alta probabilidade clínica de DRGE.<br><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Ignorar essa etapa pode levar a investigações desnecessárias e atrasar a melhora do paciente.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-3-ignorar-fatores-externos"><strong>3. Ignorar fatores externos</strong></h3>



<p>A persistência dos sintomas pode estar ligada a fatores comportamentais e de estilo de vida, tais como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Obesidade central</strong>, que aumenta a pressão intra-abdominal;</li>



<li><strong>Refeições volumosas e noturnas</strong>, que favorecem refluxo;</li>



<li><strong>Álcool e tabaco</strong>, que reduzem o tônus do esfíncter;</li>



<li>Uso de <strong>medicações</strong> como nitratos, antagonistas de cálcio e opioides.</li>
</ul>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Sem abordar esses pontos, o tratamento farmacológico isolado raramente é suficiente.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-4-usar-o-termo-refratario-sem-comprovar-drge"><strong>4. Usar o termo “refratário” sem comprovar DRGE</strong></h3>



<p>O <strong><a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/esofago/atualizacoes-no-diagnostico-de-drge-consenso-de-lyon-2-0-2023/">Consenso de Lyon 2.0</a></strong> define critérios objetivos para confirmar DRGE.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Critérios endoscópicos conclusivos (após suspender IBP por 2–4 semanas):</strong> esofagite erosiva grau B, C e D, Barrett confirmado por biópsia ou estenose péptica.</li>



<li><strong>Monitorização prolongada do refluxo:</strong>
<ul class="wp-block-list">
<li>Evidência conclusiva: Tempo de exposição ácida (TEA) > 6%</li>



<li>Evidência limítrofe: Tempo de exposição ácida (TEA) entre 4 e 6%</li>



<li>Evidência adjuvante: >80 episódios de refluxo, Associação refluxo-sintoma ou Impedância basal noturna (MNBI) &lt; 1500 Ω.</li>
</ul>
</li>
</ul>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Se esses critérios não estão presentes, não há como falar em refratariedade. O correto é <strong>“sintomas persistentes ao uso de IBPs”</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-5-tratar-sintomas-atipicos-como-se-fossem-drge"><strong>5. Tratar sintomas atípicos como se fossem DRGE</strong></h3>



<p>Tosse crônica, rouquidão, pigarro e dor torácica isolada têm <strong>baixa probabilidade de serem causados apenas por refluxo</strong>.</p>



<p><br><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Escalonar IBP nesses casos tende a falhar e o risco é prolongar tratamento sem benefício. Esses pacientes precisam realizar exame de endoscopia e/ou monitorização prolongada do pH para diagnóstico de certeza de DRGE antes de realizar teste terapêutico com IBPs.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-6-solicitar-o-exame-errado-no-momento-errado"><strong>6. Solicitar o exame errado, no momento errado</strong></h3>



<p>O erro mais comum é pedir o exame <strong>na situação clínica inadequada</strong>.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Realizar endoscopia digestiva em vigência de IBP, não permitindo a avaliação de esofagite erosiva;</li>



<li>E no caso da monitorização prolongado do pH esofágico:
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Se o paciente não tem DRGE comprovada:</strong> o correto é realizar <strong>pHmetria ou impedânciopHmetria</strong> <strong>SEM IBP</strong>, para confirmar o diagnóstico de certeza de DRGE;</li>



<li><strong>Se o paciente já tem DRGE comprovada:</strong> deve-se realizar pHmetria esofágica, ou preferencialmente<strong> impedânciopHmetria</strong> <strong>COM IBP</strong> para verificar falha de supressão ácida e presença de refluxo não ácido, além da associação de sintomas.</li>
</ul>
</li>
</ul>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Fazer o exame “do jeito errado” gera resultados falsamente normais e confunde a conduta.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-7-desconsiderar-diagnosticos-diferenciais"><strong>7. Desconsiderar diagnósticos diferenciais</strong></h3>



<p>Nem todo paciente que não melhora com IBP tem refluxo ácido. Alguns diagnósticos frequentes são:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Hipersensibilidade ao refluxo</strong> (Consenso de Roma IV): TEA normal, mas associação positiva sintoma-refluxo;</li>



<li><strong>Pirose funcional</strong> (Consenso de Roma IV): TEA normal e sem associação sintoma-refluxo;</li>



<li><strong>Distúrbios motores</strong> como acalásia ou espasmo difuso do esôfago;</li>



<li><strong>Esofagite eosinofílica</strong>;</li>



<li><strong>Ruminação e aerofagia</strong>.</li>
</ul>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Reconhecer esses quadros permite direcionar a terapêutica específica para cada situação.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-8-escalar-ibp-indefinidamente"><strong>8. Escalar IBP indefinidamente</strong></h3>



<p>Trocar repetidamente de marcas ou manter IBP contínuo em doses altas sem revisar o diagnóstico não traz benefício.</p>



<p><br><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Além de atrasar o manejo adequado, aumenta o risco de efeitos adversos (hipomagnesemia, diarreia, osteopenia em longo prazo).</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-9-indicar-cirurgia-para-sintomas-refratarios-e-nao-drge-refrataria"><strong>9. Indicar cirurgia para sintomas refratários e não DRGE refratária</strong></h3>



<p>A <strong>fundoplicatura</strong> só deve ser considerada quando há:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>DRGE comprovada por critérios objetivos;</li>



<li>Exclusão de diagnósticos funcionais que mantenham a persistências dos sintomas</li>



<li>Avaliação manométrica pré-operatória adequada.</li>



<li>Ponderando, ainda, resposta aos IBPs, IMC (índice de massa corpórea do paciente), presença de hérnia hiatal, além do sintomas predominantes do paciente</li>
</ul>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Operar pacientes com pirose funcional ou hipersensibilidade ao refluxo leva a alta taxa de falha e complicações, como disfagia persistente.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="h-10-esquecer-a-abordagem-multidisciplinar"><strong>10. Esquecer a abordagem multidisciplinar</strong></h3>



<p>Muitos pacientes não precisam de “mais IBP”, mas sim de outros enfoques:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Neuromoduladores</strong> para hipersensibilidade;</li>



<li><strong>Terapia cognitivo-comportamental</strong>;</li>



<li><strong>Fono ou fisioterapia respiratória</strong>;</li>



<li><strong>Suporte nutricional</strong> com ajuste da dieta.</li>
</ul>



<p><br><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Uma visão multidisciplinar melhora a qualidade de vida e reduz o uso inadequado de medicação.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-mensagem-final"><br><strong><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f539.png" alt="🔹" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Mensagem final</strong></h2>



<p>A <strong>DRGE refratária verdadeira é menos comum do que parece</strong>. O erro está em rotular cedo demais, sem confirmar adesão, sem exames adequados e sem considerar diagnósticos diferenciais.</p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Lembre-se:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Refratariedade = <strong>DRGE comprovada + falha clínica com IBP otimizado</strong>.</li>



<li>O <strong>pHmetria/impedanciopHmetria</strong> devem ser usado corretamente: SEM IBP quando DRGE não está comprovada, COM IBP quando já há diagnóstico de certeza e se deseja documentar persistência de refluxo ácido apesar de tratamento otimizado.</li>



<li>Hipersensibilidade ao refluxo e pirose funcional são diagnósticos diferenciais frequentes e não respondem ao escalonamento de IBP.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f4da.png" alt="📚" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Roman S, Savarino E, et al. <em>Lyon Consensus 2.0: advancing the diagnosis of GERD</em>. Gut. 2024.</li>



<li>Katz PO, et al. <em>AGA Clinical Practice Update on the personalized approach to GERD</em>. Gastroenterology. 2022.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Nobre K. DRGE Refratária: 10 principais erros no manejo diagnóstico e terapêutico Gastropedia 2025 Vol II. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/drge-refrataria-10-principais-erros-no-manejo-diagnostico-e-terapeutico/&#x2197;Selecionar">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/drge-refrataria-10-principais-erros-no-manejo-diagnostico-e-terapeutico</a></p>



<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>FIRE: Uma Síndrome Emergente Associada à Esofagite Eosinofílica</title>
		<link>https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/fire-uma-sindrome-emergente-associada-a-esofagite-eosinofilica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Kaline Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jul 2025 09:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Esôfago]]></category>
		<category><![CDATA[Gastroenterologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A esofagite eosinofílica (EoE) é uma condição esofágica crônica, de origem imunológica, associada à inflamação do tipo 2 e caracterizada por eosinofilia esofágica. Frequentemente, está associada a outras condições atópicas&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A <strong>esofagite eosinofílica (EoE)</strong> é uma condição esofágica crônica, de origem imunológica, associada à inflamação do tipo 2 e caracterizada por eosinofilia esofágica. Frequentemente, está associada a outras condições atópicas do tipo 2, como dermatite atópica, alergia alimentar mediada por IgE e rinite alérgica.</p>



<p>A EoE é caracterizada por sintomas de disfunção motora esofágica associados à infiltração eosinofílica da mucosa esofágica em resposta a alérgenos alimentares e/ou ambientais. O diagnóstico consiste na contagem de <strong>mais de 15 eosinófilos por campo de grande aumento </strong>em biópsias esofágicas, após a exclusão de outras causas comuns de eosinofilia esofágica.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-e-o-que-e-a-sindrome-fire"><br><strong>E o que é a síndrome FIRE?</strong></h2>



<p>A<strong> Síndrome FIRE (Food-Induced Immediate Response of the Esophagus)</strong>, por sua vez, é uma nova entidade clínica observada em pacientes com <strong>esofagite eosinofílica (EoE)</strong>, caracterizada por uma <strong>resposta de hipersensibilidade imediata</strong> após o consumo de certos alimentos ou bebidas, com<strong> sintomas agudos e reprodutíveis.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-fisiopatologia">Fisiopatologia</h2>



<p>Embora ainda não completamente elucidada, discute-se algumas possibilidade, tais como: </p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Hipersensibilidade local mediada por IgE</strong>.</li>



<li><strong>Ativação de mastócitos</strong> na mucosa e camada muscular esofágica.</li>



<li><strong>Barreira epitelial comprometida</strong> facilitando a entrada de alérgenos.</li>



<li><strong>Interação neuroimune</strong> (via canais TRPV1/ASICs) gerando hipersensibilidade sensorial.</li>
</ul>
</div></div>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-caracteristicas-clinicas">Características clínicas</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Sintomas principais:</strong> dor retroesternal, sensação de aperto, queimação, sufocamento ou ansiedade logo após a ingestão dos alimentos.</li>



<li><strong>Início</strong>: geralmente ocorre <strong>em até 5 minutos</strong> após o contato com o gatilho.</li>



<li><strong>Duração</strong>: entre minutos até 2 horas; na maioria, menos de 30 minutos.</li>



<li><strong>Intensidade</strong>: elevada (≥7 em escala analógica visual).</li>



<li><strong>Gatilhos comuns</strong>: frutas, vegetais, laticínios, vinho, cerveja, vinagre.</li>
</ul>



<p>Curiosamente, os <strong>principais alimentos gatilho não coincidem com alguns dos principais desencadeadores da EoE (trigo, ovo e soja)</strong>, o que sugere que os mecanismos de FIRE podem ser distintos – ou até sobrepostos – aos da inflamação eosinofílica tradicional.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-fire-e-diferente-da-disfagia-classica-da-eoe-e-da-sindrome-da-alergia-oral"><strong>FIRE é diferente da disfagia clássica da EoE e da síndrome da alergia oral</strong></h2>



<p>Embora alguns sintomas possam lembrar a<strong> síndrome de alergia oral (SAO)</strong>, o FIRE é distinto: <strong>a reação se localiza no esôfago e não na orofaringe</strong>. Além disso, os pacientes reconhecem claramente a diferença entre FIRE e episódios de disfagia ou impactação alimentar comuns na EoE.</p>



<figure class="wp-block-table is-style-stripes has-normal-font-size"><div class="pcrstb-wrap"><table class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background has-fixed-layout"><thead><tr><th><strong>Característica</strong></th><th><strong>FIRE</strong></th><th><strong>EoE clássica</strong></th><th><strong>SAO</strong></th></tr></thead><tbody><tr><td><strong>Início após alimentação</strong><br></td><td>Imediato (&lt;5min)<br></td><td>Variável (disfagia tardia)</td><td>Imediato (&lt;5min)</td></tr><tr><td><strong>Duração dos sintomas</strong></td><td>Minutos até 2h</td><td>Prolongado, crônico</td><td>Minutos</td></tr><tr><td><strong>Localização</strong></td><td>Esofágica (retroesternal)</td><td>Esofágica</td><td>Orofaringe (lábios, língua e palato)</td></tr><tr><td><br><strong>Sintomas principais</strong></td><td>Queimação, estreitamento, engasgo, ansiedade</td><td>Disfagia, impactação</td><td>Prurido oral, formigamento</td></tr><tr><td><strong>Desencadeantes comuns</strong></td><td>Frutas, vinho, laticínios e nozes</td><td>Leite, trigo, ovo e soja</td><td>Frutas e vegetais frescos</td></tr><tr><td><strong>Associação com atopias</strong></td><td>Frequente</td><td>Frequente</td><td>Muito frequente</td></tr><tr><td><strong>Endoscopia e biópsia</strong></td><td>Pode ser normal</td><td>Eosinofilia esofágica (&gt;15 eos/CGA)</td><td>Normal</td></tr></tbody></table></div><figcaption class="wp-element-caption"><br><em>Tabela 1. Principais diferenças entre FIRE (Food-induced Immediate Response of the Esophagus, SAO (síndroma da alergia oral) e EoE (Esofagite eosinofílica)</em></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-epidemiologia-e-diagnostico">Epidemiologia e diagnóstico</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Até 40% dos pacientes com EoE podem apresentar quadros sugestivos de síndrome FIRE</li>



<li><strong>FIRE pode preceder ou ocorrer independentemente da atividade da EoE.</strong></li>



<li>Ainda <strong>não há critérios diagnósticos padronizados</strong>; o diagnóstico é <strong>clínico e baseado na reprodutibilidade dos sintomas</strong>.</li>
</ul>



<figure class="wp-block-image size-full"><a href="https://gastropedia.pub/pt/?attachment_id=10064"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="684" height="530" src="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/06/Algoritmo-de-avaliacao-de-sintomas-esofagicos-pos-alimentares.png" alt="" class="wp-image-10064" srcset="https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/06/Algoritmo-de-avaliacao-de-sintomas-esofagicos-pos-alimentares.png 684w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/06/Algoritmo-de-avaliacao-de-sintomas-esofagicos-pos-alimentares-300x232.png 300w, https://gastropedia.pub/pt/wp-content/uploads/2025/06/Algoritmo-de-avaliacao-de-sintomas-esofagicos-pos-alimentares-585x453.png 585w" sizes="(max-width: 684px) 100vw, 684px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><br><em>Algoritmo de avaliação de sintomas esofágicos pós alimentares</em></figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-conclusao"><strong>Conclusão</strong></h2>



<p>A síndrome FIRE representa uma <strong>nova dimensão dos sintomas esofágicos em pacientes com EoE</strong>, exigindo atenção especial dos profissionais de saúde, especialmente gastroenterologistas, alergistas e nutricionistas. Compreender esse fenômeno pode melhorar o cuidado clínico, otimizar estratégias de eliminação alimentar e, quem sabe, lançar luz sobre os mecanismos imunes da EoE.</p>



<p>Mais estudos são necessários para estabelecer critérios diagnósticos, entender sua fisiopatologia e desenvolver tratamentos eficazes.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-referencias"><br><strong>Referências</strong></h2>



<ol class="wp-block-list">
<li>Koken G, Ertoy Karagol H, Polat Terece S, et al. Food-induced immediate response of the esophagus (FIRE) in pediatric eosinophilic esophagitis. <em>Authorea</em>. 2023 Jun 8. doi:<a href="https://doi.org/10.22541/au.168620695.51164151/v1">10.22541/au.168620695.51164151/v1</a>.</li>



<li>Ali S, Cernat MC, Vintilă MR, Berghea EC, Bumbăcea RS. Shedding Light on FIRE Syndrome: An Overview of a Novel Condition in Eosinophilic Esophagitis. <em>Applied Sciences</em>. 2025; 15(11):6375. <a href="https://doi.org/10.3390/app15116375">https://doi.org/10.3390/app15116375</a></li>



<li>Biedermann L, Holbreich M, Atkins D, Chehade M, Dellon ES, Furuta GT, Hirano I, Gonsalves N, Greuter T, Gupta S, Katzka DA, De Rooij W, Safroneeva E, Schoepfer A, Schreiner P, Simon D, Simon HU, Warners M, Bredenoord AJ, Straumann A. Food-induced immediate response of the esophagus-A newly identified syndrome in patients with eosinophilic esophagitis. <em>Allergy</em>. 2021 Jan;76(1):339-347. <a href="https://doi.org/10.1111/all.14495">doi: 10.1111/all.14495</a>.</li>
</ol>



<h2 class="wp-block-heading" id="h-como-citar-este-artigo"><strong>Como citar este artigo</strong></h2>



<p class="has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background">Nobre K. FIRE: Uma Síndrome Emergente Associada à Esofagite Eosinofílica Gastropedia 2025, Vol II. Disponível em: <a href="https://gastropedia.pub/pt/?p=10063" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gastropedia.pub/pt/gastroenterologia/fire-uma-sindrome-emergente-associada-a-esofagite-eosinofilica/</a></p>



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